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 : 08/Julho/2011, 10:38:05 am 
Iniciado por Jorge - Última Mensagem: por Jorge
Artigo publicado na Folha de S. Paulo do dia de hoje

TENDÊNCIAS/DEBATES

Imobiliária Prefeitura S.A.

JORGE EDUARDO RUBIES


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Com a venda do "quarteirão da cultura", os políticos de nosso município perderam mais uma chance de mostrar que estão realmente a serviço do cidadão
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Em meio ao festival de leis absurdas, inconsequentes e patéticas de autoria do Executivo, aprovadas a toque de caixa pela Câmara Municipal de São Paulo às vésperas do recesso de julho, é difícil apontar qual é a mais contrária ao interesse público, mas a venda do "quarteirão da cultura" do Itaim Bibi desponta como uma das favoritas.
Votada na calada da noite (às 23h30!), essa lei oferece de repasto à farra imobiliária -que dá sinais de iminente colapso- um oásis de beleza e paz num dos bairros mais áridos e congestionados da cidade.
Concebido nos anos 50 de acordo com o conceito de escola-parque, revolucionário até hoje, o "quarteirão da cultura" é um terreno municipal de 20 mil m2 com a maior densidade arbórea do Itaim.
Ele congrega quase todos os serviços públicos da região -duas escolas, teatro, biblioteca, creche, unidade da Apae, posto de saúde e Centro de Atenção Psicossocial-, reconhecidos por sua excelência e que atendem diariamente a milhares de usuários, sendo que alguns dos prédios foram recentemente reformados e reinaugurados com fanfarra pelo próprio prefeito.
O pretexto para sua venda e consequente destruição é a construção de 200 creches, o que não passa de uma farsa pessimamente encenada, pois dinheiro é o que não falta para tanto, a começar por verbas federais e estaduais disponibilizadas para a prefeitura e não utilizadas.
Sem falar no fabuloso Orçamento municipal de R$ 35 bilhões, suficiente para cumprir essa e todas as outras promessas de campanha do prefeito, desde que utilizado com um mínimo de eficiência.
De fato, é inacreditável que a prioridade da prefeitura seja a venda do quarteirão, e não o corte de parte das cerca de 30 secretarias municipais, das centenas de cargos em comissão, da verba para propaganda oficial (superior a R$ 100 milhões em 2010) ou dos R$ 191 milhões gastos em consultorias (que a Folha noticiou nesta semana)...
A pá de cal na farsa foi dada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que esclareceu que a eventual venda desse e de outros nove terrenos municipais só pode servir ao pagamento de precatórios.
E apesar disso, da abertura de processo de tombamento do quarteirão pelo Condephaat -que reconheceu o relevante valor histórico, urbanístico, paisagístico, ambiental e social do local-, do repúdio de grande parte da população do bairro e da sociedade à iniciativa, expresso em abaixo-assinado com 12 mil assinaturas, de um abraço no quarteirão que reuniu mais de mil pessoas e de diversos atos e manifestações, a prefeitura e a Câmara insistem na ideia.
Enfim, estamos sempre prontos a debater com as autoridades municipais acerca de nossa convicção da lesividade da venda do quarteirão, convite por elas declinado nas duas audiências públicas convocadas para discutir o assunto.
Não entrarei nos detalhes sórdidos, como a pressão a funcionários municipais que aderiram ao Movimento SOS Quarteirão do Itaim, mas vale sempre lembrar que o prefeito e mais de 20 vereadores da cidade chegaram a ser cassados em primeira instância pelo recebimento de doações ilegais provenientes de uma entidade de fachada do setor imobiliário.
Com a aprovação desse e dos outros projetos, os políticos do município perderam mais uma oportunidade de mostrar que estão realmente a serviço do cidadão, e não dos doadores de campanha.
Isso num momento em que, no mundo inteiro, a paciência do povo com seus supostos representantes começa a se esgotar. Afinal, a Grécia, a Espanha e o Egito também são, ou haverão de ser, aqui.

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JORGE EDUARDO RUBIES é presidente da Associação Preserva São Paulo, coordenador do Movimento SOS Quarteirão do Itaim e coordenador-geral da União de Movimentos contra a Especulação Imobiliária e pela Ética na Política.

