151 árvores correm risco de cair em 7 bairros32% das espécies analisadas pelo IPT estão em fase de deterioração
Fernanda Aranda
Nova análise do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) revela que 151 árvores de sete bairros nobres da capital estão em "alerta máximo" para o risco de queda. O estudo foi feito com 1.009 tipuanas - espécie mais comum nas áreas de Alto da Boa Vista, Alto da Lapa, Alto de Pinheiros, Cerqueira César, Paraíso, Pacaembu e Vila Nova Conceição. O estado crítico de deterioração atinge 15%, o que indica que 453 toneladas de troncos e copas têm probabilidade de desabar e provocar acidentes.
O diagnóstico da saúde das árvores paulistanas, mapeadas pelo pesquisador do IPT Sérgio Brazolin, mostra não só o perigo diante da ameaça de chuvas ou ventos (a exemplo da tempestade que castigou São Paulo na semana passada), como também a contribuição do homem para a situação: 32% das árvores já estão em fase de deterioração, por causa de vandalismo, poda irregular, cimento nas raízes e batidas de carros. "Na maioria dos casos, a intervenção humana inadequada é o que facilita o ataque dos cupins e o fungos, o primeiro passo para as árvores ficarem podres", explica o autor Brazolin. Ele diz que, com a análise das tipuanas foi possível criar uma ferramenta que atesta o risco de queda de outras espécies e define quais devem receber ações prioritárias.
Os números da Secretaria Municipal da Coordenação de Subprefeituras sugerem mesmo que o problema não é restrito à tipuana. De janeiro a maio deste ano, 433 árvores de todos os tipos despencaram na cidade - em todo ano passado, foram 173, um aumento de 150%.
As tipuanas comprovadamente doentes hoje estão com 70 anos e, durante todas as décadas de desenvolvimento, faltaram intervenções públicas para adequar o verde ao concreto que "nasceu" no entorno. O estudo do IPT atestou que oito em cada dez (79%) estão plantadas em canteiros inadequados, o que prejudica a estrutura. Como 57% delas estão em vias de tráfego intenso, Brazolin alerta "que caso uma delas caia, o prejuízo pode ser muito mas do que material". "Vidas podem ser perdidas."
A avaliação do presidente do Centro de Estudos e Pesquisas da Administração Municipal (Cepam), Felipe Soutello, é de que a "situação atual é reflexo da falta de planejamento anterior". "Por isso, o déficit de áreas verdes deve ser sanado, mas não com um plantio desencadeado. Caso contrário, a muda de hoje pode ser problema no futuro."
Além da urbanização inadequada, o ciclo atual de problemas inclui uma estrutura da Prefeitura insuficiente para cuidar das árvores. Os 64 engenheiros agrônomos necessários para formar a equipe ideal, prometidos desde o ano passado, só devem assumir no próximo mês. As podas solicitadas chegam a demorar três meses. O resultado, revelam os dados do Corpo de Bombeiros, é que só no ano passado as árvores foram "culpadas" por interditar 154 ruas, destruir 101 carros e quebrar 276 casas.
Publicado no Estadão (16/09/2009)
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090916/not_imp435595,0.php