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Autor Tópico: 40% da memória de SP está destruída  (Lida 3850 vezes)
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Tatiane Cornetti
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« : 04/Janeiro/2009, 09:25:16 pm »

40% da memória de SP está destruída
Dos 1.813 imóveis tombados ou em análise na capital paulista, 740 têm problemas; especialista critica descaso

Rodrigo Brancatelli e Vitor Hugo Brandalise

Da colônia ao caos, a memória de São Paulo se revela em pedaços. Restos da vila feita de taipa de pilão por ali, migalhas da cidade neocolonial acolá, lembranças modernistas espalhadas em outros cantos. São pequenos mosaicos da metrópole que se reinventou, se destruiu e se reconstruiu inúmeras vezes ao longo dos últimos 455 anos, sem se importar muito com o urbanismo ou mesmo com a importância histórica da própria arquitetura.

O cenário de degradação está longe de ser uma realidade distante. Mesmo esses poucos pedaços da memória paulistana, hoje teoricamente preservados pelo governo municipal, correm o risco de se tornarem ainda menores. Um levantamento inédito realizado pelo Estado mostra que 40% dos 1.813 imóveis tombados ou em processo de tombamento de toda a capital estão abandonados, destruídos ou totalmente desconfigurados. No centro, por exemplo, 429 dos 1.272 imóveis históricos da região fazem parte dessa estatística. E isso está longe de ser o pior caso de São Paulo - na zona norte, 79% do patrimônio está abandonado ou destruído, enquanto na zona leste esse índice chega a 94%.

São casos flagrantes de degradação, de especulação imobiliária ou de puro e simples desconhecimento. "Tombado? Como assim? Aqui na minha casa está tudo em ordem, não tem isso de tombado não", explica, sem ao menos saber o significado da palavra, a dona de casa Fátima de Assunção, moradora de uma das 17 residências tombadas no Jardim Matarazzo, na zona leste, que foram totalmente reformadas e remembradas nos últimos anos e pouco lembram a vila operária erguida no século 19. "Na verdade, isso aqui está tombando, caindo mesmo", diz o caseiro de um antigo hospital abandonado na Penha, zona norte. O imóvel tombado pela Prefeitura, com exatos 226 cômodos, tem infiltrações por todos os cantos e pedaços do teto correm o risco de desabar. "Qualquer barulhinho dá um medo tremendo."

Para montar esse inventário do patrimônio municipal, a reportagem analisou ao longo de dois meses todas as 280 resoluções publicadas nos últimos 20 anos pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp), órgão criado pela Secretaria de Cultura para deliberar sobre a proteção dos bens culturais do Município. O primeiro tombamento foi realizado por meio do Decreto 26.818, de setembro de 1988, que protege os imóveis localizados no Pátio do Colégio, enquanto o último documento foi assinado no dia 16 de dezembro, abrindo o processo de tombamento de um imóvel na Vila Andrade, zona sul.

No total, exatos 1.813 imóveis estão tombados ou passam por processo de tombamento hoje em São Paulo, o que significa que eles têm valor histórico ou cultural para a capital e não podem ser alterados sem autorização expressa do Conpresp e da Prefeitura. Apesar do tombamento, no entanto, eles estão longe de estarem protegidos. Em visitas aos locais, se pode perceber que 740 desses imóveis estão abandonados, completamente destruídos ou totalmente desconfigurados (reformados sem levar em conta o desenho original da construção), constituindo um crime contra a memória pública.

"São Paulo sempre teve uma característica vanguardista, por ser um local onde novas tendências se manifestavam primeiro. Por isso, é uma vitrine do patrimônio histórico nacional", diz o professor Benedito Lima de Toledo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e membro honorário do Comité Internacional d?Histoire de l?Art. "O descaso que pode ser percebido num passeio pela cidade mostra que tanto sociedade quanto poder público têm muito o que refletir sobre a importância de sua memória."



Publicado no Estadão (04/01/2009)
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090104/not_imp302201,0.php
« Última modificação: 01/Maio/2009, 10:33:04 am por Tatiane Cornetti » Registrado
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« Responder #1 : 27/Janeiro/2009, 06:42:05 pm »

Realmente isso é um absurdo !!!!!!!!!!!! Órgãos que deveriam garantir a preservação desses imóveis tombados , não fazem absolutamente "nada" para conter essa degradação. Muitos imóveis  tombados são preservados apenas teoricamente, mas infelizmente isso não acontece na prática !!! Faz tempo que órgãos destinados à preservação como o Condephaat perderam força e estão cedendo ao apelo de agiotas e lobistas do mercado imobiliário. Quando fui ao Condephaat discutir o caso do ex-hospital Matarazzo, vi e ouvi muitos absurdos ... Por exemplo, vi a planta feita pelo escritório do Júlio Neves a respeito do projeto que eles pretendiam por em prática em 1996 ... Praticamente todo o Complexo Hospitalar seria demolido (sem que fosse feito um estudo de impacto ambiental na região nos entornos do imóvel) e no lugar seriam construídos vários prédios ultra-modernos ...

Também vi outros casos em que muitas casas também na região do Bexiga (que foram tombadas pelo Condephaat) não receberam nenhum tipo de restauro e muitas dessas casas ruiram. Então o Condephaat deu autorização para que essas casas fossem demolidas. Uma lástima, pois muitos desses sobrados eram exemplos vivos da presença de imigrantes italianos nesse bairro.