 92 
 : 04/Julho/2011, 03:15:07 am 
Iniciado por Jorge - Última Mensagem: por Jorge
Prezados amigos:

Reitero o pedido para que compareçam na galeria da Câmara Municipal (Viaduto Jacareí, ao lado do Terminal Bandeira de ônibus e da Estação Anhangabaú) nesta segunda, a partir das 10 horas, pois  será a votação final de inúmeros projetos contrários ao povo de São Paulo, entre eles os vergonhosos PLs 25 (túnel Água Espraiada, uma obra faraônica de 3 bilhões de reais só para automóveis, absolutamente desnecessária e que vai destruir um bairro inteiro), e 271 (venda do Quarteirão da Cultura do Itaim).

Não há nenhuma previsão do horário das votações, podendo tanto ser de manhã quanto à noite - eles votam quando percebem que tem pouca gente na galeria. Assim, para quem não puder ficar durante muito tempo, pedimos pelo menos que dêem uma passada no horário que lhes for mais conveniente (podendo inclusive ser à noite, embora haja o risco de os projetos já teresm sido votados).

Vale a pena ir pelo menos para conhecer um dos lugares mais sujos que existem na face da terra. Aqueles que vêem o que acontece lá não saem os mesmos.

 93 
 : 03/Julho/2011, 12:24:38 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Revista São Paulo - Folha de S.Paulo
O iluminado - Dono de ateliê viu demanda por neons subir 60% em quatro anos

Boa parte dos letreiros luminosos que abrilhantam a rua Augusta ou o Bexiga saiu de um pequeno espaço no segundo piso do número 65 da rua General Osório, na região central. É ali que está instalada há mais de 30 anos a Neon Três Estações.

Edvar Ferreira Silva, 39, o dono, diz que nunca teve outra profissão. "Faço isso há 25 anos. Só sei dar a luz", brinca. Mas as coisas no seu laboratório -como ele chama o lugar- mudaram bastante nos últimos quatro anos. Sua produção, antes limitada a padarias, prostíbulos, motéis e sex shops, aumentou 60% nesse período. "Oneon virou 'hype'. É procurado por gente criativa e moderna."

Um dos pioneiros dessa nova clientela foi o estilista Marcelo Sommer. "Fiz um disco voador para um desfile dele no Morumbi Fashion [antigo nome da São Paulo Fashion Week]. Depois, o pessoal da moda adotou o brilho." Hoje, Edvar atende bares, artistas, arquitetos e grandes empresas.

Dois fatores que ajudaram a popularizar o neon, segundo ele, foram a Lei Cidade Limpa e a revitalização da região da Augusta. O luminoso, avalia, virou uma maneira de os comerciantes chamarem a atenção do público em dimensões mais modestas.

No laboratório, onde manipula metros de vidro, argônio e neônio, o maçarico é o mesmo de quando aprendeu o ofício com o tio. "Somos a segunda geração do neon nesta casa. Meu tio começou o negócio há 36 anos."

Waldomiro Ferreira, o tio, aprendeu a mexer nas tiras de vidro nos anos 1940, quando notou que os vizinhos italianos faziam luminosos vestindo terno e gravata. "Ele achava chique", conta o sobrinho. Waldomiro pediu para fazer faxina no ateliê e saiu de lá um perito no assunto.

Igual a tatuagem
Entre os atuais clientes ilustres, estão o bar Volt, as galerias Mendes Wood e Melissa, as lojas Ellus, C&A e Colcci e, claro, a grife Neon. A Coca-Cola também. "Foi um logotipo difícil de fazer. A letra é muito sinuosa."

Outra grande demanda vem de artistas como Rick Castro, Maurício Ianês e Kleber Matheus e do arquiteto Marcelo Rosembaum, que encomenda detalhes de decoração.

"Meu primeiro contato com o neon foi na publicidade. Depois, passei a construir objetos para presentear amigos. Fez tanto sucesso que acabou virando a matéria-prima das minhas instalações", diz o diretor de arte Kleber Matheus, conhecido pelas obras geométricas e nada discretas.

