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 : 03/Julho/2011, 12:24:38 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Revista São Paulo - Folha de S.Paulo
O iluminado - Dono de ateliê viu demanda por neons subir 60% em quatro anos

Boa parte dos letreiros luminosos que abrilhantam a rua Augusta ou o Bexiga saiu de um pequeno espaço no segundo piso do número 65 da rua General Osório, na região central. É ali que está instalada há mais de 30 anos a Neon Três Estações.

Edvar Ferreira Silva, 39, o dono, diz que nunca teve outra profissão. "Faço isso há 25 anos. Só sei dar a luz", brinca. Mas as coisas no seu laboratório -como ele chama o lugar- mudaram bastante nos últimos quatro anos. Sua produção, antes limitada a padarias, prostíbulos, motéis e sex shops, aumentou 60% nesse período. "Oneon virou 'hype'. É procurado por gente criativa e moderna."

Um dos pioneiros dessa nova clientela foi o estilista Marcelo Sommer. "Fiz um disco voador para um desfile dele no Morumbi Fashion [antigo nome da São Paulo Fashion Week]. Depois, o pessoal da moda adotou o brilho." Hoje, Edvar atende bares, artistas, arquitetos e grandes empresas.

Dois fatores que ajudaram a popularizar o neon, segundo ele, foram a Lei Cidade Limpa e a revitalização da região da Augusta. O luminoso, avalia, virou uma maneira de os comerciantes chamarem a atenção do público em dimensões mais modestas.

No laboratório, onde manipula metros de vidro, argônio e neônio, o maçarico é o mesmo de quando aprendeu o ofício com o tio. "Somos a segunda geração do neon nesta casa. Meu tio começou o negócio há 36 anos."

Waldomiro Ferreira, o tio, aprendeu a mexer nas tiras de vidro nos anos 1940, quando notou que os vizinhos italianos faziam luminosos vestindo terno e gravata. "Ele achava chique", conta o sobrinho. Waldomiro pediu para fazer faxina no ateliê e saiu de lá um perito no assunto.

Igual a tatuagem
Entre os atuais clientes ilustres, estão o bar Volt, as galerias Mendes Wood e Melissa, as lojas Ellus, C&A e Colcci e, claro, a grife Neon. A Coca-Cola também. "Foi um logotipo difícil de fazer. A letra é muito sinuosa."

Outra grande demanda vem de artistas como Rick Castro, Maurício Ianês e Kleber Matheus e do arquiteto Marcelo Rosembaum, que encomenda detalhes de decoração.

"Meu primeiro contato com o neon foi na publicidade. Depois, passei a construir objetos para presentear amigos. Fez tanto sucesso que acabou virando a matéria-prima das minhas instalações", diz o diretor de arte Kleber Matheus, conhecido pelas obras geométricas e nada discretas.

"Neon é igual a tatuagem: você faz o primeiro e não consegue mais parar", conta Fábio Luciano, 37, que ajuda Edvar a instalar os luminosos. Por lá, a turma já fez quase tudo brilhar. "Um cliente pediu um pênis em neon de quase dois metros para o quarto dele", lembra Edvar. Uma peça simples com cerca de 40 centímetros custa por volta de R$ 250.

E o que ele não aguenta mais fabricar? "A palavra 'aberto'. Já produzi mais de 500. Estão piscando pela cidade toda", desabafa.

produção artesanal

Saiba como um neon é feito
1. O cliente envia um modelo da peça ao ateliê
2. O vidro vem de fábrica em barras de 1,5 m
3. As barras são moldadas com o maçarico a 350°C
4. Eletrodos são colocados nas pontas da peça
5. O oxigênio é retirado do tubo com uma bomba de vácuo. O resto é queimado com o auxílio de um transformador
6. Os gases neônio e argônio são injetados no vidro com ampolas de gás comprimido
7. Para o efeito vermelho, usa-se o neônio. Para o azul, o argônio. Para as demais cores, o vidro é pintado
8. O gás reage com o eletrodo e acende

Eliana Finkelstein, dona da galeria Vermelho, afirma que há dois anos notou um aumento do uso do neon nas obras de arte contemporânea. "Na feira Art Basel Miami Beach, uma das maiores do mundo, o material foi bastante utilizado. O volume chegou a chamar a atenção. Talvez o fenômeno esteja ligado ao retorno do minimalismo, um movimento que mexe com a luz."



Publicado na Revista São Paulo - Folha de S.Paulo (03/07/2011)
http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp0307201108.htm

 92 
 : 03/Julho/2011, 12:22:17 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Revista da Folha - "Não tem ninguém flanando pela cidade"
NANDO OLIVAL, diretor publicitário e de cinema
Publicitário diz que bairros são pouco explorados por pessoas e por filmes

ANDRÉ LOBATO

Diretor do clipe-comercial da música "Eduardo e Mônica", que fez sucesso recentemente na internet, Nando Olival, 47, reclama das dificuldades de filmar na cidade.

