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Abaixo-assinado pela criação do Parque de Pinheiros, o 1o. do bairro! Assine e divulgue!


 
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 : 01/Maio/2012, 09:52:08 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
As paredes caem, uma a uma, em Pinheiros
Ignácio de Loyola Brandão - O Estado de S.Paulo

Quando cheguei a esta rua, João Moura, havia em frente do meu prédio uma vilazinha e nela uma fonte de água cristalina. Dizia-me seu Chico, com seus 80 anos, que a fonte existia desde que ele chegara, na altura dos anos 1930. E que muita gente ia buscar água fresca para encher talhas, potes e moringas.


Chico, meu vizinho, tinha um quintal que ia até quase a Rua Cristiano Viana. Nele coexistiam jabuticabeiras, bananeiras, pássaros, patos, galinhas. As jabuticabas, imensas, eram docíssimas.

Cada vez que o pé carregava e os galhos pretejavam de frutos, Chico me trazia uma vasilha cheia. Havia um tanto de interior, um tanto de bucolismo, outro de quietude, comunidade.

Chico se foi, mas sua casa, seu terreno ainda estão ali e cada um de nós prende a respiração, no temor de que vendam algum dia e tudo vá para o chão.

O galo garnizé que a vizinhança ouve habita esse terreno. Vez ou outra, acontece uma baladinha noturna, com violão e danças, há pessoas guardando a casa. Um citadino dia desses começou a espicaçar a galinha que tinha acabado de ter pintinhos.

Provocava e provocava a pobre ave que tentava proteger os filhotes e investia com o bico. Então, um dos convidados gritou:

- Pare com isso, por favor! Não perturbe! Não vê que a galinha ainda está amamentando?

Quando cheguei à rua, anos 90, do meu apartamento no 13.º andar minha vista alcançava o horizonte e eu podia ver as luzes do Morumbi, em noites de jogo. Ao fazer uma panorâmica, contemplava o verde por toda a parte.

Abaixo de mim podia contemplar os sobrados tão característicos de Pinheiros e Vila Madalena, cada um com seu quintal, suas árvores. Podia ver laranjeiras. Mangueiras e jabuticabeiras, flores.

Assim vinha sendo nossa vidinha com jeito provinciano, aqui em Pinheiros, dentro de São Paulo. Basta atravessar uma rua e estamos nos Jardins. Mas em geral ficamos no que chamamos o outro lado da Rebouças, o nosso.

Tão bom que as casas de decoração estão ocupando espaços, são várias e dá gosto olhar as vitrines. Uma delas, a do Teo, inclusive, reformou uma área imensa em frente da nova churrascaria Bovinu's, que, após quase um ano, abriu suas portas.

Nessa onda, na Rua Artur de Azevedo, a filha do Viana mudou o rumo dos negócios que eram do pai (materiais de construção) e agora o espaço se chama Vianarte, com objetos coloridos.

Jovens saem do cursinho e da faculdade (tudo aqui na rua) e lotam o bar do Pinguim e o novo boteco Leyseca na esquina da Artur de Azevedo. Há um tom alegre nos fins de tarde, ruidoso, agitado. Na CPL motoqueiros fazem point aos sábados.

Aqui temos nossos bares, nossos restaurantinhos, o Genova, o Buttina, o bistrô Vianna, o Wolf, nossos self-services, a padaria, o sapateiro, a quitanda, a farmácia, o supermercadinho, a acupuntura.

Os prédios existentes conviviam em harmonia com os sobrados, as lojas, com tudo, todos se ajeitando, se acomodando, amigavelmente. Uns prédios maiores, outros pequenos, de quatro, cinco andares.

Então, começaram a chegar. Ah, começaram! Em frente de casa subiram duas torres enormes, minha vista se foi, a fontezinha desapareceu no concreto. Sim, um dia reapareceu dentro da garagem de nosso prédio. Quem segura água?

A vilinha que havia desapareceu. Foi o primeiro aviso. O segundo foi na Rua Artur de Azevedo, quando um grupo de casinhas foi abaixo, entre elas a original videolocadora S'Different, um barzinho de happy hour e duas ou três residências.

As "bombas" caíam cada vez mais perto. Então, a notícia se espalhou: tudo viria abaixo na esquina da João Moura com a Teodoro Sampaio. Até a belíssima casa branca que ficava no alto de uma colina.

Histórica? Não sabíamos. Mas era linda, de uma São Paulo senhorial, elegante. Todos tremeram quando a proprietária, velhinha, morreu. Dali saiu seu funeral por determinação expressa. Ficamos todos na corda bamba.

Súbito, na calada da noite, porque eles não têm coragem, fazem na calada da noite, a casa desapareceu. Foi ao chão, como se tivesse passado um tsunami. A arte de demolir num instante tem seu auge em São Paulo.

