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 : 03/Setembro/2010, 11:02:58  
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
II Curso de Introdução à Teoria e História do Restauro

“Excelente”
“Superou minhas expectativas”
(Depoimentos de ex-alunos)


O curso expõe as diversas teorias do restauro e cartas patrimoniais existentes e discute sobre os projetos de restauro executados no Brasil, visando despertar um olhar mais crítico nos alunos. O objetivo do curso é divulgar a importância do restauro para a preservação da história e da cultura de nosso país.




Veja mais...
http://www.preservasp.org.br/curso_restauro.html

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 : 03/Setembro/2010, 11:00:05  
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Reunião aberta para novos voluntários


"Quem ama, cuida. Se você ama nossa cidade, ajude a cuidar dela!
Participe da Associação Preserva São Paulo."


Você que gostaria de participar do Preserva SP como voluntário, não perca a reunião aberta que realizaremos no próximo dia 11 (sábado), no período da tarde. Nesta reunião você irá conhecer mais sobre o trabalho do Preserva e também receberá informações sobre os seguintes assuntos:

- Introdução ao patrimônio histórico da cidade de São Paulo
- Como ser voluntário do Preserva
- O que é o Preserva São Paulo

__________________________________________________________________________

Data: 11 de setembro de 2010 (sábado), das 14:30 às 17:30
Local: Associação Nova Acrópole
Avenida Nove de Julho, 2992, entre as alamedas Franca e José Maria Lisboa, próximo à estação Trianon do metrô


** A reunião é pública e gratuita, não é necessário confirmar presença e todos podem comparecer. Convide seus amigos e conhecidos!

>> MAPA DE LOCALIZAÇÂO <<
http://maps.google.com.br/maps?f=q&source=s_q&hl=pt-BR&geocode=&q=avenida+nove+de+julho+2992+s%C3%A3o+paulo&sll=-14.179186,-50.449219&sspn=80.382803,113.027344&ie=UTF8&hq=&hnear=Av.+Nove+de+Julho,+2992+-+Jardim+Paulista,+S%C3%A3o+Paulo,+01406-000&z=16


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 : 30/Agosto/2010, 11:18:52  
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti

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 : 30/Agosto/2010, 11:15:40  
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
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 : 30/Agosto/2010, 11:15:10  
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti















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 : 22/Agosto/2010, 10:31:36  
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
A cidade que teima em não mudar
Lugares intocados mostram como era um pouco da São Paulo de décadas atrás



FLÁVIA MANTOVANI / FOTO NA LATA

Quando os oito lugares mostrados nesta reportagem começaram a funcionar, São Paulo ainda não tinha shopping center, metrô ou Minhocão.

O Masp não ficava na avenida Paulista. Se nos ativermos apenas aos quatro estabelecimentos mais antigos, veremos uma cidade que nem parece São Paulo, já que símbolos como o parque Ibirapuera, o estádio do Pacaembu, a atual catedral da Sé e os edifícios Copan e Martinelli ainda não haviam sido criados.

O mais antigo deles, aliás, o edifício Tereza Toledo Lara, foi construído em um centro da cidade em que o Teatro Municipal ainda estava em obras, e apenas 12 anos depois abrigaria a Semana de Arte Moderna.

Ano após ano, eles resistiram e mantêm aparência muito semelhante à de antigamente. Com prateleiras e móveis de madeira maciça, espelhos de cristal belga e calculadoras e cofres de mais de 30 anos atrás, esses locais parecem ter parado no tempo e mexem com o saudosismo dos clientes ou visitantes, muitos deles fiéis há mais de meio século.



Palacete Lara
Prédio centenário em busca de novos moradores

Se tudo correr de acordo com os planos dos administradores do Palacete Tereza Toledo Lara, o prédio será cenário, em breve, de uma curiosa convivência entre o velho e o novo.

Tombado e com as características originais preservadas, o imóvel passará por restauração que deve mantê-lo idêntico a como era no passado.

A inovação fica por conta dos novos ocupantes: segundo Thiago Gomes, consultor empresarial da proprietária, a ideia é alugar as salas a recém-formados, principalmente de direito, que voltam a ocupar o centro após a revitalização de alguns prédios.

