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Abaixo-assinado pela criação do Parque de Pinheiros, o 1o. do bairro! Assine e divulgue!


 
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1  PreservaSP / Clipping - PreservaSP / Assombrado pelo descaso - Revista da Folha : 13/Agosto/2012, 08:34:38
Assombrado pelo descaso
Castelinho da rua Apa sucumbe em Santa Cecília enquanto aguarda decisão judicial sobre restauro e interessados em patrocínio

PATRÍCIA BRITTO

Apesar da lenda que ronda o castelinho da rua Apa, nº 236, até hoje não ficou provado que ele é assombrado pelos espíritos da família Reis, que morreu ali em 1937. Bons agouros, por outro lado, o palacete não tem.

De estilo eclético e com elementos arquitetônicos medievais, o casarão tombado é um dos poucos exemplares das construções do início do século passado no bairro de Santa Cecília, região central. Hoje, sem cobertura nem assoalho, com reboco incompleto e janelas quebradas, o prédio está entregue à degradação.

Desde 2008, o imóvel depende da decisão de uma ação judicial que poderá viabilizar sua restauração com verba pública após 30 anos de abandono. Outra solução é a utilização de recursos privados.

A Associação Preserva São Paulo, autora do processo na Justiça, quer que o governo federal pague a reforma, já que é o proprietário do prédio desde 1943. "Não queremos que um patrimônio importante para a cidade se perca de vez", diz Jorge Eduardo Rubies, presidente da entidade.

Em audiência de conciliação no início deste mês, a Secretaria de Patrimônio da União se comprometeu a, no prazo de dois meses, dar uma resposta sobre a viabilidade ou não de custear o restauro. Após esse prazo, pode contratar de vez as obras ou alegar falta de recursos. Ela pode até ser obrigada pela Justiça a fazer o restauro, mas ainda caberia recurso -segundo especialistas consultados pela sãopaulo, a ação poderia tramitar por mais dez anos.

Assim, conseguir patrocínio por meio de leis de incentivo à cultura é o foco do Clube de Mães do Brasil, ONG que em 1997 recebeu da União o direito de usar o terreno e ocupar um prédio anexo para profissionalizar ex-moradores de rua. Hoje, o castelo serve como oficina para 70 artesãos que trabalham com material reciclado.

Segundo a presidente da entidade, Maria Eulina Hilsenbeck, o projeto de captação será inscrito na Lei Mendonça (municipal) neste mês. O valor deve se aproximar de R$ 1 milhão.

"Todo mundo quer o castelinho reformado, mas, na hora de pôr a mão no bolso, ninguém quer", diz a advogada da ONG, Nanci Rowlands. Para a procuradora da República Adriana da Silva Fernandes, o fato de a ONG buscar ajuda para as obras não isenta a União da responsabilidade. Caso o patrocínio seja alcançado, é possível rever o valor a ser custeado pelo governo federal.

Desde 2011, o castelinho tem um projeto preliminar de restauração aprovado pelo Conpresp (órgão municipal do patrimônio). Para que ele seja realizado, no entanto, ainda é necessário o projeto executivo, estimado em R$ 400 mil. Já para as obras, o escritório Paulo Bastos estima os gastos em torno de R$ 1,5 milhão.

cronologia

A trajetória do castelinho

1912 Começa a construção a pedido do médico Vicente César dos Reis. O prédio foi um presente dele à sua mulher, Maria Cândida. A obra ficaria pronta em 1917

1937 Em março, o médico morre, deixando a viúva e dois filhos, Álvaro e Armando. Dois meses depois, os três são encontrados mortos no castelinho. Suspeita-se de que, durante discussão sobre os negócios da família, Álvaro tenha atirado no irmão e na mãe, suicidando-se em seguida 1943 O imóvel vira propriedade da União por falta de descendentes diretos dos antigos donos

1982 A União, que alugava o imóvel para fins residenciais, suspende a locação. Começa a fase de abandono

1997 A ONG Clube de Mães do Brasil ganha o direito de usar o terreno do castelinho, incluindo o prédio anexo

2004 O castelinho é tombado pelo Conpresp

2008 A Associação Preserva São Paulo entra com ação civil pública para obrigar a União a restaurar o prédio

2011 Projeto para restauração, do escritório do arquiteto Paulo Bastos, é aprovado no Conpresp

2012 Aguarda decisão judicial sobre restauro bancado pela União; ONG tenta verba privada



Publicado Revista da Folha 12/08/2012
http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp1208201210.htm
2  PreservaSP / Acontece no Preserva SP / Vídeo - O Jardim dos Narcisos : 30/Junho/2012, 04:15:26
O Jardim dos Narcisos
José Eduardo Contreiras

www.youtube.com/watch?v=5AUH5LhiVkw



"Olho a paisagem do Bairro onde nasci, que não mais reconheço".
José Eduardo Contreiras
3  PreservaSP / Acontece no Preserva SP / Re: FOTOS - Palestra: Conhecendo a arquitetura de São Paulo : 30/Junho/2012, 04:05:51
FOTOS: Walmir Inácio

