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Autor Tópico: São Paulo tem 93 milhões de metros quadrados de terrenos baldios  (Lida 12071 vezes)
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Jorge
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« : 25/Novembro/2007, 01:54:41 pm »

Esta reportagem saiu na Folha de S. Paulo de hoje e é um  verdadeiro escândalo. São Paulo tem quase 100 quilômetros quadrados de terrenos baldios, inclusive na região central. Isso desmente de forma contundente um dos principais argumentos usados pela especulação imobiliária para destruir o patrimônio histórico da cidade, de que faltam espaços livres para construir. Como é que com tanto espaço livre ainda se destrói tanta coisa importante na cidade? É uma irracionalidade completa.

Não concordo com o foco apenas na transformação desses terrenos baldios em parques e áreas verdes. Por que não usá-los para habitações de interesse social ou para novos empreendimentos imobiliários?



SP tem 62 Ibirapueras de terrenos baldios
Há 127.375 áreas inutilizadas ou subaproveitadas na capital, que somam quase 93 km2
Descampados, que estão em regiões centrais e de grande valorização imobiliária e adensamento demográfico, poderiam ter uso coletivo

Bruno Fernandes/Folha Imagem

Terreno na av. Nicolas Boer com a Marquês de São Vicente

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DA REPORTAGEM LOCAL

Enquanto a prefeitura discute a ampliação do pequeno parque Ibirapuera e seu 1,5 km2 (o Central Park, em Nova York, tem o dobro, e os Bosques de Palermo, em Buenos Aires, tem quase o triplo), a cidade de São Paulo tem quase 93 km2 de terrenos baldios inutilizados ou subaproveitados.
Considerados "vazios urbanos", esses espaços são áreas que, após uma intervenção paisagística e urbanística, poderiam ser transformadas em praças, parques, áreas de lazer, bulevares, centros culturais ou outras soluções para o uso coletivo da população.
Levantamento da Sempla (Secretaria Municipal de Planejamento) feito a pedido da Folha revela que existem 127.375 terrenos baldios na capital, que, juntos, somam pouco mais de 92,6 km2, sem considerar as áreas agrícolas.
É uma cidade do porte de Vitória, capital do Espírito Santo, ou ainda o equivalente a 62 parques Ibirapuera.
Curiosamente, boa parte dos descampados não estão nos limites da cidade, mas em regiões centrais e de grande valorização imobiliária e adensamento demográfico, como nas avenidas Paulista e Sumaré ou na rua Augusta.
Pior. Muitos tiveram projetos de reurbanização que não vingaram. Até concursos públicos abertos pela prefeitura já foram promovidos em alguns locais, como no megaterreno de 250 mil2 na avenida Nicolas Boer com a Marquês de São Vicente, na Barra Funda, na zona oeste da cidade, mas que, por mudanças na política, acabaram sendo cancelados.
"São áreas importantes que não conseguem se viabilizar, que não são usadas de forma eficiente. É a cidade que perde com isso", diz Gilberto Belleza, presidente do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil).
Alguns terrenos baldios que resultam nos "vazios urbanos" pertencem ao Poder Público. É o caso do lote que sai da rua Maestro Cardim até a avenida 23 de Maio, de propriedade da prefeitura, ou do terreno que ocupa todo um quarteirão entre a praça Nina Rodrigues e as ruas Barão de Iguapé e São Paulo, na Liberdade (região central), que é da Dataprev, a empresa de processamento de dados da Previdência.
Outros terrenos abandonados, embora tenham proprietários, decorrem de disputas familiares ou judiciais e de construções inacabadas. Como nenhum deles costuma ter manutenção, surgem processos naturais de decadência, como crescimento de vegetação rasteira ou acúmulo de lixo.

Estado ausente
Urbanistas ouvidos pela Folha são unânimes ao afirmar:
1) a responsabilidade é do Estado que, ausente, permitiu o abandono desses espaços e não incentivou o uso;
2) que a cidade absorverá os vazios para crescer nos próximos anos com construções particulares, que não dialogam com a paisagem urbana, em detrimento do uso coletivo.
Em seu artigo 182, que trata da política urbana, a Constituição determina que as prefeituras devem "exigir do proprietário do solo não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena de IPTU progressivo e desapropriação". Em São Paulo, um projeto de lei sobre o assunto tramita na Câmara municipal.
"Os vazios urbanos são espaços sensacionais para serem comunitários", afirma Ricardo Ohtake, presidente do Instituto Tomie Ohtake.
"Os vazios são patrimônios da cidade, que precisa desfrutar disso", completa a urbanista Fernanda Barbara, do escritório Una Arquitetos.

