Nós do Preserva São Paulo estamos habituados a registrar todos os dias as piores e mais absurdas agressões contra a cidade, mas esta foi demais: a mais bela casa em estilo Tudor de São Paulo, conhecida como "Tudor House" (por causa de uma loja de móveis com esse nome que funcionava no local), foi inteiramente demolida no último dia 8 de agosto. Ficava na Rua Armando Penteado, 237, no bairro supostamente "tombado" do Pacaembu.
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A covardia foi tão grande que foi tudo derrubado às pressas, em poucas horas, num domingo, para evitar a indignação certa dos moradores do bairro, para os quais a Tudor House era uma referência. Barbárie devidamente autorizada pelo Conpresp e pelo Condephaat. Para quê? Pasmem, para fazer um ESTACIONAMENTO no local! E o pior é que o lugar já estava sendo usado como estacionamento, ou seja, o casarão foi demolido apenas para se fazer algumas vagas a mais. Não sem antes a tradicionalíssima loja de móveis ter sido expulsa do casarão que ocupava há anos - agora fica numa casa - não Tudor - da Av. dos Carinás.
Aqui vão os nomes dos conselheiros do Conpresp que votaram a favor da demolição: Toninho Paiva, Marcelo Manhães, Vasco de Mello, Dácio Ottoni, Elton Zacarias e Claudio Lembo. Somente o Presidente do Conselho, José Eduardo Lefèvre, e Walter Pires, diretor do DPH votaram contra - justamente os dois únicos especialistas em patrimônio histórico do Conselho.
O Preserva tentou proteger a Tudor House, pedindo a sua classificação como Zepec na Assembléia de revisão do Plano Diretor de 2007 da Subprefeitura Sé, através de requerimento protocolado. Requerimento completamente ignorado pelas autoridades. Mas teve uma coisa que as autoridades não ignoraram: até a década de 70, era proibido fazer estacionamentos no Pacaembu, antigo bairro-jardim da Companhia City. Porém, segundo a Associação Viva Pacaembu, os estacionamentos foram liberados pela prefeitura na década de 70. E nos últimos anos, ocorreram diversas demolições de casarões para dar lugar a estacionamentos, devidamente autorizados pelo poder público. O ex-bairro-jardim do Pacaembu, atual bairro-muro, corre o risco de se tornar bairro-estacionamento.
Uma cidade cujas jóias arquitetônicas são destruídas para se fazer meros estacionamentos não está doente e tomada pela irracionalidade e pela loucura? Ou será que somos nós, defensores do patrimônio histórico, que estamos ficando loucos?
Em anexo, fotos da Tudor House, antes e após a demolição.


