História resgatada nos azulejosDepois do projeto piloto de recuperação de um dos painéis em azulejos portugueses do claustro do Convento de Santo Antônio do Recife, teve início a restauração de todo o material, um acervo da segunda metade do século 18. Orçado em R$ 5 milhões, o projeto é financiado pelo BNDES. A restauradora Pérside Omena comanda uma equipe que reúne 22 pessoas. O trabalho é minucioso e deverá demorar até quatro anos para ser concluído. A recomposição de cada uma das 29.390 peças exige mão-de-obra especializada. Para isso, um verdadeiro laboratório foi montado dentro do convento.
O trabalho inicial será para concluir a área do claustro onde há 25 painéis. As peças contam a história da criação do mundo com desenho em azul sobre um fundo branco. São atribuídas à escola Bartolomeu Antunes, ceramista português, do século 18. Após o claustro, serão recuperados os 10 painéis da Capela Dourada com um total de 1.190 peças. O processo de restauração começa com a remoção cuidadosa das peças da parede. Depois, são imersas em um banho com água deionizada para a retirada dos sais.
Segundo Pérside Omena, os sais infiltrados nas paredes são os principais responsáveis pela “doença” dos azulejos. “Causam danos à parede do azulejo e atingem a parte vitrificada da peça que se destaca e danifica a pintura”, explicou. O banho de imersão dura de 10 a 20 dias com a troca diária da água. A engenheira química Maria Auxiliadora acompanha os níveis de sais.
Reconstituição – “No caso dos azulejos encontrados com fungos nós colocamos em um freezer a 18 graus negativos durante 10 dias”, explicou Maria Auxiliadora. Depois da limpeza tem início o trabalho de reconstituição das áreas perdidas, feito com microesferas de vidro misturadas com resina que ajudam a preencher as lacunas. A etapa seguinte é a restauração da parte vitrificada com o uso de resina e carbonato de cálcio. “Com a reintegração estética devolvemos os desenhos com base em arquivos e fotos de 1945, quando eles ainda se encontravam em bomestado de conservação”, revelou Pérside Omena. Para fixação dos azulejos será colocada uma placa protetora entre a parede e a peça para evitar novas infiltrações.
Sétimo convento franciscano construído no Brasil e o quarto sob a invocação de Santo Antônio de Lisboa, o Convento Franciscano de Santo Antônio é uma das obras mais antigas do Recife. No dia 28 de outubro de 1606, os frades franciscanos de Olinda decidiram construir um convento para atender à população presente no Arrecife (antiga denominação do Recife) e que transitava em volta do seu porto. “É o maior acervo azulejar português do Recife porque cobre todo o convento”, afirmou Pérside Omena.
Publicado no site Defender (17/01/2010)http://www.defender.org.br/historia-resgatada-nos-azulejos/