Projetado pelo arquiteto alemão Augusto Fried e construído em 1910, o prédio foi do conde Antonio de Toledo Lara, um dos fundadores da Antarctica e financiador da restauração da catedral da Sé. O nome foi homenagem à filha, então com sete anos.

No hall, os ladrilhos hidráulicos, os azulejos e o elevador, francês e com grade manual, deixam clara a idade do prédio. A rádio Record funcionou lá, assim como várias lojas de instrumentos musicais. Por isso, o edifício era conhecido, na década de 40, como "a esquina musical de São Paulo". Hoje, restou uma loja do ramo em um dos três andares do prédio, que ainda é da família Lara. A restauração deve começar neste ano.
Endereço: r. Quintino Bocaiúva, 22, centro



Salão Phidias
Instalações e serviços como há 45 anos

Os espelhos, de cristal belga, estão em perfeito estado. As cadeiras são de fórmica boa, de quase 50 anos atrás. O piso é de pedra portuguesa e não tem uma rachadura.

Mas não são só as instalações da barbearia Phidias, instalada em uma galeria da rua 24 de Maio, que permanecem iguais há 45 anos. O serviço oferecido também é à moda antiga.

Faz-se a barba seguida de sauna facial. As pias ficam na bancada e permitem que o cliente faça o tradicional mergulho para a frente, diferentemente dos lavatórios modernos. Só a navalha foi aposentada e deu lugar a lâminas descartáveis, conta Luís Antonio da Silva, 54, dono do negócio.

Criado em 1965 pelo italiano Bruno Mingozzi, o salão passou para as mãos de Jair Silvestre de Lacerda, 73, que até hoje trabalha lá.

O atual dono, que está no local há 25 anos, comprou o Phidias há sete anos. Luís é de uma família de barbeiros - todos os seus 11 tios seguiram essa profissão e tem sete primos que trabalham juntos em uma barbearia do Rio. Quer escrever um livro sobre o Phidias, que tem "muita história".

O lugar já teve clientes ilustres, como o presidente Jânio Quadros e os homens da família Safra. Hoje, a maior parte da freguesia é formada por pessoas mais velhas. Há inclusive os que vêm de outras cidades ou até do exterior. "Esteve hoje aqui um cliente americano que corta cabelo duas vezes ao ano, só quando vem ao Brasil", conta Luís.

O arquiteto que projetou o salão também é cliente habitual. "Ele vem sempre aqui e fica olhando as maravilhas do passado."
Endereço: r. 24 de Maio, 77, ou r. Barão de Itapetininga, 88 (galeria R. Monteiro), loja 8, tel. 3223-6534



A Fidalga

Escondendo as pernas das clientes há 82 anos

Os provadores da loja de sapatos A Fidalga têm um elemento incomum: em volta dos bancos de mogno com veludo azul -mesma estampa floral há 82 anos-, uma proteção esconde a parte de baixo do corpo de quem experimenta os calçados.

Isso tem a ver com a época em que a loja foi criada, em 1928. "As mulheres não podiam mostrar as pernas. Os provadores são fechados, para que fiquem isoladas", conta Maria Christina Hernandez, proprietária. A loja, inspirada em um comércio de Milão, foi fundada por seu pai, passou para seu irmão e hoje é tocada por ela e a irmã, Thereza Christina.

A sensação de volta no tempo começa pelo edifício Casa das Arcadas, onde fica a loja, tombado e recém- restaurado. O local também conserva o pé-direito alto, os estoques aparentes e as cadeiras de madeira maçica que os clientes querem até levar para casa. Só as vitrines, antes abertas à visão mesmo com a loja fechada, tiveram que ser adaptadas aos tempos de insegurança. Hoje são cobertas à noite por portas de ferro.

O estilo dos sapatos de couro é clássico. "Uma coisa fina, confortável e de qualidade. É diferente de shopping, onde se encontra mais modinha", diz Maria Tereza, 33, filha de Maria Christina e gerente da loja. Alguns ainda são feitos à mão.

Thereza Christina conta que o lugar era frequentado pela "nata". "Era talvez a loja de sapatos mais chique daquela época." Hoje, há tanto clientes antigos quanto advogados, juízas e passantes mais jovens.
Endereço: r. Quintino Bocaiúva, 148, centro, tel. 3242-5093



Especialista em Canetas

Objetos de desejo em prateleiras de ferro

A placa não tem mais neon, mas continua lá, no alto da prateleira. O letreiro, "Posto Parker", é mais um dos objetos conservados pelos donos da Especialista em Canetas.