"Demora para a gente se locomover. Às vezes, precisamos duplicar a equipe", diz ele, que usou, na propaganda, cenários como o bar Z Carniceria e o Lions Club, ambos no centro.

Na produtora O2 há 20 anos, Nando também é responsável pela propaganda em que Gisele Bündchen aparece como uma dona de casa rejeitada e codirigiu, com Fernando Meirelles, o filme "Domésticas".

Em novembro, ele lança seu primeiro longa solo, "0s 3", sobre o amor e a amizade entre três jovens.

Como é filmar em São Paulo?
É difícil fazer cenas em vários pontos da cidade porque demora para a gente se locomover. Então, às vezes, precisamos quase duplicar a equipe. Nas gravações de "Eduardo e Mônica", enquanto eu rodava, o diretor de arte ia na frente, para preparar a próxima locação.

O amor do casal cabe na cidade?
A música é sobre como duas pessoas muito diferentes podem se encontrar e se apaixonar. São Paulo está mais favorável a essa letra do que qualquer outra cidade. Aqui, muitas tribos se encontram na mesma festa.

SP é da publicidade ou do cinema?
Usamos muito pouco a cidade. Somos muito clichês. Não só no longa-metragem, mas principalmente no filme publicitário. Não falamos dos botecos do Bom Retiro, do Brás. O cinema não se apropriou da cidade. Teve uma época em que pensei em fazer uma lista de locações e enviar para as produtoras. Os angolanos e os coreanos ainda não estão bem retratados.

Qual é o espírito da cidade?
Acho que é essa pinta de estar sempre ocupado. O paulistano tem de transparecer isso. Não tem ninguém flanando pela cidade. Aqui, parece que você está sempre defasado, não viu aquela peça, não tomou aquele drinque... Está sempre seis passos atrás do que a civilização está fazendo. Flanar faz falta "pacas".

Sobre o que é seu novo filme?

Três caras descartados de suas famílias que se encontram aqui. Mudar de cidade tem muito a ver com São Paulo. O filme fala do ritual de passagem do amor, da amizade.

Gostaria de fazer algo mais autoral?

Quero achar a cor da cidade. Qual a paleta daqui? Não é o preto e branco de Nova York, o ensolarado do Rio nem as cores quentes de Salvador. São Paulo tenta ser a Nova York dos executivos. Mas não é. É esse "melê" [confusão].



Publicado na Revista da Folha (03/07/2011)

http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp0307201106.htm


 93 
 : 03/Julho/2011, 12:20:14 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Diretor Toni Venturi fala sobre o amor e a loucura de SP
JULIANA VAZ
DE SÃO PAULO

Crônica da solidão na metrópole, o filme retrata as desventuras que a jovem Carmem (Leandra Leal) enfrenta na transição para a vida adulta, e flagra a cidade nos lugares onde ela é mais cinematográfica: o centro pulsante, a Estação da Luz, o Copan.

Leia abaixo uma entrevista com o diretor, um paulistano nascido há 55 anos no bairro de Cerqueira César.

No filme, a toda hora se ouve que "o medo deixa as pessoas mais egoístas". É o caso dos paulistanos?
Há algumas semanas atrás fui vítima de um assalto em São Paulo. A produtora foi arrombada, levaram alguns laptops. Somos humanos, sentimos medo. Depois do assalto pensei muito antes de transformar meu espaço de trabalho numa fortaleza. Fui comedido, só reforçamos a segurança. Mas os outros medos, de não se entregar ao amor, de não reconhecer o outro e respeitar as diferenças são muito mais nocivos. É um desafio viver numa megalópole e não se fechar para o mundo, como faz a médica Carmem (Leandra Leal), quando sua vida vira de cabeça para baixo. Mas ela saca que isto tem cura.

Qual é o melhor lugar para ver o céu em São Paulo?
Cada paulistano deve ter o "seu" lugar. Gosto do subir no alto dos edifícios, nos telhados e skylights, principalmente o do Copan.

Onde todos podem "estar juntos" na cidade?
No início das filmagens a diretora de arte Renata Pinheiro propôs para a abertura duas imagens em paralelo: uma foto aérea de São Paulo e uma angiografia que mostrava as veias e artérias se cruzando. São Paulo é um organismo vivo. Alagamento no Morumbi afeta o trânsito de Itaquera. E para o bem e para o mal estamos juntos nas cidades, então, vamos fazer a vida na urbe uma vivência mais prazerosa.

Quais são "os riscos e as glórias do anonimato"?
Riscos: morrer de morte besta. Uma bala perdida, um tijolo que cai na cabeça do alto de uma construção ou de ataque cardíaco, quietinho, num banco do metrô às 6 da manhã e só ser notado no final da noite.

Glória: voyeurismo. Os famosos não podem curtir as coisas mais simples e mundanas como andar na rua a esmo, entrar e sair de onde quiser, dar um beijo em seu amorzinho em público...

