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Autor Tópico: Após chuva, MP quer suspender ampliação da Marginal do Tietê  (Lida 468 vezes)
Tatiane Cornetti
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« : 13/Setembro/2009, 10:03:18 »

Após chuva, MP quer suspender ampliação da Marginal do Tietê
Promotora questiona 'reais impactos' que ampliação das pistas terá na impermeabilização do solo na área

Rodrigo Brancatelli e Bruno Tavares, O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Um dia depois de as chuvas travarem São Paulo e fazerem os rios que cortam a cidade transbordar, a Promotoria de Habitação e Urbanismo da capital emitiu parecer pedindo a paralisação imediata das obras de ampliação da Marginal do Tietê. Segundo a promotora Maria Amélia Nardy Pereira, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado para o licenciamento da construção das novas pistas da via não é "suficientemente satisfatório para definir os reais impactos" que a ampliação terá na impermeabilização do solo no entorno da Marginal.


Obras da Marginal do Tietê ficaram alagadas por causa do temporal de terça. Foto: Keiny Andrade/AE

Além disso, a promotora chama a atenção para a rapidez com que a obra foi aprovada pela Prefeitura e avalia que a "análise do cumprimento das exigências do órgão municipal recomenda maior cautela, que demandará muito mais do que os meros seis meses para a conclusão da obra, até no que diz respeito à propalada compensação ambiental". O texto diz que "a fumaça do bom direito" justifica a concessão de liminar, principalmente pela proximidade do verão, "período típico de chuvas torrenciais".

Na manhã da quarta-feira, 9, o governador José Serra culpou a natureza pelos problemas causados pelos temporais na terça-feira e disse que seria "inevitável" ter estragos. "É um problema que, em grande medida, está na natureza. Uma calamidade como a de ontem (anteontem) nós temos de rezar para que não se repita", disse. Na terça-feira, foram registrados 62,6 mm de precipitação até as 15h (o recorde é de 140,4 mm, em 2005).

Serra negou que as obras realizadas na Marginal tenham contribuído para o rio transbordar. Ele afirmou que a ampliação das pistas "não tira um metro quadrado de permeabilidade (do solo)" por causa da compensação ambiental, com o plantio de árvores. Sobre a alegação de ambientalistas de que as Marginais são um erro em São Paulo, o governador respondeu com ironia. "E qual é a solução? "Destruir a Marginal? O pessoal vai andar de burrinho?" Ele disse que, se pudesse voltar no tempo 50 anos, construiria pistas mais largas e preservaria mais o verde. A primeira parte da obra deveria ser inaugurada em outubro.

Reportagem publicada na quarta pelo Estado mostrou o impacto da impermeabilização do solo nas margens do Tietê. O alargamento das pistas da Marginal implicará "perda líquida" de 18,9 hectares de área permeável, o equivalente a 19 campos de futebol iguais ao do Estádio do Morumbi. "A dúvida no que tange à impermeabilização do solo da região se revela faticamente plausível, dada a chuva que assolou a cidade no dia de ontem (anteontem), provocando inundação na Marginal do Tietê e consequente paralisação de São Paulo e das cidades vizinhas", escreveu a Maria Amélia em seu parecer.

Licenciamento
A promotora também questiona a forma como o pedido de licenciamento ambiental da obra tramitou. Como o projeto terá influência sobre cidades da Região Metropolitana de São Paulo, diz Maria Amélia, caberia ao Conselho Estadual do Meio Ambiente, e não à Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, analisar o caso. A primeira aprovação da obra, que deu direito ao Alvará de Licença Ambiental Prévia, foi emitida em 19 de março, com a anuência de 19 conselheiros da Câmara Técnica II do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades). Após cumprir exigências do Cades, como mapeamento dos pontos de alagamento e projetos de drenagem da água pluvial, a Dersa obteve o Alvará de Licença Ambiental de Instalação, o que, na prática, dá direito ao início da obra.

O parecer do MP se soma ao pedido de liminar em ação civil pública proposta em julho pelo Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo e de mais quatro ONGs que pedem que a obra seja interrompida. As entidades argumentam que o investimento em transportes coletivos e alternativos, melhoria dos passeios públicos e a reestruturação do viário atual trariam resultados mais expressivos que o da obra. Afirmam ainda que a ampliação da Marginal contraria o Plano Municipal de Mudanças Climáticas e contribui para o aumento de enchentes. Após analisar a ação, a juíza Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, da 12ª Vara da Fazenda Pública, encaminhou os autos para manifestação dos promotores.

A ampliação da Marginal foi anunciada em 4 de junho, pelo governador e pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Orçado em R$ 1,3 bilhão, o projeto prevê a ampliação de 23 km de pistas de cada lado, abrindo mais três faixas para carros, com objetivo de reduzir engarrafamentos.

Ontem à noite, a assessoria do Palácio dos Bandeirantes afirmou não ter conhecimento da manifestação do Ministério Público. "Entretanto, vale ressaltar que não vê motivos para a paralisação das obras, uma vez que, além de extremamente necessárias, elas estão devidamente licenciadas e vêm sendo executadas dentro dos parâmetros legais, obedecendo a todas as compensações ambientais exigidas", diz a nota.