Fundada em 1951 pelos irmãos Hugo, Alfredo e Ito Leber, de origem suíça, a loja está igual a como era no passado, diz Inês Leber, 61, filha de Ito, que cuida do negócio com o sócio, Artur do Nascimento Silva, 70.

Ele começou a trabalhar lá em 1956 e se tornou sócio dez anos depois.

A diferença é que as vitrines e as prateleiras de ferro, cobertas por papel contact para disfarçar o enferrujado do tempo, não exibem mais apenas canetas. Para sobreviver ao reinado da Bic, foi preciso diversificar o negócio, com produtos de tabacaria e de jogos. A loja ainda vende canetas, todas originais, afirma Inês.

A clientela, que já teve nomes ilustres como o governador Carvalho Pinto, hoje é formada principalmente por pessoas mais velhas. Médicos, advogados e bancários compram para presentear. Há também os colecionadores. A loja vende cargas, conserta e faz polimento no objeto.

Artur e Inês nunca pensaram em modernizar a loja porque os próprios clientes preferem assim. "Às vezes vem um antigo cliente com o filho ou até com o neto e fala: 'Eu consertava caneta aqui, a loja está igualzinha'. Tem criança que nem sabe o que é uma caneta tinteiro. A gente mostra e elas ficam deslumbradas", conta a proprietária.
Endereço: r. Boa Vista, 314, centro, tel. 3107-3819



Chapelaria Plas

Meio século de elegância escondida no baixo Augusta

A loja é uma miragem na região do baixo Augusta, com suas boates de striptease. Abrir a porta de madeira e vidro da Chapelaria Plas é se sentir de novo no passado: o lugar está igualzinho desde 1954, quando o francês Maurice Plas, 83, abriu sua loja, exibindo a placa "Costureiros de Paris".

O dono é a personificação do lugar: barba longa, sorridente e emotivo, usa colete e boina. Tem forte sotaque e ainda fala frases em francês com os filhos, Robert, 45, e Maurice, 43, que também trabalham na loja.

Monsieur Plas conta que embarcou rumo ao Brasil, quando tinha 23 anos, fugindo dos comunistas. O irmão tinha vindo um ano antes. "Ele me mandou uma carta dizendo que aqui tinha sol, moças bonitas", lembra.

Começou como alfaiate -profissão que ainda exerce, criando ternos e coletes sob medida.

Aderiu ao uso de chapéus para se proteger do sol por indicação médica e passou a fabricá-los por influência do ator Tarcísio Meira, seu cliente.

Maurice tinha voltado da Europa e estava na chapelaria usando um boné inglês, xadrez com pompom vermelho, quando o ator apareceu.

"Ele entrou na loja e disse: 'Esse boné vai ser meu'. Fiz um e botei na vitrine. A turma tirou sarro, dizia: 'Brasileiro não põe isso na cabeça'. Eu disse: 'Eu posso pôr isso na cabeça da turma'. E foi o que aconteceu", conta.

O proprietário se orgulha de nunca ter feito liquidação. "Quando você trabalha com arte, acho errado liquidar o que faz", defende.

É ele que ainda faz as boinas e os bonés de vários modelos, cores e materiais. Só os chapéus são comprados de fornecedores -o panamá, por exemplo, vem direto daquele país.

Robert diz que a clientela não é mais apenas gente de idade. "Há uns cinco, dez anos, mudou completamente. Muito jovem gosta de chapéu."

Os músicos Edgard Scandurra, Ed Motta, Cauby Peixoto e Nando Reis são alguns fregueses -este último começou a frequentar o lugar por influência do pai, que é cliente. Até a cantora australiana Kylie Minogue já apareceu por lá e levou um chapéu panamá. "Veio uma loirinha bonitinha, simpática. Depois fiquei sabendo que era ela", conta Robert.
Endereço: r. Augusta, 724, Consolação, tel. 3257-9919



Colégio Rodrigues Alves

Nove décadas de aulas e a fama de ser mal-assombrado

Uma joia na avenida Paulista coberta pelo descuido e pelo vandalismo. Assim era o colégio Rodrigues Alves antes de ser restaurado, em 2006. A fachada amarela estava com a pintura desgastada. O prédio sofria com vazamentos, rachaduras e infiltrações.