"Neon é igual a tatuagem: você faz o primeiro e não consegue mais parar", conta Fábio Luciano, 37, que ajuda Edvar a instalar os luminosos. Por lá, a turma já fez quase tudo brilhar. "Um cliente pediu um pênis em neon de quase dois metros para o quarto dele", lembra Edvar. Uma peça simples com cerca de 40 centímetros custa por volta de R$ 250.

E o que ele não aguenta mais fabricar? "A palavra 'aberto'. Já produzi mais de 500. Estão piscando pela cidade toda", desabafa.

produção artesanal

Saiba como um neon é feito
1. O cliente envia um modelo da peça ao ateliê
2. O vidro vem de fábrica em barras de 1,5 m
3. As barras são moldadas com o maçarico a 350°C
4. Eletrodos são colocados nas pontas da peça
5. O oxigênio é retirado do tubo com uma bomba de vácuo. O resto é queimado com o auxílio de um transformador
6. Os gases neônio e argônio são injetados no vidro com ampolas de gás comprimido
7. Para o efeito vermelho, usa-se o neônio. Para o azul, o argônio. Para as demais cores, o vidro é pintado
8. O gás reage com o eletrodo e acende

Eliana Finkelstein, dona da galeria Vermelho, afirma que há dois anos notou um aumento do uso do neon nas obras de arte contemporânea. "Na feira Art Basel Miami Beach, uma das maiores do mundo, o material foi bastante utilizado. O volume chegou a chamar a atenção. Talvez o fenômeno esteja ligado ao retorno do minimalismo, um movimento que mexe com a luz."



Publicado na Revista São Paulo - Folha de S.Paulo (03/07/2011)
http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp0307201108.htm

 94 
 : 03/Julho/2011, 12:22:17 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Revista da Folha - "Não tem ninguém flanando pela cidade"
NANDO OLIVAL, diretor publicitário e de cinema
Publicitário diz que bairros são pouco explorados por pessoas e por filmes

ANDRÉ LOBATO

Diretor do clipe-comercial da música "Eduardo e Mônica", que fez sucesso recentemente na internet, Nando Olival, 47, reclama das dificuldades de filmar na cidade.

"Demora para a gente se locomover. Às vezes, precisamos duplicar a equipe", diz ele, que usou, na propaganda, cenários como o bar Z Carniceria e o Lions Club, ambos no centro.

Na produtora O2 há 20 anos, Nando também é responsável pela propaganda em que Gisele Bündchen aparece como uma dona de casa rejeitada e codirigiu, com Fernando Meirelles, o filme "Domésticas".

Em novembro, ele lança seu primeiro longa solo, "0s 3", sobre o amor e a amizade entre três jovens.

Como é filmar em São Paulo?
É difícil fazer cenas em vários pontos da cidade porque demora para a gente se locomover. Então, às vezes, precisamos quase duplicar a equipe. Nas gravações de "Eduardo e Mônica", enquanto eu rodava, o diretor de arte ia na frente, para preparar a próxima locação.

O amor do casal cabe na cidade?
A música é sobre como duas pessoas muito diferentes podem se encontrar e se apaixonar. São Paulo está mais favorável a essa letra do que qualquer outra cidade. Aqui, muitas tribos se encontram na mesma festa.

SP é da publicidade ou do cinema?
Usamos muito pouco a cidade. Somos muito clichês. Não só no longa-metragem, mas principalmente no filme publicitário. Não falamos dos botecos do Bom Retiro, do Brás. O cinema não se apropriou da cidade. Teve uma época em que pensei em fazer uma lista de locações e enviar para as produtoras. Os angolanos e os coreanos ainda não estão bem retratados.

Qual é o espírito da cidade?
Acho que é essa pinta de estar sempre ocupado. O paulistano tem de transparecer isso. Não tem ninguém flanando pela cidade. Aqui, parece que você está sempre defasado, não viu aquela peça, não tomou aquele drinque... Está sempre seis passos atrás do que a civilização está fazendo. Flanar faz falta "pacas".

Sobre o que é seu novo filme?

Três caras descartados de suas famílias que se encontram aqui. Mudar de cidade tem muito a ver com São Paulo. O filme fala do ritual de passagem do amor, da amizade.

Gostaria de fazer algo mais autoral?

Quero achar a cor da cidade. Qual a paleta daqui? Não é o preto e branco de Nova York, o ensolarado do Rio nem as cores quentes de Salvador. São Paulo tenta ser a Nova York dos executivos. Mas não é. É esse "melê" [confusão].



