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Autor Tópico: O mosaico de Portinari no prédio de Niemeyer  (Lida 3471 vezes)
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Gabriel
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« : 08/Outubro/2008, 02:33:46 am »

O mosaico de Portinari no prédio de Niemeyer
Faculdades vão revitalizar obra de 250 m², em processo de degradação

Eduardo Reina



No universo de obras-primas deixadas por Cândido Portinari, a cidade de São Paulo tem um pequeno e raro acervo. Um dos poucos mosaicos está em processo de degradação - apesar de muitos nem saberem que ele existe. O mestre de Brodósqui criou um mosaico com quase 250 metros quadrados, no início da década de 50, na parede interna do Edifício e Galeria Califórnia, na Rua Barão de Itapetininga, região central. Esse trabalho, por muitos esquecido dentro de outro patrimônio histórico - de autoria de Oscar Niemeyer e Carlos Lemos -, deve passar por um processo de restauro até o fim deste ano.

Segundo estudiosos em arte, se trata de um mosaico raríssimo, classificado como abstrato, em função de uma linguagem pouco usual na obra do pintor. No Califórnia, as pastilhas são de vidro de 2 por 2 centímetros em tons de cinza, preto e vermelho. A assinatura de Portinari está no canto inferior direito, feita com pastilhas delicadamente recortadas, uma a uma. A obra foi executada para revestir parte da parede lateral direita da galeria, próxima da entrada do antigo Cine Barão, que se transformou recentemente num bingo e agora vai dar lugar a um teatro da União das Instituições Educacionais do Estado de São Paulo (Uniesp).

A obra está bastante desgastada e prejudicada em alguns pontos. Há muita sujeira e uma quantidade muito grande de pastilhas caiu ou foi retirada. O espaço acabou preenchido com argamassa. "Tinham colocado uma placa enorme do cinema num dos lados. Ainda dá para ver a mancha escura que a sujeira deixou. E na outra ponta havia as bilheterias. Eu trabalhei muito para retirar isso da frente", conta o ex-síndico do condomínio Jaime David Winiawer.

Próximo do guichê da portaria, o mosaico de Portinari foi corrompido, com instalação de luminária por sobre as pastilhas - e há até de uma câmera de segurança. Isso apesar de o edifício ser tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).

"Vamos investir R$ 6 milhões na reforma do local (cinema) e construir um amplo teatro com 600 lugares, numa área de 1.800 metros quadrados. Vai se chamar Teatro Portinari e vamos restaurar essa obra importantíssima para o local e para São Paulo", afirma o presidente da Uniesp, Fernando Costa. O objetivo é iniciar as obras nos próximos dias e fazer a inauguração do mosaico e do teatro até o fim do ano.

?NÃO CONHEÇO NADA DELE?
"Portinari? Não conheço nada dele, não. Ele faz quadro bonito, né? Passo aqui todo dia e nunca tinha lido esse nome aí embaixo", diz a balconista Maria Suzana da Silva, que trabalha na Rua Barão de Itapetininga. "Esse monte de pedrinha amontoada é Portinari? Mentira", completa a colega de serviço Cleide Silva.

Além da obra do pintor, o Edifício e Galeria Califórnia tem encanto próprio. O projeto é de autoria de Oscar Niemeyer e Carlos Lemos e foi publicado na revista Habitat em 1951. Pesquisa feita pelo arquiteto e urbanista Alessandro José Castroviejo Ribeiro mostra que a proposta demorou cinco anos para ser aprovada pela Prefeitura de São Paulo. A tramitação durou de 1951 a 1955. "As fachadas têm volumetria elegante e os pilares são em ?V?. Ele (Niemeyer) não gosta tanto do Califórnia, mas é uma obra importante", destaca Ribeiro.

O projeto da Uniesp prevê também a revitalização da galeria, para ser transformada em ponto de encontro de estudantes. A entidade quer chegar a 50 mil alunos em seus quatro câmpus na região do centro velho da capital paulista. Na semana passada, Fernando Costa fechou convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que financiará parte das mensalidades dos universitários. "Temos uma riqueza cultural a serviço do aluno aqui e em todo o entorno", afirma. Ainda funcionam hoje, no térreo do edifício, lojas de pedrarias, bares, restaurantes e outros estabelecimentos. Alguns deles, conforme o projeto, serão retirados, para que o mosaico de Portinari possa ganhar maior visibilidade.



Publicado no Estadão 06/10/2008
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081006/not_imp254268,0.php
« Última modificação: 30/Abril/2009, 11:11:56 am por Tatiane Cornetti » Registrado
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