Hoje, os mais de 2.000 alunos que usam seu espaço têm o privilégio de estudar num edifício construído por Ramos de Azevedo em 1919. As escadas que eles descem correndo, de madeira maciça, foram restauradas, assim como o piso e as janelas. Uma canaleta de drenagem reduziu o problema de umidade, a fachada foi recuperada e as cores originais, devolvidas às paredes -foi preciso importar a tinta.

Também se recuperaram as pinturas decorativas, descobertas debaixo de várias camadas de tinta antiga.

"Foi um trabalho minucioso e muito bonito", lembra Lúcia de Oliveira, 56, funcionária da secretaria e zeladora da escola na época. Ela morava em uma casa anexa, com pinheiros centenários e passarinhos, que foi demolida.

Hoje, o colégio é bastante procurado por causa da localização central. Muitos alunos são filhos de pessoas que trabalham na região da Paulista, nos hospitais do entorno, como domésticas ou zeladores, por exemplo. "É uma escola de passagem. Os alunos vêm de toda a cidade, até de Guarulhos, Itapevi", diz José Evangelista Gabriel, 64, diretor substituto.
Endereço: av. Paulista, 227, Cerqueira César



Trentini

O último refúgio de máquinas fotográficas octogenárias

O lugar é pequeno e escondido: uma salinha no sexto andar de um edifício no centro. Mas é lá que Célio Rui Biffi, 59, guarda um tesouro.

São câmeras de diversas épocas, ferramentas usadas antigamente para consertá-las e rolos de filmes de formatos variados. Há, por exemplo, duas máquinas alemãs, de madeira, das décadas de 20 e 30, que ainda eram de chapa -uma placa que fazia as vezes de filme.

A Trentini & Cia. Limitada foi fundada em 1941 por um italiano e já funcionou em outros três endereços no centro. O pai de Célio entrou para a sociedade em 1970.

Os quase dez funcionários da época se foram, e hoje é só ele que conserta as máquinas, analógicas e digitais -estas últimas "muito mais frágeis e suscetíveis a defeitos".

Foram elas que tiraram um pouco do "romantismo" que Célio via em fotografar. "Existe a praticidade, mas acho as fotos de câmeras com filme superiores." Ele tem uma digital,mas ainda conserva sua Olympus Trip 35, que, na década de 70, era "igual Volks, todo mundo tinha".

Para fazer seu trabalho, Célio usa uma mesa de relojoeiro dos anos 40. Ele também guarda documentos antigos da loja, já amarelados. "Essa memória tem que ser preservada."
Endereço: r. da Quitanda, 113, 6º andar, sala 67, centro, tel. 3242-3801



Botequim do Hugo

Mesas na garagem e árvores frutíferas no quintal

O cliente pede para o dono do bar: "Liga a internet aí, Hugo!". A rede wi-fi, em teste, é o único traço de modernidade no local. As paredes e as prateleiras de pinho de riga são pequenas para tantas miudezas espalhadas ali.

Localizado numa casa antiga, deslocada em meio aos prédios do Itaim Bibi, o Botequim do Hugo vive cheio.

O público inclui advogados, políticos e cantores, mas também pedreiros e catadores de papel. Eles vão em busca da cerveja gelada, de quitutes simples como o "buraco quente" (pão francês sem miolo recheado de carne moída) e do ambiente caseiro. "O bar é pequeno e os clientes fazem amizade fácil", diz Hugo Cabral Filho, 51.

Filho do Hugo que deu nome ao local, ele toca, com a mulher, a irmã e a mãe, o comércio que existe desde 1927.

No início, funcionava ali o Empório Cabral, mais conhecido como a vendinha do seu Marcelino -era assim que se chamava seu avô.

Dizer que Hugo foi criado naquele estabelecimento não é força de expressão: a casa dos pais dele fica atrás do bar e tem pés de goiaba, umbu, romã e lichia. Hugo criou ali os três filhos e ainda vive no local. Quando o bar fica cheio, tira os carros da garagem para colocar mais mesas.