Palestra: Conhecendo a arquitetura de São Paulo
26/06/2012 - Auditório do Senac Sta. Cecília

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4  PreservaSP / Acontece no Preserva SP / FOTOS - Palestra: Conhecendo a arquitetura de São Paulo : 30/Junho/2012, 04:04:30
FOTOS: Walmir Inácio

Palestra: Conhecendo a arquitetura de São Paulo
26/06/2012 - Auditório do Senac Sta. Cecília

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5  PreservaSP / Clipping - PreservaSP / Casarão vira 'ícone' em ação contra verticalização em Pinheiro : 21/Junho/2012, 01:40:22
Casarão vira 'ícone' em ação contra verticalização em Pinheiros

Um casarão protegido de ser demolido pela Justiça vai ao chão em Pinheiros (zona oeste de SP). Mas o que poderia ser uma derrota para quem luta pela preservação do bairro acabou gerando efeito contrário.

O grupo Moradores de Pinheiros contra a Verticalização do Bairro coletou até agora 2.000 assinaturas a favor da criação de um parque no local da antiga casa.

"A demolição do casarão virou um ícone do nosso movimento", diz Cláudia Lammoglia, 41, uma das coordenadoras do grupo que tem como símbolo um prédio gigante passando por cima das casinhas do bairro.

Para ela, o fato de o imóvel ter sido demolido, apesar de uma liminar que revogava a decisão, dá mais força para a reivindicação deles.

"Em cada quarteirão há cinco ou seis casas que foram demolidas, a maioria para dar espaço aos empreendimentos comercias", diz.

A moradora reclama que os novos prédios vão descaracterizar o bairro, marcado pelo seu comércio tradicional de móveis novos e antigos.

Os moradores temem outro impacto negativo. A chegada de carros além da capacidade das ruas.

O casarão veio abaixo em 28 de março, dois dias depois de a liminar que impedia a destruição ter sido expedida.

A Associação PreservaSP, que também é do movimento, havia protocolado pedido de tombamento do imóvel no dia 1º de março. Mas isso não garantia a preservação da casa.

Jorge Rubies, da PreservaSP, diz que a casa, em um terreno de 2.000 m² era um "verdadeiro sítio urbano", com arquitetura arrojada para a época. Era o último imóvel do tipo na região, diz.

Um inquérito foi instaurado no 14º DP, em Pinheiros. Pela Lei de Crimes Ambientais, quem destrói bem protegido por decisão judicial fica sujeito a pena de reclusão de 1 a 3 anos e multa.


A construtora Helbor, dona do terreno e de outros lotes no quarteirão, diz que "não tinha conhecimento oficial sobre qualquer decisão que a impedisse dessa ação e nunca recebeu notificação judicial sobre o assunto".

Sobre a relevância arquitetônica do casarão, o arquiteto João Whitaker, professor da FAU-USP, afirma que, tão importante quanto preservar imóveis isoladamente, é manter as características de um bairro, mas que em São Paulo a prioridade tem sido do mercado imobiliário.

"As construtoras fazem prédios em lugares onde a cidade não precisa", diz.



Publicado no site AGÊNCIA DE NOTICIAS
http://www.jornalfloripa.com.br/brasil/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=21048
6  PreservaSP / Movimento dos Moradores de Pinheiros contra a Especulação Desenfreada / Casarão vira 'ícone' em ação contra verticalização em Pinheiros : 21/Junho/2012, 01:39:37
Casarão vira 'ícone' em ação contra verticalização em Pinheiros

Um casarão protegido de ser demolido pela Justiça vai ao chão em Pinheiros (zona oeste de SP). Mas o que poderia ser uma derrota para quem luta pela preservação do bairro acabou gerando efeito contrário.

O grupo Moradores de Pinheiros contra a Verticalização do Bairro coletou até agora 2.000 assinaturas a favor da criação de um parque no local da antiga casa.

"A demolição do casarão virou um ícone do nosso movimento", diz Cláudia Lammoglia, 41, uma das coordenadoras do grupo que tem como símbolo um prédio gigante passando por cima das casinhas do bairro.