O que já devia ter saído de cena na cidade?
A miséria dura dos habitantes das ruas e sarjetas, o trânsito insuportável e a poluição.

Os personagens principais do filme vêm de outros lugares (do Estado do Rio e da Argentina). Por que São Paulo atrai tanta gente de fora?
São Paulo pulsa oportunidades de trabalho, amor e loucura.

Qual é a sua relação com o Movimento Sem-Teto do Centro?
Uma relação de amorosidade, amizade e respeito. Existe coisa mais dura que não ter um teto? Quem não tem casa, não tem identidade. Em 2007, fiz o documentário "Dia de Festa", sobre as mulheres e os ideais do movimento. Uma experiência marcante que me fez inserir o MSTC na narrativa de "Estamos Juntos".

Onde mais você moraria, se não fosse aqui?
Por um período, na Amazônia. Tenho viajado muito no Brasil profundo, pesquisando um novo projeto. Lá, no convés de um barco, navegando pelos rios, senti fazer parte de todo o cosmos.

Você frequenta os cinemas de rua da cidade? Que acha do fechamento do tradicional Cine Belas Artes, na Consolação?
É pena ver os espaços do cinema de bairro fechando e migrando para os templos do consumo (shoppings). Se não tomarmos cuidado em pouco tempo não andaremos mais nas ruas, indo direto dos carros para os espaços fechados do trabalho ou do lazer. Temos que resgatar o prazer de curtir a vida que pulsa nas ruas.



Publicado na Folha.com (05/06/2011)
http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/923380-diretor-toni-venturi-fala-sobre-o-amor-e-a-loucura-de-sp.shtml

 94 
 : 03/Julho/2011, 12:17:00 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
"Casas-museus têm vida e muita personalidade"
FLAVIA LIZ DI PAOLO, guia de turismo, indica casas que se tornaram museus

"Desde que nasci, minha missão é mostrar o Brasil por meio de São Paulo", afirma Flavia Liz Di Paolo. Fluente em italiano, espanhol, inglês, alemão e francês, a guia apresenta a cidade a executivos, políticos e artistas. As casas-museus são seus lugares preferidos.

Nesses espaços, reflete, é possível vivenciar não só as obras de arte, os objetos de decoração e a arquitetura de uma época mas também o estilo de vida dos proprietários. "Esse tipo de casa tem vida e muita personalidade." (ANDRÉ LOBATO)

Guilherme de Almeida
"É um museu literário e biográfico. O dono foi um dos mentores da Semana de Arte Moderna de 1922 e fez o brasão do município. Lá tem obras de Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti."
R. Macapá, 187, Perdizes, zona oeste, tel. 3673-1883. Ter. a dom.: 10h às 17h. Grátis

Fundação Ema Gordon Klabin
"O jardim projetado por Burle Marx é um charme. Todos os sábados tem concerto. Tem gravuras do Rembrandt e arte brasileira dos séculos 18 e 19."
R. Portugal, 43, Jardim Europa, zona oeste. Ter. a sex.: 10h às 17h. Sáb. e dom.: após as 14h. Agende a visita pelo e-mail agendamento@emaklabin.org.br ou pelo tel. 3062-5245. Entrada: R$ 10.

Casa de Vidro de Lina Bo Bardi
"A casa, toda de vidro, é 'treslumbrante'! Recebo arquitetos que vêm à cidade apenas para conhecer o trabalho dela."
R. Bandeirante Sampaio Soares, 420, Morumbi, zona sul, tel. 3744-9902. R$ 10. Seg. a sex.: 9h às 15h. Agende visitas pelo institutobardi@institutobardi.com.br

Museu Lasar Segall
"Criada pelo arquiteto russo Gregori Warchavchik, a casa tem poucas coisas intactas, mas é bárbara. Tem obras do próprio Segall, um cinema, café com Wi-Fi e uma vasta agenda cultural."
R. Berta, 111, Vila Mariana, zona oeste, tel. 5574-7322. Ter. a sáb. e feriados: 14h às 19h. Dom.: 14h às 18h. Grátis



Publicado na Revista da Folha de S.Paulo (19/06/2011)

http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp1906201107.htm

 95 
 : 03/Julho/2011, 12:10:55 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Entre Rios conta de modo rápido a história de São Paulo e como essa está totalmente ligada com seus rios. Muitas vezes no dia-a-dia frenético de quem vive São Paulo eles passam desapercebidos e só se mostram quando chove e a cidade pára. Mas não sinta vergonha se você não sabe onde encontram esses rios! Não é sua culpa! Alguns foram escondidos de nossa vista e outros vemos só de passagem...



Vale a pena conferir!
http://vimeo.com/14770270

O video foi realizado em 2009 como trabalho de conclusão de Caio Silva Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini no curso em Bacharelado em Audiovisual no SENAC-SP, mas contou com a colaboração de várias pessoas que temos muito a agradecer.