Sua mãe, Francisca, ainda tempera a carne e prepara a pimenta, aos 85 anos. Hugo diz que já tentaram comprar a casa. "Não vendo. Imagina quanta gente nasceu, brincou, cantou parabéns, chorou aqui."

Em 1986, Hugo tentou modernizar o local, mas alguns frequentadores o convenceram a deixar tudo como era. Hugo não só atendeu aos pedidos como encheu o local de objetos antigos: garrafas, relógios, pilão, máquina de escrever, cinzeiros, coisas obtidas com catadores.

A sensação de estar lá foi bem descrita por uma cliente mexicana, como conta Hugo. "Ela perguntou: 'Você já tomou cerveja num museu? Não? Pois eu estou tomando'."
Endereço: r. Pedroso Alvarenga, 1.014, Itaim Bibi, tel. 3079-6090




Publicado na Folha de S.Paulo (22/08/2010)
http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp2208201008.htm

 7 
 : 22/Agosto/2010, 10:26:48  
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Moradores de rua invadem os edifícios São Vito e Mercúrio

NATÁLIA ZONTA
DE SÃO PAULO

Um grupo de moradores de rua perambula entre muito lixo. O vaivém da avenida do Estado não intimida, e eles seguem a rotina nos abandonados edifícios São Vito, Mercúrio e Francisco Herrerias, único com destino certo: a demolição. Os outros dois espigões, símbolos da deterioração do centro, são motivo de briga judicial entre prefeitura e defensoria pública. Enquanto isso, os esqueletos completam a imagem degradada da área.

Fernando Donasci/Folhapress
 

Edifício São Vito, visto através do Mercúrio, na região central de São Paulo; os dois foram tomados por moradores de rua

Um cercado protege o quarteirão em ruínas, mas não impede a entrada dos moradores de rua. O acesso mais fácil é o do edifício Francisco Herrerias, que só não está no chão porque não há mais espaço para entulho na área. Com o São Vito e o Mercúrio, os três são os únicos prédios no quadrilátero formado pelas avenidas do Estado e Mercúrio e pelas ruas Carlos Garcia e Luís de Camões. Até junho, havia outros 22 imóveis na região.

As portas lacradas por concreto só freiam os menos ousados. Alguns escalam as construções, outros entram por frestas. "À noite tem maluco que sobe até o segundo andar do São Vito", diz uma das novas habitantes que não quis se identificar.

Em todo o espaço interditado, o cheiro de podre é quase insuportável e não há luz. Há duas semanas, um trio que circulava pelos prédios afirmou que as batidas policiais não os assustavam. "De vez em quando a GCM [Guarda Civil Metropolitana] aparece. Tiram todo mundo, mas depois a gente volta", conta um dos sem-teto.

A história de abandono dos espigões do centro é antiga. O último desdobramento dessa história foi em julho, quando a Defensoria Pública do Estado, o Instituto Pólis, o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e a Associação de Moradores Viva São Vito conseguiram uma liminar que barrou a demolição.

O principal argumento da defensoria pública é que os dois edifícios estão em Zeis (zonas especiais de interesse social), segundo o plano diretor da cidade. "A área tem de ser usada para moradia social. No caso do São Vito, há um decreto de 2003 que reforça isso", afirma o defensor Carlos Loureiro, que está à frente da ação.

A prefeitura, que vai recorrer, quer transformar a área em um parque. Para o presidente da Cohab, Ricardo Pereira Leite, os autores da ação são "presunçosos". "É ingênuo crer que pelo fato de o local ser em Zeis ali vão brotar prédios. Além da lei, que pode criar incentivo, é preciso tijolo, cimento, mão de obra, coisas que não são tão simples." Segundo ele, a demolição foi votada pelo Conselho de Habitação, do qual fazem parte movimentos por moradia. Em contrapartida, o governo pediu a desapropriação de 53 imóveis no centro e promete reformá-los e vendê-los à população carente.

Projetos
A prefeitura ainda não divulgou o projeto para a área. Em janeiro, foi encomendado à Fundação para a Pesquisa Ambiental, ligada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, um novo plano urbanístico. Uma possibilidade é que ali seja instalado um equipamento público que articule o Mercado Municipal, a Casa das Retortas, o futuro Museu da História de São Paulo e o Espaço Catavento. O rio Tamanduateí também seria reincorporado à paisagem e o viaduto Diário Popular, demolido. O projeto preliminar deve ficar pronto em outubro.