Para ela, o fato de o imóvel ter sido demolido, apesar de uma liminar que revogava a decisão, dá mais força para a reivindicação deles.

"Em cada quarteirão há cinco ou seis casas que foram demolidas, a maioria para dar espaço aos empreendimentos comercias", diz.

A moradora reclama que os novos prédios vão descaracterizar o bairro, marcado pelo seu comércio tradicional de móveis novos e antigos.

Os moradores temem outro impacto negativo. A chegada de carros além da capacidade das ruas.

O casarão veio abaixo em 28 de março, dois dias depois de a liminar que impedia a destruição ter sido expedida.

A Associação PreservaSP, que também é do movimento, havia protocolado pedido de tombamento do imóvel no dia 1º de março. Mas isso não garantia a preservação da casa.

Jorge Rubies, da PreservaSP, diz que a casa, em um terreno de 2.000 m² era um "verdadeiro sítio urbano", com arquitetura arrojada para a época. Era o último imóvel do tipo na região, diz.

Um inquérito foi instaurado no 14º DP, em Pinheiros. Pela Lei de Crimes Ambientais, quem destrói bem protegido por decisão judicial fica sujeito a pena de reclusão de 1 a 3 anos e multa.

A construtora Helbor, dona do terreno e de outros lotes no quarteirão, diz que "não tinha conhecimento oficial sobre qualquer decisão que a impedisse dessa ação e nunca recebeu notificação judicial sobre o assunto".

Sobre a relevância arquitetônica do casarão, o arquiteto João Whitaker, professor da FAU-USP, afirma que, tão importante quanto preservar imóveis isoladamente, é manter as características de um bairro, mas que em São Paulo a prioridade tem sido do mercado imobiliário.

"As construtoras fazem prédios em lugares onde a cidade não precisa", diz.



Publicado no site AGÊNCIA DE NOTICIAS
http://www.jornalfloripa.com.br/brasil/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=21048
7  PreservaSP / Acontece no Preserva SP / Re: II JORNADA FOTOGRÁFICA - FRAGMENTOS SÃO PAULO - 2012 : 01/Junho/2012, 06:37:24
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8  PreservaSP / Acontece no Preserva SP / FOTOS - PREMIAÇÃO - 31/05/2012 : 01/Junho/2012, 06:35:34
FOTOS - PREMIAÇÃO - 31/05/2012

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9  PreservaSP / Acontece no Preserva SP / Re: II JORNADA FOTOGRÁFICA - FRAGMENTOS SÃO PAULO - 2012 : 01/Junho/2012, 06:16:26
CERIMÔNIA DE PREMIAÇÃO

10  PreservaSP / Acontece no Preserva SP / II JORNADA FOTOGRÁFICA - FRAGMENTOS SÃO PAULO - 2012 : 01/Junho/2012, 06:16:06
PREMIADOS_2012
II JORNADA FOTOGRÁFICA - FRAGMENTOS SÃO PAULO


1o. Colocado - JOSÉ ROBERTO D’ELBOUX
Foto: Mosaico // Local: Edifício Banco de São Paulo
http://www.preservasp.org.br/02_jose%20d%20elboux_01_GG.jpg


2o. Colocado - LEONARDO RIBEIRO MAIA
Foto: Agulha e Algodão // Local: Memorial da América Latina
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3a. Colocada - KATHYA SILVA
Foto: Teto Sagrado // Local: Catedral da Sé
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Foto mais votada pela internet - THIAGO LOPES DE OLIVEIRA GIACOBELLI
Foto: Arquitetura Musical // Local: Rua XV de Novembro
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Menção honrosa (pelo conjunto da obra) - MARIANA MATTAR RIBEIRO
1a. Foto: Vitrô - Local: Fábrica da Antártica // http://www.preservasp.org.br/15_mariana%20ribeiro_01_GG.jpg


2a. Foto: Amarela - Local: Fábrica da Antártica // http://www.preservasp.org.br/15_mariana%20ribeiro_02_GG.jpg





FINALISTA:

Ana Uiara A. Luna
Foto: Tela // Local: Rua 7 Abril
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Gisele Fap
Foto: Brasão de Ouro // Local: Av. São Luís
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Thiago L. O. Giacobelli
Foto: Reflexos São Paulo // Local: Pátio Colégio
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Gabrieli R. de Azevedo
Foto: Armazém // Local: V. Maria Zélia
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11  PreservaSP / Movimento dos Moradores de Pinheiros contra a Especulação Desenfreada / Re: Fotos Casarão João Moura, 740 - Pinheiros : 01/Maio/2012, 10:02:46
Fotos Casarão João Moura, 740 - Pinheiros
Fotos: Daniel Cohn Bandit.