Publicado na Revista da Folha (03/07/2011)

http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp0307201106.htm


 95 
 : 03/Julho/2011, 12:20:14 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Diretor Toni Venturi fala sobre o amor e a loucura de SP
JULIANA VAZ
DE SÃO PAULO

Crônica da solidão na metrópole, o filme retrata as desventuras que a jovem Carmem (Leandra Leal) enfrenta na transição para a vida adulta, e flagra a cidade nos lugares onde ela é mais cinematográfica: o centro pulsante, a Estação da Luz, o Copan.

Leia abaixo uma entrevista com o diretor, um paulistano nascido há 55 anos no bairro de Cerqueira César.

No filme, a toda hora se ouve que "o medo deixa as pessoas mais egoístas". É o caso dos paulistanos?
Há algumas semanas atrás fui vítima de um assalto em São Paulo. A produtora foi arrombada, levaram alguns laptops. Somos humanos, sentimos medo. Depois do assalto pensei muito antes de transformar meu espaço de trabalho numa fortaleza. Fui comedido, só reforçamos a segurança. Mas os outros medos, de não se entregar ao amor, de não reconhecer o outro e respeitar as diferenças são muito mais nocivos. É um desafio viver numa megalópole e não se fechar para o mundo, como faz a médica Carmem (Leandra Leal), quando sua vida vira de cabeça para baixo. Mas ela saca que isto tem cura.

Qual é o melhor lugar para ver o céu em São Paulo?
Cada paulistano deve ter o "seu" lugar. Gosto do subir no alto dos edifícios, nos telhados e skylights, principalmente o do Copan.

Onde todos podem "estar juntos" na cidade?
No início das filmagens a diretora de arte Renata Pinheiro propôs para a abertura duas imagens em paralelo: uma foto aérea de São Paulo e uma angiografia que mostrava as veias e artérias se cruzando. São Paulo é um organismo vivo. Alagamento no Morumbi afeta o trânsito de Itaquera. E para o bem e para o mal estamos juntos nas cidades, então, vamos fazer a vida na urbe uma vivência mais prazerosa.

Quais são "os riscos e as glórias do anonimato"?
Riscos: morrer de morte besta. Uma bala perdida, um tijolo que cai na cabeça do alto de uma construção ou de ataque cardíaco, quietinho, num banco do metrô às 6 da manhã e só ser notado no final da noite.

Glória: voyeurismo. Os famosos não podem curtir as coisas mais simples e mundanas como andar na rua a esmo, entrar e sair de onde quiser, dar um beijo em seu amorzinho em público...

O que já devia ter saído de cena na cidade?
A miséria dura dos habitantes das ruas e sarjetas, o trânsito insuportável e a poluição.

Os personagens principais do filme vêm de outros lugares (do Estado do Rio e da Argentina). Por que São Paulo atrai tanta gente de fora?
São Paulo pulsa oportunidades de trabalho, amor e loucura.

Qual é a sua relação com o Movimento Sem-Teto do Centro?
Uma relação de amorosidade, amizade e respeito. Existe coisa mais dura que não ter um teto? Quem não tem casa, não tem identidade. Em 2007, fiz o documentário "Dia de Festa", sobre as mulheres e os ideais do movimento. Uma experiência marcante que me fez inserir o MSTC na narrativa de "Estamos Juntos".

Onde mais você moraria, se não fosse aqui?
Por um período, na Amazônia. Tenho viajado muito no Brasil profundo, pesquisando um novo projeto. Lá, no convés de um barco, navegando pelos rios, senti fazer parte de todo o cosmos.

Você frequenta os cinemas de rua da cidade? Que acha do fechamento do tradicional Cine Belas Artes, na Consolação?
É pena ver os espaços do cinema de bairro fechando e migrando para os templos do consumo (shoppings). Se não tomarmos cuidado em pouco tempo não andaremos mais nas ruas, indo direto dos carros para os espaços fechados do trabalho ou do lazer. Temos que resgatar o prazer de curtir a vida que pulsa nas ruas.



