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: Casarão foi demolido em uma noite
: Tatiane Cornetti 13/November/2011, 07:03:20 PM
Casarão foi demolido em uma noite
Por Rodrigo Brancatelli

Do ponto de vista estritamente técnico, a operação foi exemplar. Em apenas uma madrugada, na virada de segunda para terça-feira, um casarão branco de dois andares no número 91 da Avenida Paulista foi totalmente demolido, colocado no chão em poucas horas, sem chamar a atenção. A rapidez da demolição foi consequência da pressão de moradores e entidades de preservação do patrimônio, que tentavam evitar a destruição. Não deu tempo de impedir. Agora há apenas cinco mansões históricas em pé na Paulista.

No último sábado, houve até um protesto contra a especulação imobiliária na frente do endereço, uma tentativa de forçar uma resposta imediata da Prefeitura. As picaretas, no entanto, foram bem mais rápidas, como mostram os destroços no terreno. O local deverá agora servir de entrada para mais uma torre comercial – de 10 andares e 40 salas comerciais. “Sua empresa no principal centro financeiro do Brasil”, diz o anúncio da empresa, que já tem estande de vendas na região.

“Fizeram tudo isso na calada da noite para ninguém ver, é um absurdo que nos deixa estarrecidos”, diz Jorge Eduardo Rubies, presidente da ONG Preserva São Paulo. Em agosto, a entidade entrou com pedido de abertura de processo de tombamento do casarão, conhecido como residência Dina Brandi Bianchi, no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Conpresp). Até agora, o pedido não havia sido votado – ou seja, não havia restrições para a construtora demolir o imóvel. Caso o Conpresp tivesse aberto o processo, o local ficaria “congelado” até uma decisão em relação à importância do casarão.

“Isso mostra a inércia do Conpresp”, diz Rubies. Nas últimas três décadas, a Paulista perdeu pelo menos 30 casarões, símbolos da alta burguesia cafeeira, quando a via ainda era bucólica, cruzada por bondes camarões da Light. “As construtoras não se importam com o patrimônio. Por exemplo, tem uma área livre na esquina com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima: demoliram um casarão há 30 anos e até hoje não tem nada, tem um estacionamento. Por que não fazem um prédio lá, em vez de destruir mais um imóvel?”


O Conpresp afirmou que foi procurado pela construtora, mas que não há impedimento para qualquer obra pois o local “não é tombado nem está em área envoltória de bem tombado”. Por meio de nota, a Even, responsável pela construção, afirmou que “tinha todas as autorizações necessárias”.


Publicado no Estadão (03/11/11)
http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/casarao-foi-demolido-em-uma-noite/


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