Na gaveta da atual administração também estão os croquis do arquiteto Roberto Loeb. Em 2003, ele apresentou a nova cara do São Vito e deu esperanças a quem estava de saída. "A ideia era reduzir o número de apartamentos", diz. O prédio tinha 624 unidades em 27 andares, com 28 m2 a 30 m2. Com a reforma, haveria opções de 35 m2 a 60 m2. Segundo ele, na época, a reforma custaria R$ 16 milhões. A fachada seria refeita pelo pintor Eduardo Sued.

Na ocasião, também foi feito um estudo para medir o impacto da demolição dos dois prédios. "O resultado seria uma montanha de entulho com altura equivalente à de um prédio de oito andares." A prefeitura afirma que pretende derrubar os prédios manualmente, com marretas. Os resíduos, assim como os das demolições já feitas ali, seriam usados na construção de um dique no Jardim Romano, na zona leste, e na pavimentação de ruas da periferia.

Ver os espigões ainda de pé mexe com os sonhos de alguns ex-moradores. Athaíde Cassiano de Paula, 47, viveu no São Vito por dez anos. Já conseguiu comprar outro apartamento na Vila Buarque, no centro, mas não esquece a antiga quitinete. "Não entendo por que acham os edifícios feios." Para ele, os apartamentos venderiam como água. "Compraria o meu na hora."

Linha do tempo

2003
A então prefeita Marta Suplicy (PT) anuncia o projeto de reforma do São Vito.

2004
Cerca de 3.000 moradores do São Vito deixam o prédio com a promessa de que ele seria reformado.

2006
O prefeito Gilberto Kassab diz que quer derrubar os edifícios e revitalizar o Parque D. Pedro 2º.

2008
O Mercúrio começa a ser desapropriado e é aberta a licitação para a demolição dos prédios. Uma demolidora consegue liminar que suspende a concorrência por irregularidades.

Primeiro semestre de 2010
A prefeitura abandona a licitação e a empresa Fremix, já contratada para outros serviços em SP, é acionada para derrubar os imóveis do entorno e os prédios

Junho de 2010
São demolidas 22 construções no quadrilátero formado pelas avenidas do Estado e Mercúrio e pelas ruas Carlos Garcia e Luís de Camões.

Julho de 2010
A defensoria pública consegue uma liminar que impede &#8232;a demolição dos edifícios. A prefeitura afirma que vai recorrer.



Publicado na Folha.com (21/08/2010)
http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/782640-moradores-de-rua-invadem-os-edificios-sao-vito-e-mercurio.shtml

 8 
 : 22/Agosto/2010, 10:24:38  
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EXPOSIÇÂO:
INUNDAÇÕES EM SÃO PAULO




Até 3 de outubro, os registros de algumas inundações ocorridas em São Paulo – a terra da garoa -, entre os séculos 19 e 20, estão expostos na mostra “Inundações em São Paulo”, na Galeria Olido, em São Paulo.
 
Entre as 44 imagens selecionadas a partir do acervo da Divisão de Iconografias e Museus do Departamento do Patrimônio Histórico, há fotos de Militão Augusto de Azevedo, Aurélio Becherini, Benedito Junqueira Duarte e outros fotógrafos desconhecidos.

A mostra tem curadoria de José Henrique Siqueira e reúne cenas como resgates de pessoas ilhadas por meio de canoas e marcas nas edificações causadas pelo nível das águas.

Há também registros da grande enchente de 1929, que atingiu proporções catastróficas e, pela primeira vez, chegou a uma região nobre da cidade: um loteamento da Companhia City, às margens do Rio Pinheiros, a Cidade Jardim.

São Paulo tem uma relação conturbada com as chuvas, principalmente, devido a algumas interferências feitas pelo homem. As transformações que foram alternando aos poucos a cara da cidade, preparando-a para o processo de urbanização - como a transposição do Rio Tamanduateí - resultaram em uma área quase impermeável, que agora tenta fazer as pazes com a natureza.