Direção:
Caio Silva Ferraz

Produção:
Joana Scarpelini

Edição:
Luana de Abreu

Animações:
Lucas Barreto
Peter Pires Kogl
Heitor Missias
Luis Augusto Corrêa
Gabriel Manussakis
Heloísa Kato
Luana Abreu

Camera:
Paulo Plá
Robert Nakabayashi
Tomas Viana
Gabriel Correia
Danilo Mantovani
Marcos Bruvic

Trilha Sonora:
Aécio de Souza
Mauricio de Oliveira
Luiz Romero Lacerda

Locução:
Caio Silva Ferraz

Edição de Som:
Aécio de Souza

Orientadores:
Nanci Barbosa
Flavio Brito

Orientador de Pesquisa:
Helena Werneck

Entrevistados:
Alexandre Delijaicov
Antônio Cláudio Moreira Lima e Moreira
Nestor Goulart Reis Filho
Odette Seabra
Marco Antonio Sávio
Mario Thadeu Leme de Barros
José Soares da Silva

 96 
 : 03/Julho/2011, 12:05:51 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Cinco perguntas para organizar um movimento
Rodrigo Burgarelli - O Estado de S.Paulo

Jorge Eduardo Rubies
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PRESERVA SÃO PAULO

1. Como mobilizar interessados para defender o patrimônio?
Por e-mails, telefonemas e do bom e velho corpo a corpo. Mobilização e organização são a chave do sucesso de qualquer movimento.

2. Como conquistar o apoio popular?
Por meios tradicionais, e cada vez mais pela internet. No caso do Quarteirão da Cultura (área do Itaim-Bibi que a Prefeitura quer trocar por creches), o engajamento de uma personalidade carismática como a atriz Eva Wilma ajudou a convencer.

3. É preciso ter algum conhecimento específico, como Direito e Arquitetura?
Em certos casos é imprescindível, mas o importante mesmo é a dedicação e a paciência das pessoas engajadas na causa.

4. No caso do Quarteirão da Cultura, quais foram os principais passos?
Criamos comissões temáticas, entregamos ao Ministério Público duas representações, entramos com pedido de tombamento, realizamos duas audiências públicas, diversas manifestações, vídeos para o YouTube e um estudo técnico com mais de 400 páginas.

5. A pressão política em vereadores funciona?
Gostaria de dizer que sim, mas não é isso o que tenho observado. Quando há interesses econômicos em jogo, especialmente de doadores de campanha, o eleitor fica em segundo plano.



Publicado no Site do Estadão
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080904/not_imp235923,0.php

 97 
 : 03/Julho/2011, 12:04:46 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Publicado no Estadão (22/06/2011)
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110622/not_imp735567,0.php



Cinco perguntas para organizar um movimento
Rodrigo Burgarelli - O Estado de S.Paulo

Jorge Eduardo Rubies
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PRESERVA SÃO PAULO


1. Como mobilizar interessados para defender o patrimônio?
Por e-mails, telefonemas e do bom e velho corpo a corpo. Mobilização e organização são a chave do sucesso de qualquer movimento.

2. Como conquistar o apoio popular?
Por meios tradicionais, e cada vez mais pela internet. No caso do Quarteirão da Cultura (área do Itaim-Bibi que a Prefeitura quer trocar por creches), o engajamento de uma personalidade carismática como a atriz Eva Wilma ajudou a convencer.

3. É preciso ter algum conhecimento específico, como Direito e Arquitetura?
Em certos casos é imprescindível, mas o importante mesmo é a dedicação e a paciência das pessoas engajadas na causa.

4. No caso do Quarteirão da Cultura, quais foram os principais passos?
Criamos comissões temáticas, entregamos ao Ministério Público duas representações, entramos com pedido de tombamento, realizamos duas audiências públicas, diversas manifestações, vídeos para o YouTube e um estudo técnico com mais de 400 páginas.

5. A pressão política em vereadores funciona?
Gostaria de dizer que sim, mas não é isso o que tenho observado. Quando há interesses econômicos em jogo, especialmente de doadores de campanha, o eleitor fica em segundo plano.


 98 
 : 03/Julho/2011, 12:00:22 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Publicado no Site do Estadão
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080904/not_imp235923,0.php



b]Imóvel do Barão de Bocaina foi vendido para incorporadora; associações defendem tombamento[/b]
Rodrigo Brancatelli

Sempre bem vestida, com seus olhos grandes e deveras atentos, dona Emília Mathias Serafim vive de sua memória. E sonha acordada, lembrando dos muitos e muitos causos que presenciou ao trabalhar no casarão da família do barão e da baronesa de Bocaina, na esquina da Alameda Santos com a Rua Padre João Manoel. Mal consegue segurar o sorriso e disfarçar as lágrimas. "Ai, meu filho, a vida lá era muito bonita, muito generosa", diz dona Emília, a vida inteira dedicada aos seus patrões. "Vivo da saudade de lá, das festas, das pessoas. Mas uma hora acaba, não tem jeito."

