PreservaSP

PreservaSP => Clipping - PreservaSP => : Tatiane Cornetti 03/July/2011, 11:47:49 AM



: SP 454 anos - A arquitetura que marcou São Paulo
: Tatiane Cornetti 03/July/2011, 11:47:49 AM
Publicado no Site - Casa.com
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/cultura/conteudo_267637.shtml?func=1&pag=1&fnt=9pt



SP 454 anos - A arquitetura que marcou São Paulo

(http://i247.photobucket.com/albums/gg124/tatianecornetti/Noticias/arquitetura_sao_paulo_abre325X167.jpg)

Um passeio pela cidade revela uma arquitetura eclética e multifacetada. Dos tempos da colônia aos dias de hoje, os estilos se fundem num belo mosaico de estruturas, arabescos, linhas, curvas e materiais, marcado pelo ecletismo.

Por Silvana Maria Rosso

Há pouco mais de um século a capital paulista era povoada de casas e ruas de barro que serviam de pouso aos tropeiros. Em pouco tempo, as feições da cidade foram ganhando requintes, ora para se equiparar ao Velho Continente, ora para buscar a própria identidade. Constate, aqui, essa arquitetura eclética e multifacetada.

(http://i247.photobucket.com/albums/gg124/tatianecornetti/Noticias/arquitetura_sao_paulo_meio1.jpg)

A VILA DE BARRO
Por 300 anos, São Paulo de Piratininga foi uma cidade pobre e aquém dos estilismos dominantes da época, prevalecendo a arquitetura colonial. No início, as casas eram térreas, de paredes grossas, poucas janelas e telhado em duas ou quatro águas (de sapé e depois de telhas côncavas de barro). "O primeiro 'arquiteto' paulista foi o padre Afonso Brás, que, em meados do século 16, ampliou o Colégio Jesuíta e ergueu habitações na vila", lembra o arquiteto Benedito Lima de Toledo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Devido à falta de materiais, a taipa de pilão (barro socado entre duas pranchas de madeira) e o pau-a-pique (trama de paus preenchida com argila) foram os principais métodos construtivos. O revestimento era a tabatinga, uma areia branca encontrada no rio Tamanduateí, e o chão, de terra batida. O beiral (prolongamento da cobertura) protegia as fachadas contra a umidade da chuva.

As aberturas, retas ou arredondadas, eram de madeira ou de canga (fragmentos de minério), e as janelas fechadas por rótulas (grade de ripas) ou muxarabiês (anteparo de treliça de influência árabe). "O modo de viver mameluco determinava o programa das casas", conta Jorge Eduardo Rubies, presidente do movimento Preserva São Paulo. A área para cocção, por exemplo, era rotativa, pois o fogo mudava de lugar ao jeito indígena. Entre os séculos 17 e 19, o estilo barroco, que associa elementos curvos e retos, marcou a arquitetura religiosa, como a Igreja de Santo Antônio e o Mosteiro da Luz. "Os interiores eram rebuscados, com trabalhos em talhas e dourações, e os exteriores, mais simples que o barroco mineiro, por causa da técnica em taipa", explica a arquiteta Eunice Helena Abascal, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

(http://i247.photobucket.com/albums/gg124/tatianecornetti/Noticias/arquitetura_sao_paulo_meio2.jpg)

A CIDADE PRÉ-FABRICADA
No século 18, São Paulo é elevada à categoria de cidade, e as casas ganham outro andar e balcões. O geometrismo costumeiro do movimento neoclássico aparece em São Paulo no fim desse século em obras públicas, projetadas pelo engenheiro militar português João da Costa Ferreira, disseminando a arquitetura simétrica e tripartite. "São construções com volume central e duas laterais; base, corpo e coroamento", ensina o arquiteto Rafael Manzo, professor da FAU-Mackenzie. Só em meados do século 19, o estilo, considerado uma das primeira manifestações ecléticas, virou moda entre os paulistanos, chegando com ele o vidro, o tijolo, a telha plana, a platibanda vertical (escondendo o telhado), o frontão, as colunas e os balaústres.