Publicado na Folha.com (05/06/2011)
http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/923380-diretor-toni-venturi-fala-sobre-o-amor-e-a-loucura-de-sp.shtml

 96 
 : 03/Julho/2011, 12:17:00 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
"Casas-museus têm vida e muita personalidade"
FLAVIA LIZ DI PAOLO, guia de turismo, indica casas que se tornaram museus

"Desde que nasci, minha missão é mostrar o Brasil por meio de São Paulo", afirma Flavia Liz Di Paolo. Fluente em italiano, espanhol, inglês, alemão e francês, a guia apresenta a cidade a executivos, políticos e artistas. As casas-museus são seus lugares preferidos.

Nesses espaços, reflete, é possível vivenciar não só as obras de arte, os objetos de decoração e a arquitetura de uma época mas também o estilo de vida dos proprietários. "Esse tipo de casa tem vida e muita personalidade." (ANDRÉ LOBATO)

Guilherme de Almeida
"É um museu literário e biográfico. O dono foi um dos mentores da Semana de Arte Moderna de 1922 e fez o brasão do município. Lá tem obras de Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti."
R. Macapá, 187, Perdizes, zona oeste, tel. 3673-1883. Ter. a dom.: 10h às 17h. Grátis

Fundação Ema Gordon Klabin
"O jardim projetado por Burle Marx é um charme. Todos os sábados tem concerto. Tem gravuras do Rembrandt e arte brasileira dos séculos 18 e 19."
R. Portugal, 43, Jardim Europa, zona oeste. Ter. a sex.: 10h às 17h. Sáb. e dom.: após as 14h. Agende a visita pelo e-mail agendamento@emaklabin.org.br ou pelo tel. 3062-5245. Entrada: R$ 10.

Casa de Vidro de Lina Bo Bardi
"A casa, toda de vidro, é 'treslumbrante'! Recebo arquitetos que vêm à cidade apenas para conhecer o trabalho dela."
R. Bandeirante Sampaio Soares, 420, Morumbi, zona sul, tel. 3744-9902. R$ 10. Seg. a sex.: 9h às 15h. Agende visitas pelo institutobardi@institutobardi.com.br

Museu Lasar Segall
"Criada pelo arquiteto russo Gregori Warchavchik, a casa tem poucas coisas intactas, mas é bárbara. Tem obras do próprio Segall, um cinema, café com Wi-Fi e uma vasta agenda cultural."
R. Berta, 111, Vila Mariana, zona oeste, tel. 5574-7322. Ter. a sáb. e feriados: 14h às 19h. Dom.: 14h às 18h. Grátis



Publicado na Revista da Folha de S.Paulo (19/06/2011)

http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp1906201107.htm

 97 
 : 03/Julho/2011, 12:10:55 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Entre Rios conta de modo rápido a história de São Paulo e como essa está totalmente ligada com seus rios. Muitas vezes no dia-a-dia frenético de quem vive São Paulo eles passam desapercebidos e só se mostram quando chove e a cidade pára. Mas não sinta vergonha se você não sabe onde encontram esses rios! Não é sua culpa! Alguns foram escondidos de nossa vista e outros vemos só de passagem...



Vale a pena conferir!
http://vimeo.com/14770270

O video foi realizado em 2009 como trabalho de conclusão de Caio Silva Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini no curso em Bacharelado em Audiovisual no SENAC-SP, mas contou com a colaboração de várias pessoas que temos muito a agradecer.

Direção:
Caio Silva Ferraz

Produção:
Joana Scarpelini

Edição:
Luana de Abreu

Animações:
Lucas Barreto
Peter Pires Kogl
Heitor Missias
Luis Augusto Corrêa
Gabriel Manussakis
Heloísa Kato
Luana Abreu

Camera:
Paulo Plá
Robert Nakabayashi
Tomas Viana
Gabriel Correia
Danilo Mantovani
Marcos Bruvic

Trilha Sonora:
Aécio de Souza
Mauricio de Oliveira
Luiz Romero Lacerda

Locução:
Caio Silva Ferraz

Edição de Som:
Aécio de Souza

Orientadores:
Nanci Barbosa
Flavio Brito

Orientador de Pesquisa:
Helena Werneck

Entrevistados:
Alexandre Delijaicov
Antônio Cláudio Moreira Lima e Moreira
Nestor Goulart Reis Filho
Odette Seabra
Marco Antonio Sávio
Mario Thadeu Leme de Barros
José Soares da Silva

 98 
 : 03/Julho/2011, 12:05:51 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Cinco perguntas para organizar um movimento
Rodrigo Burgarelli - O Estado de S.Paulo

Jorge Eduardo Rubies
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PRESERVA SÃO PAULO

1. Como mobilizar interessados para defender o patrimônio?
Por e-mails, telefonemas e do bom e velho corpo a corpo. Mobilização e organização são a chave do sucesso de qualquer movimento.