Emília Mathias Serafim, que começou a trabalhar para os Bocaina aos 14 anos como copeira, por 80 mil réis mensais, saiu de lá apenas há cerca de um mês, aos 86, quando foi despejada. Era a única moradora que restava no casarão do século 20, um dos últimos em pé na região da Avenida Paulista - mas que agora deverá ser demolido para dar lugar a um prédio da incorporadora Stan. Os vizinhos já se mobilizaram para tentar barrar a obra; tanto a associação Preserva São Paulo quanto a Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César (Samorc) entraram nesta semana com procedimento no Conselho do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) para tombar o imóvel.

"Precisamos preservar essa jóia de São Paulo, é um casarão de 1911, muito bem conservado", diz Jorge Eduardo Rubies, presidente do Preserva SP. A construtora já entrou com pedido de demolição e de aprovação de nova construção - por meio de sua Assessoria de Imprensa, a Stan disse que não se manifestaria sobre o assunto. "A região da Paulista não comporta mais um empreendimento, já estamos saturados", diz Célia Marcondes, diretora da Samorc. "O valor histórico do imóvel é incalculável, não podemos perdê-lo." Mas, como diz Emília Serafim, se o tombamento não for analisado rapidamente, o casarão "acaba, não tem jeito".

"Sou muito grata por ter crescido e trabalhado lá", conta, com muitas pausas e suspiros. "O melhor eram as festanças, sempre no dia 16 de dezembro, data do casamento dos patrões. Havia também os almoços, as recepções, os jantares luxuosos. Fiquei muito, mas muito triste quando soube que ia sair da casa, que iam demolir. Mas a gente não escolhe as coisas, Deus é quem escolhe. Tudo na vida tem um fim."

Deus é sempre mencionado por Emília, até como resultado da educação católica que recebeu no casarão. O barão e a baronesa de Bocaina - Francisco de Paula Vicente de Azevedo e Cecília Galvão Vicente de Azevedo - eram católicos fervorosos, estavam sempre às voltas de entidades beneficentes e reprovavam qualquer ação que não estivesse alinhada aos preceitos do Vaticano. Francisco morreu em 1976 , dois anos depois da amada. Mas a filha do casal, Maria Cecília Vicente de Azevedo, manteve o casarão e as vontades dos pais.

A mãe de dona Emília foi babá de Maria Cecília, fazendo parte de uma brigada de outros 15 empregados. Acabou que a garota de olhos grandes e atentos começou a trabalhar para a família, até virar governanta. Sua irmã, a perita aposentada Maria do Rosário Serafim, de 70 anos, também cresceu no casarão e serviu aos Bocaina de 1951 a 1964. Tanto Emília quanto Maria acordavam cedinho para manter uma tradição daquela casa cheia de histórias, o café dos pobres - sempre às 7h30, exceto aos domingos, mendigos apareciam no pé da porta para receber um copo de café com leite e um pão com margarina. "De 100 a 120 pedintes apareciam, sempre", diz Maria. "A dona Maria Cecília também fazia almoços para os pobres, jantar, pagava consulta no médico para quem pedia, mandava reconstruir barracão na favela quando pegava fogo. Ela sempre foi muito boa, com todos, sem ver cor ou posição social."

No aniversário de 50 anos de dona Emília, Maria Cecília mandou fazer uma festa de arromba e deu de presente um vestido de seda preto e um colar de pérolas para sua empregada e amiga. As duas sempre foram muito ligadas - todas as noites, elas sentavam sozinhas no escuro da cozinha para conversar, falar da vida, das fofocas, colocar o papo em dia. Em julho do ano passado, aos 93 anos, Maria Cecília morreu, solteira, sem herdeiros. E dona Emília ficou sozinha no casarão de muitos quartos, sem ter com quem conversar, sem ter com quem dividir as noites na cozinha.

Os herdeiros do barão e da baronesa resolveram então vender o imóvel; os bens foram divididos entre todos os parentes, e dona Emília teve de se mudar para a casa da irmã, na Praça 14 Bis, na Bela Vista, na região central. Passa os dias e noites lembrando das pessoas, das festas, das saudades. "Eu não sei muito sobre esse negócio de tombar a casa, não sei se é bom construir um prédio", diz, emocionada. "O que passou, passou. Graças a Deus, estava lá para viver aquilo."

 99 
 : 03/Julho/2011, 11:47:49 am 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Publicado no Site - Casa.com
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/cultura/conteudo_267637.shtml?func=1&pag=1&fnt=9pt



SP 454 anos - A arquitetura que marcou São Paulo



Um passeio pela cidade revela uma arquitetura eclética e multifacetada. Dos tempos da colônia aos dias de hoje, os estilos se fundem num belo mosaico de estruturas, arabescos, linhas, curvas e materiais, marcado pelo ecletismo.

Por Silvana Maria Rosso

Há pouco mais de um século a capital paulista era povoada de casas e ruas de barro que serviam de pouso aos tropeiros. Em pouco tempo, as feições da cidade foram ganhando requintes, ora para se equiparar ao Velho Continente, ora para buscar a própria identidade. Constate, aqui, essa arquitetura eclética e multifacetada.