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12  PreservaSP / Movimento dos Moradores de Pinheiros contra a Especulação Desenfreada / Re: Fotos Casarão João Moura, 740 - Pinheiros : 01/Maio/2012, 09:59:03
Fotos Casarão João Moura, 740 - Pinheiros
Fotos: Daniel Cohn Bandit.

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13  PreservaSP / Movimento dos Moradores de Pinheiros contra a Especulação Desenfreada / Fotos Casarão João Moura, 740 - Pinheiros : 01/Maio/2012, 09:55:08
Fotos Casarão João Moura, 740 - Pinheiros
Fotos: Daniel Cohn Bandit.

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14  PreservaSP / Movimento dos Moradores de Pinheiros contra a Especulação Desenfreada / As paredes caem, uma a uma, em Pinheiros : 01/Maio/2012, 09:52:08
As paredes caem, uma a uma, em Pinheiros
Ignácio de Loyola Brandão - O Estado de S.Paulo

Quando cheguei a esta rua, João Moura, havia em frente do meu prédio uma vilazinha e nela uma fonte de água cristalina. Dizia-me seu Chico, com seus 80 anos, que a fonte existia desde que ele chegara, na altura dos anos 1930. E que muita gente ia buscar água fresca para encher talhas, potes e moringas.


Chico, meu vizinho, tinha um quintal que ia até quase a Rua Cristiano Viana. Nele coexistiam jabuticabeiras, bananeiras, pássaros, patos, galinhas. As jabuticabas, imensas, eram docíssimas.

Cada vez que o pé carregava e os galhos pretejavam de frutos, Chico me trazia uma vasilha cheia. Havia um tanto de interior, um tanto de bucolismo, outro de quietude, comunidade.

Chico se foi, mas sua casa, seu terreno ainda estão ali e cada um de nós prende a respiração, no temor de que vendam algum dia e tudo vá para o chão.

O galo garnizé que a vizinhança ouve habita esse terreno. Vez ou outra, acontece uma baladinha noturna, com violão e danças, há pessoas guardando a casa. Um citadino dia desses começou a espicaçar a galinha que tinha acabado de ter pintinhos.

Provocava e provocava a pobre ave que tentava proteger os filhotes e investia com o bico. Então, um dos convidados gritou:

- Pare com isso, por favor! Não perturbe! Não vê que a galinha ainda está amamentando?

Quando cheguei à rua, anos 90, do meu apartamento no 13.º andar minha vista alcançava o horizonte e eu podia ver as luzes do Morumbi, em noites de jogo. Ao fazer uma panorâmica, contemplava o verde por toda a parte.

Abaixo de mim podia contemplar os sobrados tão característicos de Pinheiros e Vila Madalena, cada um com seu quintal, suas árvores. Podia ver laranjeiras. Mangueiras e jabuticabeiras, flores.

Assim vinha sendo nossa vidinha com jeito provinciano, aqui em Pinheiros, dentro de São Paulo. Basta atravessar uma rua e estamos nos Jardins. Mas em geral ficamos no que chamamos o outro lado da Rebouças, o nosso.

Tão bom que as casas de decoração estão ocupando espaços, são várias e dá gosto olhar as vitrines. Uma delas, a do Teo, inclusive, reformou uma área imensa em frente da nova churrascaria Bovinu's, que, após quase um ano, abriu suas portas.

Nessa onda, na Rua Artur de Azevedo, a filha do Viana mudou o rumo dos negócios que eram do pai (materiais de construção) e agora o espaço se chama Vianarte, com objetos coloridos.

Jovens saem do cursinho e da faculdade (tudo aqui na rua) e lotam o bar do Pinguim e o novo boteco Leyseca na esquina da Artur de Azevedo. Há um tom alegre nos fins de tarde, ruidoso, agitado. Na CPL motoqueiros fazem point aos sábados.

Aqui temos nossos bares, nossos restaurantinhos, o Genova, o Buttina, o bistrô Vianna, o Wolf, nossos self-services, a padaria, o sapateiro, a quitanda, a farmácia, o supermercadinho, a acupuntura.

Os prédios existentes conviviam em harmonia com os sobrados, as lojas, com tudo, todos se ajeitando, se acomodando, amigavelmente. Uns prédios maiores, outros pequenos, de quatro, cinco andares.

Então, começaram a chegar. Ah, começaram! Em frente de casa subiram duas torres enormes, minha vista se foi, a fontezinha desapareceu no concreto. Sim, um dia reapareceu dentro da garagem de nosso prédio. Quem segura água?