A morte da casa branca da colina verde doeu em todos nós. Ali, dizem, vai ser um shopping. Na Artur, um grande complexo. A culpa é de quem, gente? Das construtoras? Não, elas querem construir. A culpa é de leis que cedem ante o poder do dinheiro sem medir consequências para a comunidade, o trânsito, a rede de águas e esgotos, e tudo que está implicado.

E as árvores do jardim? Vão para o chão? (Aliás, ali na esquina da Brasil com a Colômbia, a Kia não derrubou a imensa árvore, frondosa, para construir uma concessionária?) E como fazer, se ao lado da ex-casa branca da João Moura há um posto de gasolina? Terreno contaminado. Não existe um prazo de alguns anos para limpar tudo? Vão cumprir? Vão nada.

Junto da escola, outro edifício está subindo. Sobem, sobem, vão subir, e o bairro vai sendo desfigurado. Aliás, toda esta cidade foi, está sendo e será. Não existem planos diretores, nem políticos que se interessem por esta pobre São Paulo.

Assinei, vou participar, estou com o Movimento Contra a Verticalização. Não somos contra o progresso, somos contra as injúrias, a agressão à qualidade de nossas vidas, a entrega de tudo à especulação.

Vivi quase 20 anos nesta comunidade, faço parte dela, nos conhecemos todos, temos nossos hábitos e idiossincrasias, alegrias. Agora, temos medo, muito medo de que talvez tenhamos de procurar outro lugar para viver.

Eros Grau, que foi ministro do Supremo, é poeta, romancista, com expressiva bibliografia jurídica e membro da Academia Paulista de Letras, em seu mais recente livro, Paris, Quartier Saint-Germain, ao testemunhar a ação do "modernismo" que vem devastando edifícios, livrarias, pontos tradicionais em Paris, indaga:

"...E os seres humanos que davam vida a todas essas coisas? Onde está, para onde foi toda essa gente que integrava meu universo afetivo? Que diabo de método de produção social desagradável, sempre assumindo formas novas, engolindo o passado e os que faziam parte dele! Eles não percebem - os sujeitos da transformação econômica - que agridem bruscamente a nossa intimidade afetiva quando renovam o quartier e o mundo?"


Publicado no Estadão (20/04/2012)
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,as-paredes-caem-uma-a-uma-em-pinheiros-,863330,0.htm

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 : 01/Maio/2012, 09:49:26 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Moradores de Pinheiros fazem “passeada” contra verticalização desenfreada no sábado, 31
Encontro será na Praça Benedito Calixto, às 15h, em frente ao Fran’s Café
Da Redação

Os moradores de Pinheiros farão um protesto no próximo sábado, 31/3, contra a verticalização desenfreada que vem ocorrendo no bairro. Segundo os organizadores, a manifestação, chamada de “passeada” busca questionar as “demolições incessantes, no aumento populacional desordenado e no crescimento doentio dos carros na região”. “A verticalização, que inicialmente se desenvolveu para abrigar uma real carência de moradia, tornou-se hoje um paradoxo cancerígeno incontrolável, a serviço exclusivo da especulação financeira e imobiliária, único beneficiário deste caos que estamos vivendo”, dizem.



Publicado no site SPRESSO (28/03/2012)

http://www.spressosp.com.br/2012/03/moradores-de-pinheiros-fazem-%E2%80%9Cpasseada%E2%80%9D-contra-verticalizacao-desenfreada-no-sabado-31/

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 : 01/Maio/2012, 09:47:35 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Casarão é demolido em Pinheiros contrariando liminar expedida pela Justiça
Segundo vizinhos, o casarão e outros imóveis do quarteirão darão lugar a um novo empreendimento imobiliário

Um casarão da Rua João Moura, em Pinheiros, foi demolido nesta madrugada, 28, contrariando decisão judicial expedida dois dias antes. A juíza Simone Viegas de Moraes Leme, da 8ª Vara de Fazenda Pública da capital, havia determinado na segunda-feira, 26, que a demolição deveria ser interrompida até que os órgãos de defesa do patrimônio histórico avaliassem seu tombamento. Foi estipulada multa diária de R$ 62.200 caso a demolição continuasse.

O pedido de tombamento foi impetrado pela ONG Preserva São Paulo, a pedido de moradores de Pinheiros que integram o movimento contra a verticalização desenfreada do bairro. Na tarde de ontem, 27, um grupo de 10 moradores fez vigília em frente ao imóvel para garantir que a demolição não fosse reiniciada. Porém, na madrugada de ontem para hoje a demolição foi concluída.