A VILA DE BARRO
Por 300 anos, São Paulo de Piratininga foi uma cidade pobre e aquém dos estilismos dominantes da época, prevalecendo a arquitetura colonial. No início, as casas eram térreas, de paredes grossas, poucas janelas e telhado em duas ou quatro águas (de sapé e depois de telhas côncavas de barro). "O primeiro 'arquiteto' paulista foi o padre Afonso Brás, que, em meados do século 16, ampliou o Colégio Jesuíta e ergueu habitações na vila", lembra o arquiteto Benedito Lima de Toledo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Devido à falta de materiais, a taipa de pilão (barro socado entre duas pranchas de madeira) e o pau-a-pique (trama de paus preenchida com argila) foram os principais métodos construtivos. O revestimento era a tabatinga, uma areia branca encontrada no rio Tamanduateí, e o chão, de terra batida. O beiral (prolongamento da cobertura) protegia as fachadas contra a umidade da chuva.

As aberturas, retas ou arredondadas, eram de madeira ou de canga (fragmentos de minério), e as janelas fechadas por rótulas (grade de ripas) ou muxarabiês (anteparo de treliça de influência árabe). "O modo de viver mameluco determinava o programa das casas", conta Jorge Eduardo Rubies, presidente do movimento Preserva São Paulo. A área para cocção, por exemplo, era rotativa, pois o fogo mudava de lugar ao jeito indígena. Entre os séculos 17 e 19, o estilo barroco, que associa elementos curvos e retos, marcou a arquitetura religiosa, como a Igreja de Santo Antônio e o Mosteiro da Luz. "Os interiores eram rebuscados, com trabalhos em talhas e dourações, e os exteriores, mais simples que o barroco mineiro, por causa da técnica em taipa", explica a arquiteta Eunice Helena Abascal, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.



A CIDADE PRÉ-FABRICADA
No século 18, São Paulo é elevada à categoria de cidade, e as casas ganham outro andar e balcões. O geometrismo costumeiro do movimento neoclássico aparece em São Paulo no fim desse século em obras públicas, projetadas pelo engenheiro militar português João da Costa Ferreira, disseminando a arquitetura simétrica e tripartite. "São construções com volume central e duas laterais; base, corpo e coroamento", ensina o arquiteto Rafael Manzo, professor da FAU-Mackenzie. Só em meados do século 19, o estilo, considerado uma das primeira manifestações ecléticas, virou moda entre os paulistanos, chegando com ele o vidro, o tijolo, a telha plana, a platibanda vertical (escondendo o telhado), o frontão, as colunas e os balaústres.

Com o advento da ferrovia, uma nova cidade é erguida sobre o antigo pouso de tropeiros. O mesmo trem que transportava o café ao porto de Santos t razia à capital gradis, janelas, tesouras, assoalhos, mármores, vitrais... materiais novos e prontos para serem usados. "É o início da construção industrializada", diz a arquiteta Ruth Verde Zein, professora da FAU-Mackenzie.

Em 1886, a convite do Barão de Parnaíba, o engenheiro e arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo transfere-se de Campinas para a capital para planejar os edifícios das Secretarias do Estado, marcando assim a história da cidade com a introdução do ecletismo. Formado na Bélgica, "Ramos rompeu com o barroco, propondo novos estilos, condicionados ao modo de viver à francesa, a materiais importados e a uma nova mão-de-obra", ressalta o arquiteto Carlos Lemos, professor da FAU-USP. "O ecletismo é um pot-pourri que copia padrões de estilos históricos e obedece a regras formais de construção", explica Jorge Rubies. Aqui, o estilo foi predominantemente neo-renascentista por infl uência dos arquitetos e mestres-de-obras italianos que imigraram para São Paulo.



O RETORNO ÀS ORIGENS
O mesmo escritório que disseminou o internacional ecletismo historicista, o F. P. Ramos de Azevedo, também popularizou o estilo nacionalista neocolonial no início do século 20. Em 1914, durante conferência na Sociedade Cultura Artística, o engenheiro português Ricardo Severo, cunhado e sócio de Ramos, inaugura o novo movimento, em reação ao estilo praticado pelos imigrantes italianos e pelo sócio, e ao uso de materiais importados, que, com a Primeira Guerra, estavam rareando. Segundo Carlos Lemos, o engenheiro buscava uma identidade nacional nas tradições lusas, "ignorando que a matriz portuguesa havia se diluído a elementos indígenas e africanos". Para compreender como a arquitetura barroca de seus antepassados comportou-se por aqui, ele enviou copistas a Minas, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, que documentaram
desde detalhes arquitetônicos a pinturas decorativas.