Serviço:
- “Inundações em São Paulo” – Galeria Olido - Av. São João, 473 – São Paulo, SP.
- Até 3 de outubro.
- De terça a domingo, das 13h às 20h.
- Entrada gratuita.
- Mais informações pelo telefone 11.3331.8399



Publicado no Site ARQ!BACANA  19.08.2010
http://www.arqbacana.com.br/interna.php?id=7996

 9 
 : 22/Agosto/2010, 10:21:05  
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Edifício Copan terá museu, diz jornal - 19.08.2010


foto: Stock.xchng

De acordo com uma matéria publicada no jornal MTV na Rua, na última quarta-feira, dia 18, o Edifício Copan, projetado pelo arq Oscar Niemeyer e construído entre 1953 e 1966, no centro de São Paulo, terá a fachada totalmente reformada e ganhará um museu no terraço.

A proposta é que, no museu, os visitantes possam conhecer a história do famoso edifício e ainda contemplar –do alto- a vista do centro da cidade. Segundo publicou o jornal, o administrador do prédio, Affonso Celso Prazeres, diz que a ideia é expor no museu parte das 1.189 pranchas com os desenhos de Niemeyer para o edifício.

Ainda seria construído um café no novo museu, que teria a entrada gratuita e contaria com atrações interativas.

A matéria não revela o nome dos supostos responsáveis pela reforma do edifício, mas garante que ela será financiada por parcerias com empresas privadas.

O jornal publicou, ainda, uma entrevista exclusiva do arq Oscar Niemeyer sobre o assunto. Confira:

Jornal MTV na Rua: O que o senhor acha de um museu no terraço do Copan?
Oscar Niemeyer: Espero que me consultem antes que seja feita qualquer alteração.

JMNR: Na avaliação do senhor, esse tipo de mudança é positiva?
ON: Não tem que ficar mudando [a proposta]. É falta de respeito ao trabalho do arquiteto, que teve tanta dificuldade para encontrar solução para o projeto. É uma sacanagem.

JMNR: E a reforma da fachada, anunciada há alguns meses?
ON: Estou sabendo disso por você. É uma fachada apreciada, não tem que mudar.



Publicado no site ARQ!BACANA
http://www.arqbacana.com.br/interna.php?id=7995

 10 
 : 22/Agosto/2010, 10:18:56  
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Os patrimônios e a Copa
No Rio e em São Paulo, prefeituras esbarram no tombamento de prédios durante a execução de obras para 2014. Às vezes, a solução é simplesmente destombar o patrimônio.
Adriano Belisário
 
Os planos para a construção de uma linha de ônibus para a Copa de 2014 atropelaram parte do patrimônio histórico do subúrbio do Rio de Janeiro. No caminho planejado para as vias da Transcarioca, que ligará o Aeroporto Tom Jobim e a Barra da Tijuca, encontram-se cerca dez prédios históricos tombados pela prefeitura desde 2004. Sem consultar o Conselho Nunicipal de Proteção ao Patrimônio Cultural, o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB) decidiu destombar os prédios para viabilizar as obras, fazendo uso de uma legislação municipal que o autoriza a mudar o status dos imóveis em caso de "interesse público".



Os preparativos para a Copa também colocaram São Paulo em uma situação semelhante. Visto como uma das possíveis sedes paulistas para os jogos mundiais de 2014, o Estádio do Pacaembu só poderá realizar as reformas necessárias com a autorização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo (Condephaat). Porém, ao contrário do Rio de Janeiro, os patrimônios de São Paulo que estão entre os locais a serem reformados para a Copa possuem um bom estado de preservação e podem ser alterados sem a necessidade de destombamento do bem.

Os imóveis cariocas estão localizados próximos ao Forte Nossa Senhora da Glória do Campinho, que funcionou como uma fábrica de munições para o Exército durante a segunda metade do século XIX e serviu como posto de segurança no caminho da Estrada Real de Santa Cruz. Em entrevista ao Jornal O Globo, Jorge Furman, membro do Grupo de Pesquisa do Subúrbio Carioca, criticou o destombamento de quase dez prédios próximos ao Forte: "Construções antigas são uma raridade nos subúrbios e deveriam tentar ser preservadas. Se isso acontece na Zona Sul, haveria comoção", afirmou. Já a subsecretaria de Patrimônio Cultural da prefeitura lamentou a remoção dos patrimônios, mas apontou as possibilidades de exploração arqueológica do local durante as obras.
 


Publicado no site da revista HISTÓRIA (agosto/2010)
http://rhbn.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=3196

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