O movimento Moradores Contra a Verticalização de Pinheiros prepara para este sábado (31), às 15h, na Praça Benedito Calixto, uma “passeada” pelo bairro contra a sua verticalização.



Publicado no site SPRESSO (28/03/2012)
http://www.spressosp.com.br/2012/03/casarao-e-demolido-em-pinheiros-contrariando-liminar-expedida-pela-justica/

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 : 29/Abril/2012, 08:40:25 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Um registro dos primeiros carros que circularam em SP



Preciosidade do acervo do Museu da Energia de São Paulo, a foto acima, datada de 1900, mostra os primeiros carros que circularam por São Paulo. Neles estão o aviador Alberto Santos Dumont (1873-1932) e alguns familiares.
Nove anos antes, em 1891, Santos Dumont, então com 18 anos, foi passar uma temporada em Paris e se encantou com uma geringonça mecânica capaz de transportar pessoas: um automóvel Peugeot de 3,5 cavalos e 2 cilindros. Quando voltou ao Brasil, mandou embarcar o trambolho no navio. O veículo foi o primeiro carro a andar pelas ruas de São Paulo – despertando curiosidade e fascínio em muitos paulistanos que puderam se deparar com o carro.

A imagem pode ser conferida no Museu da Energia (Alameda Cleveland, 601, Campos Elísios.
Telefone:  11 3333-5600 / 11 3333-5600, ramal 211), aberto de terça a sábado, das 10h às 17h, com entrada grátis.



Publicado no Estadão (25/04/2012)
http://blogs.estadao.com.br/edison-veiga/2012/04/25/um-registro-dos-primeiros-carros-que-circularam-em-sp/

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 : 29/Abril/2012, 05:04:52 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Em 30 pontos, conheça a história e os personagens que dão vida à maior rodoviária do país

Domingo, 9 de maio de 1982. Os 75 relógios da rodoviária do Tietê marcavam 4h30 quando o primeiro ônibus deixou o terminal, inaugurado na véspera como o maior da América Latina. Três décadas depois, mesmo com a perda de passageiros -nos últimos 20 anos, a queda foi de 44%-, o Tietê ainda embarca quase 11 milhões de pessoas por ano. No menu, 1.033 destinos, em 21 Estados e cinco países.


Esta foto e a da capa da revista não são montagens! Nos dois casos, levamos imagens do Arquivo Folha ao terminal Tietê e procuramos o exato local emque elas foramfeitas, nos anos 1980. Em seguida, posicionamos a imagemantiga até ela se encaixar perfeitamente na cena e fotografamos a sobreposição.

A criação da atual rodoviária tem origem nos problemas do terminal da Luz, sobrecarregado desde os anos 1960 e causa de engarrafamentos espetaculares. Assim, em 1977, o Metrô, com órgãos dos governos estadual e federal, elaborou um estudo para a construção do Tietê que previa também outros três terminais: Barra Funda, Penha e Pinheiros, sendo que os dois últimos nunca saíram do papel.

As obras começaram em janeiro de 1979 e, programadas para terminar em outubro de 1981, foram concluídas somente em maio do ano seguinte. Desde 1989, o Metrô, proprietário da rodoviária, mantém um contrato com o consórcio Prima, que, entre outras empresas, inclui a Socicam, responsável pelo Tietê até 2030.

Hoje acompanhada dos terminais Barra Funda, de 1989, e Jabaquara, de 1977, a maior rodoviária do país -não há fontes confiáveis que comprovem que ela continua como a maior da América Latina- pode ganhar mais parceiras. A prefeitura planeja erguer unidades em Itaquera (zona leste) e na Vila Sônia (zona oeste).

Ainda não se sabe se as novatas vão "roubar" destinos do Tietê ou dividir o embarque com ele. Nessa última opção, saídas para o Rio, por exemplo, ocorreriam em mais de um endereço na cidade.

Apesar de preverem perda maior ainda de passageiros para a rodoviária trintona, especialistas veem a iniciativa com bons olhos. "Os passageiros que moram nas regiões das novas rodoviárias embarcarão por lá", diz Horácio Augusto Figueira, mestre em engenharia de transportes pela USP.

Independentemente do desfecho, certo é que o Tietê ainda será por muito tempo uma minicidade, apresentada nas páginas a seguir por meio de números, dados históricos e depoimentos.

Boa viagem.
(COLABOROU LUCCA ROSSI)

01 - POR DENTRO
Terminal Rodoviário Tietê
Onde: av. Cruzeiro do Sul, 1.800, Santana, zona norte
Funcionamento: 24 horas por dia
Como chegar: estação Portuguesa-Tietê (linha 1-azul do metrô)
Terreno: 120 mil m²
Área construída: 54 mil m²

02- PARTIDAS
Os ônibus partem para 21 Estados, além de Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai. O destino mais longe é a capital peruana, Lima -a viagem de cerca de 5.800 km demora quatro dias. O mais próximo é Mairiporã, na Grande SP, a 39 km do terminal.