Introdução do parecer
"A cidade de São Paulo é um palimpsesto - um imenso pergaminho cuja escrita é raspada de tempos em tempos, para receber outra nova, de qualidade literária inferior, no geral. Uma cidade reconstruída duas vezes sobre si mesma, no século 19. Uma cidade capaz de gerar uma parque como o Anhangabaú, um dos mais belos centros de cidades das Américas, para destruí-lo em poucas décadas, e sem necessidade, apenas por imediatismo e imprevidência. Capaz de criar uma Avenida Paulista, única por sua posição na cidade e insubstituível em sua elegância , para aos poucos destruí-la minuciosa e repassadamente. E, sem remorso (In São Paulo Três Cidades em Um Século, de Benedito Lima de Toledo, Livraria Duas Cidades)."



Publicado no Estadão (10/09/2009)
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,apos-chuva-mp-quer-sustar-obra-na-marginal-do-tiete,432458,0.htm
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Tatiane Cornetti
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« Responder #1 : 13/Setembro/2009, 10:04:43 »

Justiça de SP nega pedido de suspensão das obras da marginal Tietê
MARINA NOVAES, da Folha Online

A juíza Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, da 12ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo, indeferiu nesta sexta-feira o pedido de liminar (decisão provisória) que pedia a suspensão das obras de ampliação da marginal Tietê, na capital.
Promotoria recomenda suspensão de ampliação da marginal Tietê
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Impermeabilização provoca alagamento, diz especialista
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Nesta semana, o Ministério Público do Estado de São Paulo emitiu parecer favorável à paralisação temporária das obras de ampliação da marginal Tietê. Em seu parecer, a promotora Maria Amelia Nardy Pereira defende que a "inundação da marginal Tietê na última terça-feira é sintoma de que a impermeabilização não pode continuar". Na última terça,  a chuva que atingiu São Paulo causou o transbordamento dos rios Tietê e Pinheiros, provocando caos no trânsito da cidade.
O pedido da interrupção das obras partiu da do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo e outras quatro ONGs (organizações não governamentais), sob o argumento de que as obras trariam muitos impactos ambientais.
"Dizem as autoras [da ação] que a obra tem impacto ambiental que supera o interesse do município. No entanto, o Estado, chamado a se manifestar, nega que assim seja. A bem da verdade, houve, sim, estudo de impacto ambiental. O que ocorre é que as autoras pretendem que se declare que esse estudo é insuficiente", afirma a juíza.
Segundo ela, no entanto, "dentro do interesse público do Município, foram atendidos a todos os requisitos legais para que as obras fossem iniciadas".
Apesar de concordar que a impermeabilização do solo é um "efeito inegável" da obra, a Justiça afirma que este ponto é "passível de correção". "Isso não quer dizer que os argumentos dos réus se sobrepõem aos das autoras", diz a juíza.
"A análise só conduz à conclusão de que os argumentos das autoras não são o bastante para, nesta primeira análise, formar a convicção de irregularidade no procedimento", afirmou à juíza, em sua decisão.
 Moacyr Lopes Junior-08.set.2009/Folha Imagem 
 


Publicado na Folha de S.Paulo (11/09/2009)


« Última modificação: 13/Setembro/2009, 10:12:42 por Tatiane Cornetti » Registrado
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« Responder #2 : 13/Setembro/2009, 10:10:14 »

SÃO PAULO - A Dersa informa que não vê motivos para suspensão das obras de ampliação da Marginal Tietê, como defende o Ministério Público. De acordo com nota divulgada pela empresa, além de extremamente necessárias, as obras estão licenciadas e vêm sendo executadas dentro dos parâmetros legais, obedecendo ainda todas as compensações ambientais exigidas.

A Procuradoria do Estado está acompanhando o processo e já fez uma defesa prévia ao pedido de suspensão da obra. A Dersa encaminhou as informações complementares solicitadas e diz que os impactos são exclusivamente locais, na cidade de São Paulo, motivo pelo qual foi dada a licença pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.

De acordo com a Dersa, a Prefeitura de São Paulo, antes de conceder a licença ambiental, fez uma série de exigências para compensação ambiental e todas estão sendo atendidas. Entre elas está o remanejamento de 38 mil mudas da marginal para o Projeto Várzea do Tietê; remanejamento de 935 árvores na própria marginal; plantio de 83 mil novas árvores nas calçadas próximas a marginal, no entorno e nos bairros vizinhos à obra; construção de passeios arborizados ao lado da marginal; e plantio de 88 mil novas mudas de árvores no Projeto Várzea do Tietê.

De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental, as novas pistas causarão pouco impacto na impermeabilização, tendo em vista que se refere a apenas 0,006% da área da bacia do Tietê - um incremento de apenas 0,0001% sobre o volume total. O projeto contempla, ainda, a criação de novas áreas permeáveis nas calçadas da pista local de ambas as marginais, que receberão tratamento paisagístico. A empresa diz que com a maior fluidez do tráfego, o tempo das viagens irá reduzir em 35%, provocando um ganho importante na redução da poluição atmosférica.

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Publicado no site O GLOBO (10/09/2009)
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/09/10/sp-dersa-nao-ve-motivo-para-suspensao-de-obras-na-marginal-tiete-767559248.asp
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