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Associação de defesa do patrimônio histórico, arquitetônico,
cultural e paisagístico da cidade de São Paulo


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>>>>> O Edifício Dumont-Adams
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A Avenida Paulista, símbolo financeiro de São Paulo, encontra-se hoje com pouquíssimos resquícios de seu passado arquitetônico. Um dos mais significativos, o Edificio Dumont-Adams localizado ao lado do MASP, está ameaçado de descaracterização por reforma financiada por grandes empresas que pretendem formar um conjunto voltado às artes. Se o edifício é consagrado pela arquitetura, por que destruí-lo?

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Um dos mais belos prédios da Avenida Paulista corre o risco de ser destruído. Sóbrio e elegante, o edifício Dumont-Adams antecede em alguns anos o prédio do Museu de Arte de São Paulo, seu vizinho, com o qual forma um conjunto harmonioso – apesar dos estilos arquitetônicos distintos – e singular na paisagem urbana de São Paulo. Construído em 1956 pelo engenheiro Plínio Adams, o prédio pertenceu a sua família até o início da atual década, quando foi comprado pela Vivo, que o ofereceu ao Masp, para que fizesse o que bem entendesse no Dumont-Adams em troca de instalar um grande luminoso com o nome da empresa de telefonia em seu topo. O arquiteto Julio Neves, então presidente do Masp, propôs a construção de uma torre modernosa de 110 metros de altura e vidros espelhados no lugar do velho prédio.

Numa decisão absurda, o Conpresp, órgão de preservação do patrimônio histórico da cidade, preocupou-se apenas com o Masp e ignorou completamente as qualidades do seu vizinho: vetou o luminoso mas liberou a destruição do Dumont-Adams, numa decisão inclusive contrária ao parecer técnico do Departamento do Patrimônio Histórico da Prefeitura, elaborado pela arquiteta Lia Mayumi, que recomendava a preservação da fachada do imóvel, o qual segundo o parecer “possui a dignidade característica daquele tipo arquitetônico portador de composição equilibrada, revestimentos de boa qualidade (mármore travertino e argamassa de travertino), fachadas bem compostas de filiação clássica, tripartida nos dois sentidos, vertical e horizontal, envasaduras generosa e adequadamente proporcionadas, com caixilharia de qualidade de manufatura robusta, dentre a qual se destaca a da porta principal do edifício no nível do chão”

Uma nova proposta, com fachada de vidro e altura menor (74 metros) foi apresentada e aprovada sem maiores rodeios pelo Conpresp. A Nestlé associou-se ao projeto, já denominado de Masp-Vivo, entrando com 5 milhões de reais em troca do direito de operar um café-mirante no local, e as obras tiveram início este ano, com a destruição do fabuloso hall de entrada do prédio, todo revestido de mármore. Mas os participantes do projeto não contavam com a resistência de boa parte dos freqüentadores da Paulista à destruição desnecessária de um dos marcos arquitetônicos da Avenida. Afinal, o Dumont-Adams pode muito bem ser adaptado a qualquer uso preservando-se sua belíssima fachada, pois foi exatamente isso o que ocorreu com outra jóia arquitetônica da Paulista, o Savoy, que há nada menos que 30 anos foi transformado de prédio residencial para comercial sem que isso significasse sua descaracterização – pelo contrário, sua arquitetura original foi integralmente respeitada, e hoje o Savoy é considerado um dos melhores endereços não só da Paulista, mas de toda a cidade.

Este ano teve início a reforma do Dumont-Adams. A Associação Preserva São Paulo começou uma campanha pela preservação do edifício, com abaixo-assinado e duas manifestações que atraíram a atenção dos freqüentadores da Paulista, e onde conseguimos centenas de adesões em poucas horas, confirmando o amplo apoio da população à iniciativa, e seu repúdio à destruição do imóvel. Cópias abaixo-assinado foram encaminhadas às diretorias do Masp, do Vivo e da Nestlé, e também ao Ministério Público. Esperamos que o bom senso prevaleça e as três instituições envolvidas não dêem um tiro no pé com relação à sua imagem; que venha o Masp-Vivo, mas preservando e restaurando o Dumont-Adams; todos só têm a ganhar com isso – especialmente a cidade de São Paulo.

Linha do tempo:
1954-1956: o edifício Dumont-Adams é construído pelo engenheiro Plínio Adams, como prédio de apartamentos de luxo. Com dez andares e 54 metros de altura, possui acabamento esmerado (a porta de entrada foi feita no Liceu de Artes e Ofícios, por exemplo) e imediatamente se torna um marco visual da Avenida Paulista.

1968: Inauguração do prédio do Museu de Arte de São Paulo, obra-prima da arquiteta Lina Bo Bardi, ao lado do Dumont-Adams.

1973-1974: a Avenida Paulista é totalmente reurbanizada; a partir daí se consolida como centro financeiro e de negócios da cidade.

Década de 80: os inquilinos do Dumont-Adams são retirados pelos proprietários do imóvel, para que seja convertido em prédio de escritórios, a exemplo do que ocorreu com o edifício Savoy, também na Avenida Paulista. A idéia não se concretiza.

Década de 2000: o prédio é comprado pela Vivo, que o oferece ao Masp, em troca de instalar um grande anúncio no topo do Dumont-Adams.

2010: o projeto Masp-Vivo é reformulado, e passa a ter a participação da Nestlé; o projeto não contempla no entanto a preservação do Dumont-Adams. A Associação Preserva São Paulo passa a liderar uma campanha em defesa do edifício, com maciço apoio da população.

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Veja mais...

>> Abaixo-assinado On-line

>> NOTA DA ASSOCIAÇÃO PRESERVA SÃO PAULO E DA SAMORCC
SOBRE A DESCARACTERIZAÇÃO DO EDIFÍCIO DUMONT-ADAMS


>> FOTOS - 2a Manifestação em defesa ao Dumont-Adams
dia 23/05/2010 em frente ao edifício (na Avenida Paulista)

>> Arquitetos criticam projeto do Masp Vivo / Folha de S. Paulo


   
 
 


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