03- OS NÚMEROS
62 empresas de ônibus, que atendem a 1.033 cidades
260 lixeiras
63 câmeras de segurança
320 pessoas trabalham com administração, operação, manutenção, limpeza e segurança
1.500 funcionários de lojas, restaurantes, empresas de ônibus e outros prestadores de serviços
150 atendimentos de emergência são realizados por mês

04- R$ 223.575.990
Foi a quantia gasta, em valores atualizados, na construção do terminal. Iniciadas em 19 de janeiro de 1979, as obras contaram com o trabalho de 1.245 homens em seu momento mais intenso. O Itaquerão, que prevê o triplo de área construída, terá cerca de 3.000 e tem custo previsto de R$ 820 milhões.

05- BABEL
Vários ajustes foram necessários após a estreia. As plataformas foram pensadas para ônibus dos anos 1970. "Mas o primeiro passo foi tentar que metroviários e empresas de ônibus falassem a mesma língua", lembra Luiz Alberto Fioravante, 62, então diretor.

06- APAGÃO
Na madrugada do dia 8 para o dia 9 de maio de 1982, na inauguração, os paulistanos ficaram da 1h50 às 4h sem ter como deixar a cidade de ônibus. A última partida da rodoviária da Luz, aposentada com a inauguração do Tietê, foi para o Rio de Janeiro.

07- RECORDE
O recorde de público foi na véspera do Natal de 1986, quando 110 mil pessoas saíram da capital por ali, por meio de 2.820 ônibus. O movimento foi 15% superior ao mesmo período de 1985. Logo depois, algumas linhas foram para o terminal Bresser, na zona leste.

08- TOP 5
Os piores problemas relatados por usuários à reportagem:
# 1 Poucas cadeiras na área de embarque
# 2 A comida é cara
# 3 Os banheiros estão mais sujos depois que voltaram a ser gratuitos
# 4 Mau atendimento
# 5 Falta vaga no estacionamento

09- Por CÉU e por TERRA
Compare a circulação de passageiros registrada em 2011:
Aeroporto de Guarulhos 30 milhões
Rodoviária do Tietê 21,9 milhões
Aeroporto de Congonhas 16,7 milhões

10- BAGAGEM EMOCIONAL
"Uma vez uma mulher chegou dizendo que ia se matar, se jogar debaixo do carro, porque o marido a tinha deixado. Eu disse: 'Vá para a casa do seu pai, guarde essas coisas lá, tome um banho, deite. No outro dia, Deus vai lhe mostrar o caminho'. E ela foi embora. Um mês depois, voltou e disse: 'Seu Pedro, eu vim lhe agradecer. O senhor me falou umas palavras que se encaixaram na minha cabeça. No dia seguinte, vi que tinha vários caminhos para seguir'. Aquilo me comoveu"
PEDRO VIANA DA COSTA, 75, trabalha há 53 anos como carregador de bagagem e está na rodoviária do Tietê desde a inauguração

11- ESTRUTURA
26 mil m³ de concreto. Equivale a metade da ponte Octavio Frias de Oliveira, que usou 58.700 m³
4.000 toneladas de ferro. Representa cerca de meia Torre Eiffel, que usou 7.300 toneladas
230 mil metros de cabos, a mesma distância de São Paulo a São Carlos, no interior

12- 1ª VEZ
"A primeira vez que vim de Goiás para São Paulo foi em 1984. Tinha feito uma reserva no hotel Minho, na avenida Duque de Caxias, que existe até hoje. Achava que ia chegar na rodoviária da Luz, que era perto do hotel, mas cheguei no Tietê. Estava sem dinheiro e fui para o hotel a pé. Tinha vindo entregar uma fita cassete na gravadora 3M"
ZEZÉ DI CAMARGO, 49, cantor

13- NO REPEAT
Na inauguração, enquanto políticos discursavam no palanque, a música "Amigo", de Erasmo e Roberto Carlos, tocou. Natural de Cachoeiro de Itapemirim (ES), o "rei", caso quisesse ir daqui para sua cidade de ônibus, teria à disposição somente uma companhia: a Itapemirim. A linha sai uma vez por dia, às 18h, e cada passagem custa R$ 123. Ao todo, a viagem dura 12 horas, suficientes para escutar a versão original de "Amigo" aproximadamente 216 vezes.