A vilinha que havia desapareceu. Foi o primeiro aviso. O segundo foi na Rua Artur de Azevedo, quando um grupo de casinhas foi abaixo, entre elas a original videolocadora S'Different, um barzinho de happy hour e duas ou três residências.

As "bombas" caíam cada vez mais perto. Então, a notícia se espalhou: tudo viria abaixo na esquina da João Moura com a Teodoro Sampaio. Até a belíssima casa branca que ficava no alto de uma colina.

Histórica? Não sabíamos. Mas era linda, de uma São Paulo senhorial, elegante. Todos tremeram quando a proprietária, velhinha, morreu. Dali saiu seu funeral por determinação expressa. Ficamos todos na corda bamba.

Súbito, na calada da noite, porque eles não têm coragem, fazem na calada da noite, a casa desapareceu. Foi ao chão, como se tivesse passado um tsunami. A arte de demolir num instante tem seu auge em São Paulo.

A morte da casa branca da colina verde doeu em todos nós. Ali, dizem, vai ser um shopping. Na Artur, um grande complexo. A culpa é de quem, gente? Das construtoras? Não, elas querem construir. A culpa é de leis que cedem ante o poder do dinheiro sem medir consequências para a comunidade, o trânsito, a rede de águas e esgotos, e tudo que está implicado.

E as árvores do jardim? Vão para o chão? (Aliás, ali na esquina da Brasil com a Colômbia, a Kia não derrubou a imensa árvore, frondosa, para construir uma concessionária?) E como fazer, se ao lado da ex-casa branca da João Moura há um posto de gasolina? Terreno contaminado. Não existe um prazo de alguns anos para limpar tudo? Vão cumprir? Vão nada.

Junto da escola, outro edifício está subindo. Sobem, sobem, vão subir, e o bairro vai sendo desfigurado. Aliás, toda esta cidade foi, está sendo e será. Não existem planos diretores, nem políticos que se interessem por esta pobre São Paulo.

Assinei, vou participar, estou com o Movimento Contra a Verticalização. Não somos contra o progresso, somos contra as injúrias, a agressão à qualidade de nossas vidas, a entrega de tudo à especulação.

Vivi quase 20 anos nesta comunidade, faço parte dela, nos conhecemos todos, temos nossos hábitos e idiossincrasias, alegrias. Agora, temos medo, muito medo de que talvez tenhamos de procurar outro lugar para viver.

Eros Grau, que foi ministro do Supremo, é poeta, romancista, com expressiva bibliografia jurídica e membro da Academia Paulista de Letras, em seu mais recente livro, Paris, Quartier Saint-Germain, ao testemunhar a ação do "modernismo" que vem devastando edifícios, livrarias, pontos tradicionais em Paris, indaga:

"...E os seres humanos que davam vida a todas essas coisas? Onde está, para onde foi toda essa gente que integrava meu universo afetivo? Que diabo de método de produção social desagradável, sempre assumindo formas novas, engolindo o passado e os que faziam parte dele! Eles não percebem - os sujeitos da transformação econômica - que agridem bruscamente a nossa intimidade afetiva quando renovam o quartier e o mundo?"


Publicado no Estadão (20/04/2012)
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,as-paredes-caem-uma-a-uma-em-pinheiros-,863330,0.htm
15  PreservaSP / Movimento dos Moradores de Pinheiros contra a Especulação Desenfreada / Moradores de Pinheiros fazem “passeada” contra verticalização desenfreada no sáb : 01/Maio/2012, 09:49:26
Moradores de Pinheiros fazem “passeada” contra verticalização desenfreada no sábado, 31
Encontro será na Praça Benedito Calixto, às 15h, em frente ao Fran’s Café
Da Redação

Os moradores de Pinheiros farão um protesto no próximo sábado, 31/3, contra a verticalização desenfreada que vem ocorrendo no bairro. Segundo os organizadores, a manifestação, chamada de “passeada” busca questionar as “demolições incessantes, no aumento populacional desordenado e no crescimento doentio dos carros na região”. “A verticalização, que inicialmente se desenvolveu para abrigar uma real carência de moradia, tornou-se hoje um paradoxo cancerígeno incontrolável, a serviço exclusivo da especulação financeira e imobiliária, único beneficiário deste caos que estamos vivendo”, dizem.



Publicado no site SPRESSO (28/03/2012)

http://www.spressosp.com.br/2012/03/moradores-de-pinheiros-fazem-%E2%80%9Cpasseada%E2%80%9D-contra-verticalizacao-desenfreada-no-sabado-31/
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