Com o advento da ferrovia, uma nova cidade é erguida sobre o antigo pouso de tropeiros. O mesmo trem que transportava o café ao porto de Santos t razia à capital gradis, janelas, tesouras, assoalhos, mármores, vitrais... materiais novos e prontos para serem usados. "É o início da construção industrializada", diz a arquiteta Ruth Verde Zein, professora da FAU-Mackenzie.

Em 1886, a convite do Barão de Parnaíba, o engenheiro e arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo transfere-se de Campinas para a capital para planejar os edifícios das Secretarias do Estado, marcando assim a história da cidade com a introdução do ecletismo. Formado na Bélgica, "Ramos rompeu com o barroco, propondo novos estilos, condicionados ao modo de viver à francesa, a materiais importados e a uma nova mão-de-obra", ressalta o arquiteto Carlos Lemos, professor da FAU-USP. "O ecletismo é um pot-pourri que copia padrões de estilos históricos e obedece a regras formais de construção", explica Jorge Rubies. Aqui, o estilo foi predominantemente neo-renascentista por infl uência dos arquitetos e mestres-de-obras italianos que imigraram para São Paulo.

(http://i247.photobucket.com/albums/gg124/tatianecornetti/Noticias/arquitetura_sao_paulo_meio3.jpg)

O RETORNO ÀS ORIGENS
O mesmo escritório que disseminou o internacional ecletismo historicista, o F. P. Ramos de Azevedo, também popularizou o estilo nacionalista neocolonial no início do século 20. Em 1914, durante conferência na Sociedade Cultura Artística, o engenheiro português Ricardo Severo, cunhado e sócio de Ramos, inaugura o novo movimento, em reação ao estilo praticado pelos imigrantes italianos e pelo sócio, e ao uso de materiais importados, que, com a Primeira Guerra, estavam rareando. Segundo Carlos Lemos, o engenheiro buscava uma identidade nacional nas tradições lusas, "ignorando que a matriz portuguesa havia se diluído a elementos indígenas e africanos". Para compreender como a arquitetura barroca de seus antepassados comportou-se por aqui, ele enviou copistas a Minas, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, que documentaram
desde detalhes arquitetônicos a pinturas decorativas.

Foram Felisberto Ranzini e Alfredo Borioni os desenhistas que melhor souberam interpretar a vontade de Severo, uma vez que ele não sabia desenhar. Paralelamente, em 1915, Victor Dubugras acompanhou o prefeito Washington Luiz a uma excursão pelos arredores da cidade à procura de exemplares da casa bandeirista - não se sabe se por influência ou não de Severo -, registrando pormenores e acabamentos da produção cultural da era do pilão.

Após a guerra, o arquiteto franco-argentino começa a sua arquitetura tradicionalista, depois chamada de neocolonial. Com o fim da guerra, quando se recomeçou a construir na cidade, o estilo era "o grito de modernidade", como registra Carlos Lemos. Tanto que, na Semana de Arte Moderna de 1922, a arquitetura dita moderna era a neocolonial. Constituía-se de casas alegres, entre jardins, com alvenaria de pedra, barrados de azulejos e arcadas. Depois de sua simplificação, tornou-se um estilo paulistano por excelência.

(http://i247.photobucket.com/albums/gg124/tatianecornetti/Noticias/arquitetura_sao_paulo_meio4.jpg)

A ERA MODERNA
No início do século 20, a beleza está nos detalhes, em oposição à monumentalidade da obra, valorizada pelo historicismo acadêmico. Surge o art nouveau, corrente de origem francesa e precursora do modernismo. A arte nova recorre ao ferro, vidro, tijolo e cimento, prega a assimetria e explora os ornamentos, as curvas e as formas orgânicas. "É a busca pela liberdade estética", diz Jorge Rubies. A Vila Penteado (1902) e a Escola de Comércio Álvares Penteado (1905), do sueco Carlos Ekman, são algumas das obras que resistiram ao tempo.