14- 15 DIAS E 15 NOITES
"Chegamos aqui no dia 1º de junho de 1991. Tava frio. Meu pai e minha mãe deixaram a gente num cantinho e a gente vivia do que o pessoal dava. Meu pai colocou dois cobertores no chão e a gente dormia lá. Quer dizer, mais cochilava do que dormia. Dava muita fome, tinha muito barulho. No outro dia, meu pai pediu para eu cuidar dos meus irmãos e saiu com a minha mãe para ver se achava algum lugar para morar. Depois de duas semanas, fomos para um barraco na favela da avenida Zaki Narchi [zona norte]"
JORGE CHAGAS SANTOS, 33, lutador de muay thai, morou 15 dias na rodoviária após desembarcar de Leme (SP)

15- SENHORES PASSAGEIROS
"Uma vez, uma senhora me perguntou onde era o desembarque. Mostrei e perguntei de onde vinha o ônibus que ela aguardava. Ela explicou que era do Amazonas, mas que ainda ia sair de lá. Eu falei: 'Senhora, está um pouco cedo então para ficar aguardando aí'. Ela disse: 'É que eu não vejo a pessoa há muito tempo, estou ansiosa e prefiro esperar'. Ela passou três dias no terminal"
ERALDO GOMES COSTA, 26, locutor e operador do controle central

16- CONVERSA MALUCA
"QAP, água marinha e turmalina efetuaram um 88 antes da grega."
Não se assuste se escutar um dos seguranças dizendo frases absurdas pelo rádio. Eles têm um código próprio para que usuários não entendam. A tradução: na escuta, namorado e namorada se beijaram antes da viagem.

17- Quem cuida
Desde 23 de janeiro de 1990, um consórcio privado é responsável pela manutenção do terminal, que pertence ao Metrô. O primeiro contrato, expirado em 2010, foi renovado por mais 20 anos. A companhia pública, no entanto, recebe valores pré-determinados:

Dez taxas de embarque por ônibus que parte da rodoviária
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25% da receita bruta do estacionamento
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25% da receita bruta de propaganda e aluguel de lojas
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25% da operação rodoviária (receitas de bilheteria, guarda-volumes etc.)
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18- EU E NARA LEÃO
"A lembrança mais bacana que tenho da rodoviária é quando a minha mãe vinha de ônibus do Rio e a Nara Leão ia comigo buscá-la. O Tietê era bem mais simples"
JERRY ADRIANI, 65, cantor

19- RONCO ALTO
"Tenho 75 anos e sou gordo, eu ronco pra caramba. Um dia uma mulher me deu um baita de um esporro no ônibus"
AGNALDO TIMÓTEO, 75, cantor e vereador, costuma ir de ônibus leito para o Rio às sextas-feiras

20- passageiros em QUEDA
Nas duas últimas décadas, com a redução dos preços das passagens de avião e a redistribuição de destinos para outros terminais, o Tietê perdeu passageiros:
EMBARQUES POR ANO
1991 - 19.399.155
2001 - 11.151.167
2011 - 10.892.778

21- preços em ALTA
A dupla formada por cafezinho e pão de queijo é, disparada, a mais pedida nas lanchonetes da rodoviária. Talvez por isso os preços estejam lá no alto. Veja a comparação com cafés chiques da cidade:

RODOVIÁRIA
CASA DO PÃO DE QUEIJO
Café: R$ 3,90
Pão de queijo: R$ 3,10
Total: R$ 7

ESTAÇÃO DA GULA
Café: R$ 3,50
Pão de queijo: R$ 3,90
Total: R$ 7,40

PANERIA
Café: R$ 3,50
Pão de queijo: R$ 3,90
Total: R$ 7,40

PELA CIDADE
PAIN DE FRANCE
Café: R$ 3,30
Pão de queijo: R$ 2,50
Total: R$ 5,80

SANTO GRÃO
Café: R$ 3,80
Pão de queijo: R$ 3,50
Total: R$ 7,30

SUPLICY
Café: R$ 5
Pão de queijo: R$ 3,50
Total: R$ 8,50

22- SOBRE RODAS
"Sou operador de máquina motorizada de limpeza, a 'motinha'. A primeira vez que andei foi emocionante, mas é fácil, é como andar de bicicleta. Toda vez que passo, as crianças dizem: 'Pai, olha lá, que legal!'"
SEBASTIÃO ADRIANO DE SOUZA, 44, operador de máquina motorizada de limpeza

23- PERDAS E DANOS
Vanessa Galdino, 24, é a responsável pela seção de achados e perdidos, que, no momento, abriga 15 bengalas e uma cadeira de rodas, entre muitos documentos e alguns livros. "Os funcionários daqui pegam emprestados para ler e depois devolvem", diz ela, que está lendo o "Manual da Separação", de Edson Marques, "só por curiosidade".

