Associação de moradores da Nova Luz reivindica explicações sobre o projeto de revitalização da regiãoEntidade pede esclarecimentos sobre os impactos das mudanças à população local de baixa renda
Maurício Lima
Estava prevista para acontecer, na última sexta-feira (14), audiência pública sobre o projeto preliminar do Projeto Nova Luz, da Prefeitura de São Paulo. Mas, devido a problemas de segurança, a audiência foi cancelada. Segundo a prefeitura, havia mais pessoas no auditório da Faculdade de Tecnologia (Fatec) do bairro do Bom Retiro, onde seria realizada a audiência, do que o local suportava. Por isso, o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, cancelou a audiência após recomendação da Polícia Militar.
Mesmo com o cancelamento e o tumulto do local, a Associação de Moradores e Trabalhadores da Nova Luz entregou uma carta ao secretário e à equipe técnica do consórcio Nova Luz, responsável pelo projeto, reivindicando esclarecimentos sobre os possíveis impactos do projeto de revitalização nas moradias da população de baixa renda da região e na atividade econômica de seus ocupantes, além do estabelecimento de ações que garantam os direitos e inserção social da população.
Segundo a carta, escrita pela jornalista e moradora da Nova Luz, Paula Ribas, e pela arquiteta e urbanista Simone Gatti, há "a necessidade de coibir o processo de especulação e valorização imobiliária já iniciado, o qual tem provocado o assédio a imóveis por investidores e a expulsão da população local, sobretudo a população de baixa renda que se torna vulnerável às ações do mercado imobiliário e do poder público." Além disso, o documento relata que o edital do projeto cita a inclusão da população e dos comerciantes, mas que o projeto apresentado pelo consórcio não diz como essa inclusão deverá acontecer.
Entre as reivindicações, estão o cadastramento dos moradores da região para que eles tenham preferência na ocupação das ZEIS do local (Zonas Especiais de Interesse Social), revisão do Programa de Cortiços da Secretaria Municipal de Habitação na área da Nova Luz, participação pública no projeto, não alteração do uso das edificações tombadas que hoje são destinadas à habitação, desenvolvimento de programas de inclusão social e de coleta seletiva de lixo na região.
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano informou que procurou a Associação de Moradores para discutir as reivindicações. Já uma nova audiência pública ainda está sem data definida para ser realizada.
ProjetoO projeto de revitalização que vem sendo desenvolvido pela prefeitura em parceria com o consórcio formado pelas empresas Concremat Engenharia, Cia City, Aecom e Fundação Getúlio Vargas (FGV) é ancorado em três pontos principais, segundo seus desenvolvedores: aproveitamento da vitalidade do comércio e das atividades culturais existentes para atrair novos moradores, trabalhadores, estudantes e visitantes, potencialização do investimento público realizado em infraestrutura de transporte e cultura; e indução ao desenvolvimento e investimentos na área por meio de concessão urbanística.
A visão do projeto é de que a região da Nova Luz seja "um bairro sustentável, dinâmico e diversificado, para morar, trabalhar e se divertir. Um local onde as pessoas estarão cercadas por elementos históricos e culturais, entretenimento, espaços abertos convidativos, passeios e parques. Um bairro que oferece oportunidades de estudo e trabalho, facilmente acessível de toda a cidade e com mobilidade privilegiada para o pedestre e o ciclista."
Publicado no site PiniWeb (18/01/2011)
http://www.piniweb.com.br/construcao/urbanismo/associacao-de-moradores-da-nova-luz-reivindica-explicacoes-sobre-o-207215-1.asp