Links para a matéria: Folha On-line
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u348440.shtml



Para urbanistas, sobram os espaços e faltam as idéias
Pequenos parques, praças e playgrounds de Nova York são considerados bons exemplos de uso de terrenos ociosos
O uso dos espaços livres nas cidades, segundo arquitetos ouvidos pela Folha, é uma maneira de a cidade se transformar dentro dela

DA REPORTAGEM LOCAL

Urbanistas ouvidos pela Folha sobre os "vazios urbanos" decorrentes de terrenos baldios, estacionamentos, orlas ferroviárias e galpões industriais avaliam, em uníssono: sobram espaços e faltam idéias para o melhor aproveitamento dos espaços de São Paulo.
Para Álvaro Puntoni, professor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), da USP (Universidade de São Paulo), e da Escola da Cidade, essas áreas disponíveis deveriam ser usadas para ""construir vazios", e não ocupá-los".
"Quase que invariavelmente a ocupação dos vazios subtrai definitivamente os espaços da cidade. Acho que deveríamos ir noutra direção, de manutenção e construção de um novo significado para estes espaços", diz o professor da FAU.
A mesma idéia de aproveitar os vazios da cidade é defendida pelo arquiteto Fernando Viégas. "A idéia não é pegar o vazio e preencher. Isso gera uma perda. É preciso repensar e qualificar o vazio", afirma Viégas.
No momento em que a Prefeitura de São Paulo discute a ampliação do parque Ibirapuera, o maior da cidade e localizado na zona sul, especialistas apontam que terrenos de menor escala também são importantes para o melhor aproveitamento da paisagem urbana.
"Os [espaços vazios] da avenida Sumaré [zona oeste de São Paulo] poderiam ser mais bem aproveitados como área pública. São Paulo carece de áreas de lazer", afirma Gilberto Belleza, presidente do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil).

No primeiro mundo
Os pequenos parques, praças e playgrounds encravados entre as quadras da abarrotada ilha de Manhattan, em Nova York, são apontados como bons exemplos de melhor aproveitamento de áreas como as que estão disponíveis na cidade de São Paulo atualmente.
Em Nova York, os moradores podem usar as áreas de lazer menores próximas de casa sem a necessidade de lotar os grandes parques e também sem a necessidade, por exemplo, de se deslocar com seus veículos, como ocorrer em São Paulo.
Hoje, o Ibirapuera sofre com a superlotação, sobretudo aos fins de semana, e tem problemas com as (poucas) vagas de estacionamento para carros. Para parar carro no parque hoje é preciso pagar.
Outro ponto de unanimidade entre os urbanistas ouvidos pela reportagem é que, considerando o ritmo acelerado de crescimento da cidade, os terrenos baldios tendem a se transformar rapidamente ao serem absorvidos pela construção imobiliária, que criam conjuntos residenciais fechados sem nenhuma relação com o espaço urbano.
O uso coletivo dos vazios, dizem os arquitetos, é um jeito de a cidade se transformar por dentro dela.
"Pensar em programas públicos ou de uso coletivo para esses lugares é fundamental", afirma o arquiteto Jonathan Davies.
(VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO)

Links para a matéria: Folha de S.Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2511200703.htm



SP tem 12 mil terrenos usados como garagens
Muitos são improvisados por proprietários que esperam valorização do imóvel
Na esquina das avenidas Paulista e Pamplona, um terreno de 12 mil m2 ganhou uso temporário de estacionamento

DA REPORTAGEM LOCAL

Na esquina da supervalorizada avenida Paulista com a rua Pamplona (região central), um terreno vago de 12 mil m2 é o que resta da antiga mansão dos Matarazzo. Em 1991, a família anunciou a construção de uma torre de 47 andares no local. Algum tempo antes, o multimilionário norte-americano Donald Trump, um dos maiores investidores do mercado imobiliário de Nova York, já manifestara a intenção de comprar a área para erguer ali um prédio de 60 andares. Nenhum dos projetos vingou.
Em janeiro passado, o terreno foi comprado pela construtora Cyrela e pelo grupo Camargo Corrêa por R$ 125 milhões. As duas empresas planejam agora construir um novo empreendimento imobiliário.
Hoje, palmeiras, pinheiros e uma araucária resistem no local, usado como estacionamento, um uso provisório que faz do terreno-garagem, segundo arquitetos, um "vazio urbano".
Assim como a gleba na Paulista, outros 11.928 lotes usados como estacionamentos somam cerca de 2,7 km2 na cidade de São Paulo, segundo levantamento da Sempla (Secretaria Municipal de Planejamento), com base no cadastro TPCL (Territorial e Predial, de Conservação e Limpeza) da Secretaria Municipal de Finanças para o ano de 2006.
A área seria equivalente a 24 parques da Aclimação ou a 108 pequenos parques, como a praça Buenos Aires, ambos na região central.
Embora tenham algum tipo de ocupação, os terrenos-garagem são consideradas áreas subutilizadas por urbanistas e constituem uma outra espécie dos chamados "vazios urbanos", ao lado de terrenos baldios e orlas ferroviárias.
Muitos proprietários, dizem especialistas, mantêm seus lotes sem uso para vendê-los mais tarde por um preço mais alto. E enquanto aguardam a valorização imobiliária, dão um uso temporário e que não exija grande investimento, como estacionamentos.
"Existe a necessidade de o Poder Público intervir para fomentar o uso público. Isso tem de ser penalizado. O IPTU deveria ser crescente se o uso correto não fosse dado ao terreno", diz Gilberto Belleza, presidente do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil).
A reportagem visitou algumas dessas áreas. A maioria é improvisada, com chão de terra batida ou pavimentação precária e sem garagens cobertas, o que reforça a hipótese de uso transitório ou ocasional.
"São áreas de grande potencial construtivo e as garagens poderiam estar no subsolo. É por meio desses vazios que as cidades se transformam", afirma a professora Andrea Borde, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, que fez doutorado na França sobre os "vazios urbanos".
(VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO)

Links para a matéria: Folha de S.Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2511200704.htm


Links para as matérias
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/indices/inde25112007.htm

« Última modificação: 30/Abril/2009, 09:16:31 am por Tatiane Cornetti » Registrado
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