24- NO EMBARQUE
"Comecei a trabalhar na Luz, em 1964, e já fiz o embarque de muita gente famosa, como o Silvio Santos. Minha filha se casou com estrangeiro e mora em Paris. Já fui pra lá, mas prefiro ônibus a avião"
JOÃO CRUZ, 74, faz o embarque dos ônibus Cometa

25- SP x NY
Quando foi inaugurada, a rodoviária do Tietê foi alardeada como a segunda maior do mundo, atrás de Port Authority, concluída em 1950 em Nova York. A nossa tinha mais serviços:

Nova York (1950)
-1 barbearia
-35 relógios
-171 orelhões
-450 vagas de estacionamento
-31 guichês de venda de bilhetes

São Paulo (1982)
-1 barbearia
-75 relógios
-1.600 orelhões
-500 vagas de estacionamento
-84 guichês de venda de bilhetes

26- VIAJANTE PROFISSIONAL
"Passo aqui há 30 anos. Saí de Blumenau aos 18 e fiquei mais da metade da vida viajando. Já morei em todos os Estados. O Brasil tem uns 5.000 municípios, devo ter conhecido uns 4.000"
LUIZ VIEIRA, 48, construtor e artista plástico

27- Para LER
O que comprar para passar o tempo na rodoviária? Palavras cruzadas, é claro. "Quando comprei a livraria, 14% das revistas de palavras cruzadas de todo o Estado eram vendidas na minha loja", diz Heloisa Freitas, 59, sócia da maior revistaria do terminal desde 1997. Entre os livros, segundo ela, dois clássicos da ciência política estão sempre entre os mais vendidos: "A Arte da Guerra", de Sun Tzu, e "O Príncipe", de Maquiavel.

28- FORA DO AR
"A rodoviária é ótima. Os ônibus são calmos, nunca peguei um motorista louco. Coloco meu fone de ouvido, uso a tomada para o notebook e durmo"
PINKY WAINER, 56, artista plástica, trocou os aviões pelos ônibus na ponte Rio-São Paulo há três anos

29- MINICIDADE
Passageiros, visitantes e funcionários consomem, em média, por mês:
7 milhões de litros de água
682.219 kWh de energia
2.600 rolos de papel higiênico
650 litros de sabonete líquido
40 mil litros de detergente
24 mil cartões telefônicos
Fontes: Socicam, Metrô, Infraero, ANTT, Artesp, "O Livro Amarelo do Terminal" (Vanessa Barbara, CosacNaify, 2008) e reportagens publicada na época

30- RITMO
"Aprendi a tocar violão e baixo lá em Minas. Minha família é toda de músicos, aprendi só de ver. Passo bastante tempo no terminal. Vira e mexe trago meu violão e aproveito para acompanhar alguém que esteja tocando no piano que tem aqui"
OSVALDO DE ANDRADE, 75, músico aposentado



Ciborgues no comando
VANESSA BARBARA, COLUNISTA DA FOLHA

Distribuídos ostensivamente pelas plataformas da rodoviária, os relógios patrocinados pela Cia. do Terno parecem vigiar os vigias. O chão é lustroso, os coques das funcionárias bem presos e há um "mix comercial" de 78 lojas reluzentes, coloridas, entulhadas de anúncios e quinquilharias.

É o Tietê Station Center.

Na última década, a rodoviária Tietê tornou-se um "espaço limpo e seguro que se assemelha ao conceito dos aeroportos e shoppings", segundo release da Socicam (empresa que administra o terminal). Tudo é organizado e padronizado, os ônibus saem no horário, os lanches são caríssimos e é terminantemente proibido tirar fotos. Ninguém pode falar com os funcionários sem autorização prévia. Ao que tudo indica, a alta cúpula da Socicam teria sido substituída por ciborgues.

Ciborgues, como todos sabem, não têm coração, por isso a estação perdeu um pouco o calor humano e a graça. Suas tabacarias, perfumarias, cafés e LAN houses são proibitivas para a maioria dos usuários, que ficam com vergonha de tirar os sapatos para descansar os pés. Há menos chulé e mais óculos Ray-Ban, mais mensagens automáticas nos alto-falantes e menos salgadinhos de queijo grudados nas solas dos transeuntes.

Ainda que os ciborgues da Socicam tentem manter sob controle os elementos mambembes dessa estação comercial-cibernética, é possível encontrar gente furtiva lavando morangos no banheiro, longe das câmeras, puxando os cabinhos e resistindo à dominação robótica.

A Socicam é como esses avisos que a gente vê nos bebedouros e nos banheiros públicos: "Proibido encher garrafas", "Proibido lavar os cabelos" e "Proibido lavar marmitas". A empresa controla 45 terminais rodoviários pelo país (Brasília, Campinas, Rio de Janeiro) e 43 terminais urbanos como se fossem propriedade privada.