Foram Felisberto Ranzini e Alfredo Borioni os desenhistas que melhor souberam interpretar a vontade de Severo, uma vez que ele não sabia desenhar. Paralelamente, em 1915, Victor Dubugras acompanhou o prefeito Washington Luiz a uma excursão pelos arredores da cidade à procura de exemplares da casa bandeirista - não se sabe se por influência ou não de Severo -, registrando pormenores e acabamentos da produção cultural da era do pilão.

Após a guerra, o arquiteto franco-argentino começa a sua arquitetura tradicionalista, depois chamada de neocolonial. Com o fim da guerra, quando se recomeçou a construir na cidade, o estilo era "o grito de modernidade", como registra Carlos Lemos. Tanto que, na Semana de Arte Moderna de 1922, a arquitetura dita moderna era a neocolonial. Constituía-se de casas alegres, entre jardins, com alvenaria de pedra, barrados de azulejos e arcadas. Depois de sua simplificação, tornou-se um estilo paulistano por excelência.



A ERA MODERNA
No início do século 20, a beleza está nos detalhes, em oposição à monumentalidade da obra, valorizada pelo historicismo acadêmico. Surge o art nouveau, corrente de origem francesa e precursora do modernismo. A arte nova recorre ao ferro, vidro, tijolo e cimento, prega a assimetria e explora os ornamentos, as curvas e as formas orgânicas. "É a busca pela liberdade estética", diz Jorge Rubies. A Vila Penteado (1902) e a Escola de Comércio Álvares Penteado (1905), do sueco Carlos Ekman, são algumas das obras que resistiram ao tempo.

O viaduto Santa Efigênia (1911), no centro, desenhado pelos italianos Giulio Michetti e Giuseppe Chiappori, é outro testemunho. Aqui, o ecletismo apropria-se de aspectos do estilo, e o Liceu de Artes Ofícios, dirigido por Ramos de Azevedo, também se destaca pela produção de elementos art nouveau. O Castelinho na Bela Vista (1907), do italiano Giuseppe Sacchetti, ilustra a mistura.

A partir dos anos 20, as formas geométricas e o design abstrato predominam. O art déco, um estilo de transição com matriz clássica também proveniente da França, atinge a capital. A estrutura já é de concreto armado, permitindo grandes vãos, e os revestimentos de materiais nobres. "O déco mescla técnicas construtivas industriais e decorativas artesanais", destaca Jorge. Seu maior representante é Elisiário da Cunha Bahiana, autor de várias obras, como o Edifício Mappin Stores, o viaduto do Chá e o Jocquey Club (todos de 1935), entre muitos outros.

O refinamento de acabamentos e detalhes construtivos da escola podem ser conferidos no Banco de São Paulo (1935), planejado pelo argentino Álvaro Botelho sob encomenda da família Almeida Prado. Nos anos 30, com o getulismo, espalham-se pela cidade edifícios de organização clássica despidos dos elementos decorativos, chamada de tardo-fascista, a exemplo do prédio da prefeitura (1939), projetado pelo italiano Marcello Piacentini.



MODO DE VIDA CONTEMPORÂNEO
A década de 20 constituiu-se de anos indefinidos. Com a industrialização, a casa virou a máquina de morar. "Foi um momento de refl exão sobre como deveria ser o habitar contemporâneo", afirma Ruth Verde Zein. Enquanto o neocolonial tornava-se o estilo do povo, o ecletismo renovava-se eliminando o ranço historicista e se adequando ao concreto armado, e as casas de estilo normando, de alvenaria de tijolo e telhadinho, começavam a salpicar o Jardim América, o déco de inspiração cubista anunciava os novos tempos.

Influenciados pelas idéias da escola alemã Bauhaus e do arquiteto francosuíço Le Corbusier, que propugnavam uma arquitetura funcional e despojada, alguns profi ssionais ensaiam em suas pranchetas os primeiros traços em linhas puras. Caso do ucraniano Gregori Warchavchik, que nos lega a primeira casa modernista (1926). Flávio de Carvalho entra na história com a sua vila para aluguel (1928) na alameda Lorena, com casas que vinham até com modo de usar.

Os anos 30 foram definitivos para o amadurecimento da arquitetura moderna brasileira. Le Corbusier veio ao Rio de Janeiro para comandar a equipe que iria projetar o Ministério da Educação e Saúde, de onde saíram expoentes do modernismo como Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy, que deixaram obras em São Paulo. Nos anos 40, planta e fachada livres, pilotis, terraço-jardim e janelas horizontais tornaram-se os mandamentos de nossos arquitetos modernistas. "Nas décadas seguintes, a arquitetura paulista mostrou forte presença dos princípios modernos com derivações de autor", avalia Eunice Helena Abascal. Para Ruth, o século 20 foi marcado por tendências: "Pequenas ondas que vão e vêm". E, entre os anos 70 e 80, foi a hora de rever as falhas da arquitetura moderna, até então experimentalista. "A industrialização dos componentes, antes artesanais, possibilitou-nos fazer a boa arquitetura", conclui.