2. Como conquistar o apoio popular?
Por meios tradicionais, e cada vez mais pela internet. No caso do Quarteirão da Cultura (área do Itaim-Bibi que a Prefeitura quer trocar por creches), o engajamento de uma personalidade carismática como a atriz Eva Wilma ajudou a convencer.

3. É preciso ter algum conhecimento específico, como Direito e Arquitetura?
Em certos casos é imprescindível, mas o importante mesmo é a dedicação e a paciência das pessoas engajadas na causa.

4. No caso do Quarteirão da Cultura, quais foram os principais passos?
Criamos comissões temáticas, entregamos ao Ministério Público duas representações, entramos com pedido de tombamento, realizamos duas audiências públicas, diversas manifestações, vídeos para o YouTube e um estudo técnico com mais de 400 páginas.

5. A pressão política em vereadores funciona?
Gostaria de dizer que sim, mas não é isso o que tenho observado. Quando há interesses econômicos em jogo, especialmente de doadores de campanha, o eleitor fica em segundo plano.



Publicado no Site do Estadão
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080904/not_imp235923,0.php

 99 
 : 03/Julho/2011, 12:04:46 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Publicado no Estadão (22/06/2011)
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110622/not_imp735567,0.php



Cinco perguntas para organizar um movimento
Rodrigo Burgarelli - O Estado de S.Paulo

Jorge Eduardo Rubies
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PRESERVA SÃO PAULO


1. Como mobilizar interessados para defender o patrimônio?
Por e-mails, telefonemas e do bom e velho corpo a corpo. Mobilização e organização são a chave do sucesso de qualquer movimento.

2. Como conquistar o apoio popular?
Por meios tradicionais, e cada vez mais pela internet. No caso do Quarteirão da Cultura (área do Itaim-Bibi que a Prefeitura quer trocar por creches), o engajamento de uma personalidade carismática como a atriz Eva Wilma ajudou a convencer.

3. É preciso ter algum conhecimento específico, como Direito e Arquitetura?
Em certos casos é imprescindível, mas o importante mesmo é a dedicação e a paciência das pessoas engajadas na causa.

4. No caso do Quarteirão da Cultura, quais foram os principais passos?
Criamos comissões temáticas, entregamos ao Ministério Público duas representações, entramos com pedido de tombamento, realizamos duas audiências públicas, diversas manifestações, vídeos para o YouTube e um estudo técnico com mais de 400 páginas.

5. A pressão política em vereadores funciona?
Gostaria de dizer que sim, mas não é isso o que tenho observado. Quando há interesses econômicos em jogo, especialmente de doadores de campanha, o eleitor fica em segundo plano.


 100 
 : 03/Julho/2011, 12:00:22 pm 
Iniciado por Tatiane Cornetti - Última Mensagem: por Tatiane Cornetti
Publicado no Site do Estadão
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080904/not_imp235923,0.php



b]Imóvel do Barão de Bocaina foi vendido para incorporadora; associações defendem tombamento[/b]
Rodrigo Brancatelli

Sempre bem vestida, com seus olhos grandes e deveras atentos, dona Emília Mathias Serafim vive de sua memória. E sonha acordada, lembrando dos muitos e muitos causos que presenciou ao trabalhar no casarão da família do barão e da baronesa de Bocaina, na esquina da Alameda Santos com a Rua Padre João Manoel. Mal consegue segurar o sorriso e disfarçar as lágrimas. "Ai, meu filho, a vida lá era muito bonita, muito generosa", diz dona Emília, a vida inteira dedicada aos seus patrões. "Vivo da saudade de lá, das festas, das pessoas. Mas uma hora acaba, não tem jeito."