Temo que, no futuro, não seja mais permitido jogar conversa fora e tirar cochilo nos bancos. Os bancos, aliás, estão cada vez mais escassos, pois que incentivam a vadiagem, e logo será ilícito chegar cedo demais, entrar nas lojas para trocar uma nota de 20 e trazer comida de casa.

A rodoviária é uma cidade de pessoas que chegam e vão embora na mais perfeita ordem, e de outras que revolucionariamente ficam, tirando o cabinho dos morangos, feito membros da Resistência.

VANESSA BARBARA, 29, é autora de um livro sobre a rodoviária, "O Livro Amarelo do Terminal" (2008, Cosac Naify), vencedor do prêmio Jabuti de reportagem. Escreve na "Ilustrada" às segundas-feiras



Publicado na Folha de S.Paulo (29/04/2012


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 : 20/Abril/2012, 10:28:39 am 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Casarão é demolido em Pinheiros contrariando liminar expedida pela Justiça

Um casarão da Rua João Moura, em Pinheiros, foi demolido nesta madrugada, 28, contrariando decisão judicial expedida dois dias antes. A juíza Simone Viegas de Moraes Leme, da 8ª Vara de Fazenda Pública da capital, havia determinado na segunda-feira, 26, que a demolição deveria ser interrompida até que os órgãos de defesa do patrimônio histórico avaliassem seu tombamento. Foi estipulada multa diária de R$ 62.200 caso a demolição continuasse.

O pedido de tombamento foi impetrado pela ONG Preserva São Paulo, a pedido de moradores de Pinheiros que integram o movimento contra a verticalização desenfreada do bairro. Na tarde de ontem, 27, um grupo de 10 moradores fez vigília em frente ao imóvel para garantir que a demolição não fosse reiniciada. Porém, na madrugada de ontem para hoje a demolição foi concluída.

O movimento Moradores Contra a Verticalização de Pinheiros prepara para este sábado (31), às 15h, na Praça Benedito Calixto, uma “passeada” pelo bairro contra a sua verticalização.



Publicado no site SPRESSOSP (28/03/2011)
http://www.spressosp.com.br/2012/03/casarao-e-demolido-em-pinheiros-contrariando-liminar-expedida-pela-justica/

 27 
 : 20/Abril/2012, 10:03:45 am 
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Casarão é demolido em Pinheiros contra decisão da Justiça
TIAGO DANTAS

O casarão que fica na Rua João Moura, 740, em Pinheiros, zona oeste da capital, foi demolido hoje de madrugada, apesar de a Justiça ter determinado, na segunda-feira, que o imóvel não poderia ser derrubado enquanto seu tombamento não fosse avaliado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).

Moradores de Pinheiros e a Associação Preserva São Paulo haviam entrado com um pedido de tombamento do casarão em 1º de março. A questão ainda seria avaliada pelo Conpresp, que poderia decidir abrir um processo de tombamento, o que também impediria a demolição. O grupo alega que a construção é única no bairro e que seus quase 2 mil metros quadrados de área verde deveriam ser preservado.

Na decisão de segunda-feira, a juíza Simone Viegas de Moraes Leme, da 8.ª Vara de Fazenda Pública da capital, fixou uma multa de R$ 62.200 por dia caso a demolição continue. A liminar concedida por ela suspendia o alvará de demolição expedido pela Prefeitura. Segundo ela, caso o Conpresp decida iniciar o processo de tombamento e o imóvel estivesse demolido, o dano ao patrimônio histórico seria irrecuperável.

Vizinhos disseram que o casarão e outros imóveis da quadra darão lugar a um novo empreendimento imobiliário. Os proprietários do terreno e a construtora responsável pela obra ainda não foram localizados para comentar a demolição.



Publicado no JT (28/03/2011)

http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/tag/rua-joao-moura/

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 : 01/Abril/2012, 07:54:27 pm 
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Casarão cai e vizinhança quer salvar área verde

Decisão judicial e mobilização de moradores não foram suficientes para impedir a demolição do casarão no número 740 da Rua João Moura, em Pinheiros, zona oeste da capital. O imóvel foi derrubado na madrugada de ontem. Agora, os vizinhos pretendem brigar para que os cerca de 2 mil m² de área verde do terreno sejam preservados.

Liminar concedida pela 8.ª Vara de Fazenda Pública da capital na segunda-feira impedia qualquer interferência no casarão até que o Conpresp avaliasse se iria abrir processo para tombar o imóvel. A Justiça notificou seis pessoas citadas no processo como proprietárias do terreno.