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 : 03/Julho/2011, 11:43:31 am 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Publicado no Site do Estadão (16/07/2007)
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,conselho-deve-conciliar-historia-e-verticalizacao-da-mooca,19546,0.htm



Conselho deve conciliar história e verticalização da Mooca
Conpresp vota na terça-feira dois projetos: um com prédios na área industrial e outro de veto

Sérgio Duran, do Estadão

O Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) deve optar por um meio-termo entre restringir a construção de edifícios na região do Moinho Santo Antônio, na Mooca, na zona leste da capital, e o projeto de verticalizar aquela parte do bairro.   

Previstas para o início de julho, as votações sobre o projeto de condomínios residenciais no local e a proposta de restrição à verticalização devem ser apreciadas na terça-feira, 17, pelos sete conselheiros municipais. 

Segundo o Estado, os técnicos que dão suporte ao conselho costuram uma terceira proposta de conciliação, que não exclua totalmente a possibilidade de construir prédios na região, mas que mantenha o traçado original das ruas e também todas as construções de importância histórica.

 Na manhã de domingo, arquitetos e militantes do bairro que são contra os conjuntos de prédios fizeram um abraço simbólico ao Moinho.  "O evento foi muito bom. Conseguimos reunir em torno de 60 pessoas, entre elas moradores, arquitetos e também o Superintendente da Associação Comercial Distrital Mooca (Antônio Viotto Netto)", contou Elisabete Florido da Silva, que participa da Associação dos Moradores e Amigos da Mooca (Amo a Mooca) e da Associação Preserva São Paulo. 
"Foi uma oportunidade para discutirmos a verticalização desenfreada que está acontecendo. O nosso bairro está perdendo a característica bairrista. Estamos otimistas para a votação de amanhã, não só pelo evento, mas pela mobilização que vem ocorrendo para o tombamento da malha ferroviária", afirmou.   

Já as construtoras Quality e Stan têm a seu favor as manifestações públicas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), do subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, e da presidente da associação de moradores do bairro, Crescenza de Neves. Assinado pelo arquiteto e ex-presidente da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), Gianfranco Vanucchi, o projeto de construção de quatro torres residenciais, de 20 andares cada uma, e de uma praça com o Moinho restaurado no meio, está parado no Conpresp à espera de votação há mais de dois anos.   
"Não quero entrar no mérito ou não da necessidade do tombamento ou da importância histórica porque assumi o trabalho tendo em mãos o diagnóstico feito por outra especialista, mas acho considerável a oportunidade que se tem de restaurar e manter o Moinho, oferecida por esses empreendedores", diz Vanucchi. A Quality e a Stan se propõem a recuperar a parte mais importante do Moinho, construir uma praça no entorno e entregar esse equipamento para a Prefeitura administrar depois.   

A arquiteta Helena Saia, cuja tese de mestrado pela Universidade de São Paulo é sobre arquitetura industrial da capital, foi a especialista contratada pelas construtoras. Saia propõe a manutenção apenas do prédio do Moinho. "Em uma fazenda de café, você tem o cafezal, a casa grande e o terreiro, onde o café era seco e os grãos separados. O que mais interessa preservar quando a memória da produção é a que está em jogo? Da mesma forma, é o moinho a parte mais importante do conjunto. A maioria dos galpões ao redor são construções secundárias, algumas de épocas diferentes", considera a arquiteta. "Galpões funcionam como edículas da cidade."   

As historiadoras Manoela Rufinoni e Cristina Meneguello, da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Campinas (Unicamp), respectivamente, e os arquitetos Giancarlo Bertini e Fernanda Valentin pensam o contrário. Para eles, o conjunto industrial remonta ao início da industrialização de São Paulo, no século 19. Os quatro especialistas defendem, em um documento, que é importante manter até o desenho e a distribuição dos imóveis porque o conjunto influenciou a forma como a capital foi ocupada depois.   

Esse trabalho serviu de base para outro projeto que será apreciado pelo Conpresp. Dessa vez, indicando o veto à construção de condomínios verticais na região encerrada pelas Ruas da Mooca e Borges Figueiredo, pelo Viaduto São Carlos e pela Avenida Presidente Wilson.   Outras propostas parecidas foram aprovadas em junho para o entorno do Museu do Ipiranga e para o Parque da Aclimação, na zona sul. Dessa vez, porém, o mapa com a delimitação da área onde os prédios seriam vetados não foi mostrado antes da sessão.   

A reportagem do Estado ouviu de dois conselheiros, que não quiseram se identificar, que a proposta da Mooca era a mais radical das três, e que portanto deveria passar por algumas modificações para que não tornasse totalmente inviável a construção de prédios na região do Moinho. 

O grupo que defende o veto aos prédios na Mooca propõe transformar o conjunto de galpões em uma região parecida com a Lapa, no Rio de Janeiro: um imenso parque linear pontuado por equipamentos culturais, que seriam instalados nos imóveis históricos restaurados. Os arquitetos defendem ainda que o local não deve ser ocupado por ter possivelmente o solo contaminado.

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