>> Escassa de seus antigos casarões a Tradicional Avenida Paulista presencia a perda de mais itens de sua arquitetura original.
A Associação PreservaSP, imbuída de princípios em defesa de nosso patrimônio e com o intuito de sensibilizar a população quanto às perdas arquitetônicas, demonstrando a ausência de atenção dos órgãos competentes para a preservação dos imóveis de valor arquitetônico ainda remanescentes na região histórica, realizou uma manifestação em frente ao número 91 na Avenida Paulista, casarão que naquele momento estava em risco de ser demolido. É importante que haja um melhor entendimento do conceito de preservação e conseqüente repúdio às políticas de demolição que beneficiam apenas as construtoras. Diante dessa situação elaboramos, antes de qualquer coisa, uma justificativa para o tombamento dos imóveis que descrevemos abaixo. No entanto, nas madrugadas de 04 a 05 de novembro, a eficácia da demolidora conseguiu fazer desaparecer o imóvel para grande pesar das pessoas interessadas em nossa história e conseqüente patrimônio. Mas a luta continua em prol da sociedade que, como no exemplo do Quarteirão da Cultura (Ver informativo Anterior), no Itaim, se mobiliza cada vez mais contra as arbitrariedades de ocupação cada vez mais insistentes e sem critérios urbanísticos de nossa prefeitura.
JUSTIFICATIVA PARA O PEDIDO DE TOMBAMENTO
R. Leôncio de Carvalho, 97 a 115 e Av. Paulista, 91
Os imóveis situados à Av. Paulista, 91 e R. Leôncio de Carvalho, 97 a 115, fazem parte de um significativo conjunto arquitetônico do início do século XX, localizados no quarteirão inicial do lado ímpar da Av. Paulista, mancha que inclui a Casa das Rosas, já preservada, e que, estendida, engloba também o prédio da Escola Estadual Rodrigues Alves, no quarteirão seguinte, e o Hospital Santa Catarina, do outro lado da avenida.
O casarão da Av. Paulista, vizinho à Casa das Rosas, está compreendido entre cerca de meia dúzia de mansões remanescentes na avenida, das dezenas que havia originalmente, e que sobreviveram milagrosamente até os dias de hoje, atravessando incólumes décadas de ondas de demolições e substituições por prédios comerciais e residenciais, fato acentuado a partir dos anos 70. O fato de constituir uma sobrevivente da devastação sofrida pelos casarões da avenida constitui cena excepcional que por si só justifica o tombamento, o qual também é merecido por suas não poucas qualidades arquitetônicas.

Embora a ocupação do lote seja anterior, a arquitetura atual do imóvel é da década de 30, com uma ornamentação sóbria e elegante influenciada pelo estilo neocolonial brasileiro e hispano-americano. Apresenta um telhado com beiral sustentado por cachorros, frisos, janelas em arco trifólio emolduradas por arabescos em estuque nas paredes laterais e grades de ferro batido ricamente trabalhadas, guarnecendo as janelas e a divisa frontal da casa. A característica principal do imóvel é um corpo circular que se projeta da fachada frontal, que contém um portão de ferro trabalhado e uma sacada com balaústres de alvenaria. O resultado final é da maior elegância e refinamento, fazendo do imóvel um digno representante das grandes mansões da avenida, praticamente todas já perdidas.
Quanto aos imóveis da Rua Leôncio de Carvalho, constituem um outrora comum, mas atualmente raríssimo conjunto de casas distintas entre si mas com partidos arquitetônicos muito semelhantes, o que lhes confere ao mesmo tempo variedade e harmonia. Uma dessas casas sedia há muito tempo a tradicional Associação Palas Athena. Diferentemente do casarão da Paulista, esses imóveis eram destinados à classe média da época. Os três sobrados apresentam um estilo eclético, mas apresentam uma mescla de influências do que era chamado de estilo toscano nas páginas da Revista Acrópole dos anos 40, e também do bungalow norte-americano, com um corpo lateral em forma de torre e telhado de duas águas, altas janelas e amplas varandas com balaústres recortados e pilares de madeira. A casa do número 97 conta ainda com uma bow window. Esse conjunto empresta à rua um ar deliciosamente pitoresco, gracioso e alegre, que se contrapõe à opressiva verticalização do entorno. Sua eventual destruição, bem como a do casarão da Paulista, é desnecessária e injustificável.
>> Casarão foi demolido em uma noite - Estadão (03/11/2011)
>> Fotos da Manifestação - 22/10/2011
>> Reportagem da TV GAZETA - Manifestação 22/10/11