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Autor Tópico: Casarão de 1911 nos Jardins pode dar lugar a mais um prédio  (Lida 11098 vezes)
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Tatiane Cornetti
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« : 05/Setembro/2008, 12:19:45 »

Imóvel do Barão de Bocaina foi vendido para incorporadora; associações defendem tombamento

Rodrigo Brancatelli
Estadão
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080904/not_imp235923,0.php

Sempre bem vestida, com seus olhos grandes e deveras atentos, dona Emília Mathias Serafim vive de sua memória. E sonha acordada, lembrando dos muitos e muitos causos que presenciou ao trabalhar no casarão da família do barão e da baronesa de Bocaina, na esquina da Alameda Santos com a Rua Padre João Manoel. Mal consegue segurar o sorriso e disfarçar as lágrimas. "Ai, meu filho, a vida lá era muito bonita, muito generosa", diz dona Emília, a vida inteira dedicada aos seus patrões. "Vivo da saudade de lá, das festas, das pessoas. Mas uma hora acaba, não tem jeito."

Emília Mathias Serafim, que começou a trabalhar para os Bocaina aos 14 anos como copeira, por 80 mil réis mensais, saiu de lá apenas há cerca de um mês, aos 86, quando foi despejada. Era a única moradora que restava no casarão do século 20, um dos últimos em pé na região da Avenida Paulista - mas que agora deverá ser demolido para dar lugar a um prédio da incorporadora Stan. Os vizinhos já se mobilizaram para tentar barrar a obra; tanto a associação Preserva São Paulo quanto a Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César (Samorc) entraram nesta semana com procedimento no Conselho do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) para tombar o imóvel.

"Precisamos preservar essa jóia de São Paulo, é um casarão de 1911, muito bem conservado", diz Jorge Eduardo Rubies, presidente do Preserva SP. A construtora já entrou com pedido de demolição e de aprovação de nova construção - por meio de sua Assessoria de Imprensa, a Stan disse que não se manifestaria sobre o assunto. "A região da Paulista não comporta mais um empreendimento, já estamos saturados", diz Célia Marcondes, diretora da Samorc. "O valor histórico do imóvel é incalculável, não podemos perdê-lo." Mas, como diz Emília Serafim, se o tombamento não for analisado rapidamente, o casarão "acaba, não tem jeito".

"Sou muito grata por ter crescido e trabalhado lá", conta, com muitas pausas e suspiros. "O melhor eram as festanças, sempre no dia 16 de dezembro, data do casamento dos patrões. Havia também os almoços, as recepções, os jantares luxuosos. Fiquei muito, mas muito triste quando soube que ia sair da casa, que iam demolir. Mas a gente não escolhe as coisas, Deus é quem escolhe. Tudo na vida tem um fim."

Deus é sempre mencionado por Emília, até como resultado da educação católica que recebeu no casarão. O barão e a baronesa de Bocaina - Francisco de Paula Vicente de Azevedo e Cecília Galvão Vicente de Azevedo - eram católicos fervorosos, estavam sempre às voltas de entidades beneficentes e reprovavam qualquer ação que não estivesse alinhada aos preceitos do Vaticano. Francisco morreu em 1976 , dois anos depois da amada. Mas a filha do casal, Maria Cecília Vicente de Azevedo, manteve o casarão e as vontades dos pais.

A mãe de dona Emília foi babá de Maria Cecília, fazendo parte de uma brigada de outros 15 empregados. Acabou que a garota de olhos grandes e atentos começou a trabalhar para a família, até virar governanta. Sua irmã, a perita aposentada Maria do Rosário Serafim, de 70 anos, também cresceu no casarão e serviu aos Bocaina de 1951 a 1964. Tanto Emília quanto Maria acordavam cedinho para manter uma tradição daquela casa cheia de histórias, o café dos pobres - sempre às 7h30, exceto aos domingos, mendigos apareciam no pé da porta para receber um copo de café com leite e um pão com margarina. "De 100 a 120 pedintes apareciam, sempre", diz Maria. "A dona Maria Cecília também fazia almoços para os pobres, jantar, pagava consulta no médico para quem pedia, mandava reconstruir barracão na favela quando pegava fogo. Ela sempre foi muito boa, com todos, sem ver cor ou posição social."

No aniversário de 50 anos de dona Emília, Maria Cecília mandou fazer uma festa de arromba e deu de presente um vestido de seda preto e um colar de pérolas para sua empregada e amiga. As duas sempre foram muito ligadas - todas as noites, elas sentavam sozinhas no escuro da cozinha para conversar, falar da vida, das fofocas, colocar o papo em dia. Em julho do ano passado, aos 93 anos, Maria Cecília morreu, solteira, sem herdeiros. E dona Emília ficou sozinha no casarão de muitos quartos, sem ter com quem conversar, sem ter com quem dividir as noites na cozinha.

Os herdeiros do barão e da baronesa resolveram então vender o imóvel; os bens foram divididos entre todos os parentes, e dona Emília teve de se mudar para a casa da irmã, na Praça 14 Bis, na Bela Vista, na região central. Passa os dias e noites lembrando das pessoas, das festas, das saudades. "Eu não sei muito sobre esse negócio de tombar a casa, não sei se é bom construir um prédio", diz, emocionada. "O que passou, passou. Graças a Deus, estava lá para viver aquilo."
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JTelles
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« Responder #1 : 04/Outubro/2009, 01:46:06 »

Em que pé anda a situação desse casarão?
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Jorge
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« Responder #2 : 04/Outubro/2009, 10:46:49 »

Prezado JTelles, felizmente o Conpresp abriu processo de tombamento do imóvel, solicitado pelo nosso diretor Gabriel. O imóvel, por ora, está a salvo, mas nada garante que o tombamento venha a se efetivar.

Abraço.
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« Responder #3 : 18/Outubro/2009, 01:08:13 »

Agradeço a informação. Tomara Deus que o Conpresp julgue o óbvio, que este imóvel extremamente bem conservado possui grande valor histórico.
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