A incorporadora Helbor, que pretende construir um empreendimento comercial no local, não está nessa lista e informou ontem que não foi notificada judicialmente. Por isso, prosseguiu com a demolição do imóvel. A empresa alegou, ainda, que recebeu todas as autorizações necessárias da Prefeitura. Sobre a posse do terreno, a Helbor afirmou que está em 'fase de aquisição'. As seis pessoas citadas como proprietárias do imóvel no processo não foram localizadas ontem.

'A demolição foi um crime. Vamos pedir para a Justiça interditar o imóvel até que o Conpresp se pronuncie sobre o processo de tombamento. Vamos tentar preservar a área verde porque o imóvel, infelizmente, foi para o chão', disse Jorge Eduardo Rubies, presidente da Associação Preserva São Paulo. A associação havia feito um pedido de tombamento do casarão em 1.° de março e entrado com uma ação civil pública na segunda.



Publicado no Estadão (29/03/2012)
http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/casar%C3%A3o-cai-e-vizinhan%C3%A7a-quer-salvar-%C3%A1rea-verde?ocid=tweet

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 : 01/Abril/2012, 07:48:33 pm 
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Demolida casa que era alvo de tombamento
Incorporadora não foi incluída em liminar que protegia imóvel em Pinheiros até que Conpresp desse parecer

TIAGO DANTAS / JORNAL DA TARDE - O Estado de S.Paulo

Decisão judicial e mobilização de moradores não foram suficientes para impedir a demolição do casarão no número 740 da Rua João Moura, em Pinheiros, zona oeste da capital. O imóvel foi derrubado na madrugada de ontem. Agora, os vizinhos pretendem brigar para que os cerca de 2 mil m² de área verde do terreno sejam preservados.


Liminar concedida pela 8.ª Vara de Fazenda Pública da capital na segunda-feira impedia qualquer interferência no casarão até que o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Conpresp) avaliasse se iria abrir processo para tombar o imóvel. A Justiça notificou seis pessoas citadas no processo como proprietárias do terreno.

A incorporadora Helbor, que pretende construir um empreendimento comercial no local, não está nessa lista e informou ontem que não foi notificada judicialmente. Por isso, prosseguiu com a demolição do imóvel. A empresa alegou, ainda, que recebeu todas as autorizações necessárias da Prefeitura.

Sobre a posse do terreno, a Helbor afirmou que está em "fase de aquisição". As seis pessoas citadas como proprietárias do imóvel no processo não foram localizadas ontem.

"A demolição foi um crime. Vamos pedir para a Justiça interditar o imóvel até que o Conpresp se pronuncie sobre o processo de tombamento. Vamos tentar preservar a área verde porque o imóvel, infelizmente, foi para o chão", disse Jorge Eduardo Rubies, presidente da Associação Preserva São Paulo.

A associação havia feito um pedido de tombamento do casarão em 1.° de março e entrado com uma ação civil pública na Justiça na segunda-feira.

Responsável pelo tombamento dos Jardins e do prédio que abrigou o Colégio Caetano de Campos, na Praça da República, no centro, o advogado Modesto Carvalhosa acredita que os moradores demoraram para pedir o tombamento do casarão. "É uma pena, mas entraram com o pedido depois que o alvará de demolição havia sido expedido."



Publicado no Estadão (28/03/2012)

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,demolida-casa-que-era-alvo-de-tombamento-,854822,0.htm

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 : 18/Março/2012, 06:17:16 pm 
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Grafite gigante que retrata a SP dos anos 1950 é pintado na Zona Sul
Avenida São João será exibida em caixa d’água do Senac.
Obra de Eduardo Kobra deve demorar mais 40 dias para ficar pronta.

Um grafite gigante vai chamar a atenção de quem passar pelo Senac, na Zona Sul de São Paulo. A obra de arte irá retratar uma cena da São Paulo antiga.

A caixa d'água utilizada como suporte tem 45 metros de altura e fica no campus do Senac, em Santo Amaro. Para pintar a Avenida São João dos bondes, da década de 1950, o artista Eduardo Kobra conta com uma equipe de sete pessoas, que vão se revezando.

O grafite, segundo ele, é baseado em uma foto antiga. "Claro que faço uma releitura dessa imagem, faço uma montagem, faço a minha criação em cima, mas é baseado numa imagem real da década de 1950”, diz Kobra.

O artista também fala sobre o desafio de pintar em um lugar tão alto. "A dificuldade é muito maior, porque você tem o vento, balança. Você tem uma sensação completamente diferente de pintar no piso, mas quando a gente se concentra na pintura, esquece um pouquinho do medo, esquece um pouquinho de tudo isso, e solta a emoção aqui para cima do desenho", afirma.

A obra de Eduardo Kobra deve demorar mais 40 dias para ficar pronta.



Publicado no G1 *17/03/2012)
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/03/grafite-gigante-que-retrata-sp-dos-anos-1950-e-pintado-na-zona-sul.html

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