Emília Mathias Serafim, que começou a trabalhar para os Bocaina aos 14 anos como copeira, por 80 mil réis mensais, saiu de lá apenas há cerca de um mês, aos 86, quando foi despejada. Era a única moradora que restava no casarão do século 20, um dos últimos em pé na região da Avenida Paulista - mas que agora deverá ser demolido para dar lugar a um prédio da incorporadora Stan. Os vizinhos já se mobilizaram para tentar barrar a obra; tanto a associação Preserva São Paulo quanto a Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César (Samorc) entraram nesta semana com procedimento no Conselho do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) para tombar o imóvel.

"Precisamos preservar essa jóia de São Paulo, é um casarão de 1911, muito bem conservado", diz Jorge Eduardo Rubies, presidente do Preserva SP. A construtora já entrou com pedido de demolição e de aprovação de nova construção - por meio de sua Assessoria de Imprensa, a Stan disse que não se manifestaria sobre o assunto. "A região da Paulista não comporta mais um empreendimento, já estamos saturados", diz Célia Marcondes, diretora da Samorc. "O valor histórico do imóvel é incalculável, não podemos perdê-lo." Mas, como diz Emília Serafim, se o tombamento não for analisado rapidamente, o casarão "acaba, não tem jeito".

"Sou muito grata por ter crescido e trabalhado lá", conta, com muitas pausas e suspiros. "O melhor eram as festanças, sempre no dia 16 de dezembro, data do casamento dos patrões. Havia também os almoços, as recepções, os jantares luxuosos. Fiquei muito, mas muito triste quando soube que ia sair da casa, que iam demolir. Mas a gente não escolhe as coisas, Deus é quem escolhe. Tudo na vida tem um fim."

Deus é sempre mencionado por Emília, até como resultado da educação católica que recebeu no casarão. O barão e a baronesa de Bocaina - Francisco de Paula Vicente de Azevedo e Cecília Galvão Vicente de Azevedo - eram católicos fervorosos, estavam sempre às voltas de entidades beneficentes e reprovavam qualquer ação que não estivesse alinhada aos preceitos do Vaticano. Francisco morreu em 1976 , dois anos depois da amada. Mas a filha do casal, Maria Cecília Vicente de Azevedo, manteve o casarão e as vontades dos pais.

A mãe de dona Emília foi babá de Maria Cecília, fazendo parte de uma brigada de outros 15 empregados. Acabou que a garota de olhos grandes e atentos começou a trabalhar para a família, até virar governanta. Sua irmã, a perita aposentada Maria do Rosário Serafim, de 70 anos, também cresceu no casarão e serviu aos Bocaina de 1951 a 1964. Tanto Emília quanto Maria acordavam cedinho para manter uma tradição daquela casa cheia de histórias, o café dos pobres - sempre às 7h30, exceto aos domingos, mendigos apareciam no pé da porta para receber um copo de café com leite e um pão com margarina. "De 100 a 120 pedintes apareciam, sempre", diz Maria. "A dona Maria Cecília também fazia almoços para os pobres, jantar, pagava consulta no médico para quem pedia, mandava reconstruir barracão na favela quando pegava fogo. Ela sempre foi muito boa, com todos, sem ver cor ou posição social."

No aniversário de 50 anos de dona Emília, Maria Cecília mandou fazer uma festa de arromba e deu de presente um vestido de seda preto e um colar de pérolas para sua empregada e amiga. As duas sempre foram muito ligadas - todas as noites, elas sentavam sozinhas no escuro da cozinha para conversar, falar da vida, das fofocas, colocar o papo em dia. Em julho do ano passado, aos 93 anos, Maria Cecília morreu, solteira, sem herdeiros. E dona Emília ficou sozinha no casarão de muitos quartos, sem ter com quem conversar, sem ter com quem dividir as noites na cozinha.

Os herdeiros do barão e da baronesa resolveram então vender o imóvel; os bens foram divididos entre todos os parentes, e dona Emília teve de se mudar para a casa da irmã, na Praça 14 Bis, na Bela Vista, na região central. Passa os dias e noites lembrando das pessoas, das festas, das saudades. "Eu não sei muito sobre esse negócio de tombar a casa, não sei se é bom construir um prédio", diz, emocionada. "O que passou, passou. Graças a Deus, estava lá para viver aquilo."

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