O viaduto Santa Efigênia (1911), no centro, desenhado pelos italianos Giulio Michetti e Giuseppe Chiappori, é outro testemunho. Aqui, o ecletismo apropria-se de aspectos do estilo, e o Liceu de Artes Ofícios, dirigido por Ramos de Azevedo, também se destaca pela produção de elementos art nouveau. O Castelinho na Bela Vista (1907), do italiano Giuseppe Sacchetti, ilustra a mistura.

A partir dos anos 20, as formas geométricas e o design abstrato predominam. O art déco, um estilo de transição com matriz clássica também proveniente da França, atinge a capital. A estrutura já é de concreto armado, permitindo grandes vãos, e os revestimentos de materiais nobres. "O déco mescla técnicas construtivas industriais e decorativas artesanais", destaca Jorge. Seu maior representante é Elisiário da Cunha Bahiana, autor de várias obras, como o Edifício Mappin Stores, o viaduto do Chá e o Jocquey Club (todos de 1935), entre muitos outros.

O refinamento de acabamentos e detalhes construtivos da escola podem ser conferidos no Banco de São Paulo (1935), planejado pelo argentino Álvaro Botelho sob encomenda da família Almeida Prado. Nos anos 30, com o getulismo, espalham-se pela cidade edifícios de organização clássica despidos dos elementos decorativos, chamada de tardo-fascista, a exemplo do prédio da prefeitura (1939), projetado pelo italiano Marcello Piacentini.

(http://i247.photobucket.com/albums/gg124/tatianecornetti/Noticias/arquitetura_sao_paulo_meio5.jpg)

MODO DE VIDA CONTEMPORÂNEO
A década de 20 constituiu-se de anos indefinidos. Com a industrialização, a casa virou a máquina de morar. "Foi um momento de refl exão sobre como deveria ser o habitar contemporâneo", afirma Ruth Verde Zein. Enquanto o neocolonial tornava-se o estilo do povo, o ecletismo renovava-se eliminando o ranço historicista e se adequando ao concreto armado, e as casas de estilo normando, de alvenaria de tijolo e telhadinho, começavam a salpicar o Jardim América, o déco de inspiração cubista anunciava os novos tempos.

Influenciados pelas idéias da escola alemã Bauhaus e do arquiteto francosuíço Le Corbusier, que propugnavam uma arquitetura funcional e despojada, alguns profi ssionais ensaiam em suas pranchetas os primeiros traços em linhas puras. Caso do ucraniano Gregori Warchavchik, que nos lega a primeira casa modernista (1926). Flávio de Carvalho entra na história com a sua vila para aluguel (1928) na alameda Lorena, com casas que vinham até com modo de usar.

Os anos 30 foram definitivos para o amadurecimento da arquitetura moderna brasileira. Le Corbusier veio ao Rio de Janeiro para comandar a equipe que iria projetar o Ministério da Educação e Saúde, de onde saíram expoentes do modernismo como Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy, que deixaram obras em São Paulo. Nos anos 40, planta e fachada livres, pilotis, terraço-jardim e janelas horizontais tornaram-se os mandamentos de nossos arquitetos modernistas. "Nas décadas seguintes, a arquitetura paulista mostrou forte presença dos princípios modernos com derivações de autor", avalia Eunice Helena Abascal. Para Ruth, o século 20 foi marcado por tendências: "Pequenas ondas que vão e vêm". E, entre os anos 70 e 80, foi a hora de rever as falhas da arquitetura moderna, até então experimentalista. "A industrialização dos componentes, antes artesanais, possibilitou-nos fazer a boa arquitetura", conclui.


Sorry, the copyright must be in the template.
Please notify this forum's administrator that this site is missing the copyright message for SMF so they can rectify the situation. Display of copyright is a legal requirement. For more information on this please visit the Simple Machines website.