Voltando ao caso do hospital Matarazzo, eu e minha irmã fomos lá semana passada e vimos uma situação muito pior do que a encontrada por nós anteriormente (em set/2008). Os proprietários impediram que víssemos algumas partes dos prédios com a justificativa de que : " não vai lá não, porque tá tudo destruído " e tentaram maquiar o lugar porque sabiam que iríamos lá. Por exemplo, substituiram caixas de papelão (que estavam lá no lugar das janelas) por janelas improvisadas , varreram as partes "visitáveis" do complexo , etc ... Mas nós  conseguimos despistar o administrador e entramos em algumas dessas partes mais deterioradas ... Havia pedaços inteiros de forro de gesso no chão, e já existem goteiras dentro de quase todos os cômodos (por causa da chuva dos últimos dias), inclusive no piso térreo. Vimos até gente morando lá dentro de forma improvisada e escondida !!! (foi puxada luz nos cômodos onde há gente morando (mas precisamente na Casa de Saúde Francisco Matarazzo), havia fogão, redes,  mesa , rádio etc ... Pintaram até as paredes de outra cor ,"rosa" precisamente. Quando essas pessoas perceberam a nossa presença tentaram disfarçar, mas percebemos que havia algo errado ali ... Vou escrever tudo que presenciamos na página do  hospital Matarazzo no My Space ...

Aposto que o Condephaat não está ciente de tudo o que está acontecendo por lá ,e isso porque ano passado comunicamos a situação do imóvel ao Condephaat,  mas não tomaram nenhuma posição referente ao assunto ...

O que temos que continuar fiscalizando e reclamando para que soluções sejam encontradas e que mais patrimônios sejam salvos da degradação !!! Hein

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« Responder #2 : 02/Fevereiro/2009, 06:37:24 pm »

Oi pessoa !

Voltando ao assunto, eu gostaria de postar aqui uma matéria da  revista Veja de março de 2005:

Quarta-feira, Março 23, 2005
passado, presente e futuro na terra dos Matarazzo

O palacete foi construído no começo do século passsado. Em abril de 1986, a casa foi abandonada. Em 89 a prefeita Luiza Erundina solicitou o tombamento da propriedade, propondo transformar a mansão em um "museu do trabalhador". Os herdeiros do conde Matarazzo conseguiram anular o tombamento na Justiça.

Em 4 de janeiro de 1996, parte da mansão desabou. Os jornais divulgaram que tinha sido por causa da chuva forte.

Dois dias depois, o Contru (órgão municipal que fiscaliza as construções) interditou a casa e "condenou" a família a reconstruir OU demolir a propriedade.

Em 11 de janeiro (apenas cinco dias depois), a demolição foi iniciada, sendo concluída em pouco mais de 30 dias. Na madrugada do dia 10 para o dia 11, o brasão que ficava na entrada da casa foi pichado. A Folha de São Paulo noticiou em 13 linhas, mas não disse o que foi escrito na pichação (seria mais um protesto silenciado pela mídia nativa ou apenas incompetência?).

"Foi sem querer querendo"
Em abril do mesmo ano, o Instituto de Criminalística divulgou laudo constatando que o desabamento foi intencional, já que as colunas de sustentação haviam sido escavadas intencionalmente. A Folha divulgou em uma nota de 8 linhas.

O processo de sabotagem ocorrido naqueles tempos bicudos de fim de governo Maluf era temporão: a grande maioria das mansões já havia sido destruída da mesma forma. No ano passado vi uma bela exposição de fotos no Conjunto Nacional sobre a história da Paulista. Durante as décadas de 70 e 80, os proprietários dos casarões (filhos e netos de quatrocentões em decadência) perceberam que os terrenos valiam ouro e resolveram embarcar na especulação imobiliária. Com a conivência das autoridades, passaram a sabotar as estruturas das casas, fazendo com que os órgãos públicos legitimassem a demolição. Surgiram arranha-céus e estacionamentos. Quem sabe, no futuro, venham as praças e as bicicletas.

Essa matéria se refere a mansão da família Matarazzo, na avenida Paulista, que foi "demolida" .  As estruturas da mansão foram prejudicadas propositalmente pelos próprios proprietários, para que parecesse que a mansão desabou por "razões naturais", ou seja, por causa da chuva. Descobriu-se depois os reais motivos do desabamento de parte da mansão. A família Matarazzo tinha em vista vender o terreno para uma grande empresa imobiliária  que havia se interessado pelo mesmo.
Infelizmente isso vem acontecendo com vários edifícios históricos de São Paulo. È um absurdo, mas a especulação imobiliária tem sido um fator decisivo na destruição da memória histórica da cidade !!! Eu não duvido que isso também esteja acontecendo no antigo Hospital Matarazzo, pois da última vez que estivemos lá, percebemos que pedaços inteiros do forro do teto foram arrancados, deixando o telhado de madeira à mostra. E com isso a água da chuva entra com facilidade nos prédios, aumentando as infiltrações nas paredes. Quando perguntei o porquê de arrancar o forro de gesso, o administrador do lugar disse que "era pra evitar acidentes " ... Será??? Eu não duvido que essas depredações estejam sendo feitas propositalmente , para acelerar ainda mais o processo de deteriorização do hospital Matarazzo !!!!!!!!!!
Não podemos deixar isso acontecer !!!!!!1 Chorar Embarassado Zangado Wink
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