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| | |-+  São Paulo, Marco Zero - Revista da Folha - 26/04/2009
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Autor Tópico: São Paulo, Marco Zero - Revista da Folha - 26/04/2009  (Lida 1692 vezes)
Tatiane Cornetti
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« : 29/Abril/2009, 10:57:59 »

São Paulo, Marco Zero

Por: Sílvio Lancellotti
Foto: Rodrigo Marcondes/Folha Imagem


Sol a pino, devastador. Um sábado, praça da Sé, oficialmente o centro geográfico da "megalometrópole" de São Paulo. Discretamente, boné na careca, me acomodo a uma distância protetiva do chamado marco zero da cidade, à frente da catedral.


Paulistano diante do marco zero de São Paulo, na praça da Sé

Cronômetro em punho, eu registro: do meio-dia até as 13h, exatas 897 pessoas, entre moleques de rua, casaizinhos de mãos dadas, senhoras e senhores apressados, inclusive PMs, ultrapassam o ponto, sem que ninguém denote a sua suposta importância de antologia. Há quem se encoste no monólito hexagonal, há quem acaricie as suas laterais, o seu topo -ninguém percebe, porém, o que vale o marco zero. Aqui e ali, como um transeunte convencional, pergunto a duas dúzias das 897 pessoas se alguém tem a mais escassa ideia do que representa aquele miniobelisco na história do país.

Inacreditável. Em 60 minutos de investigação, eu não recebo uma só resposta conveniente ou adequada. E o marco zero lá está, na praça da Sé, desde 1934. Antes do miniobelisco atual, aconteceram três tentativas de implantar um centro geográfico em São Paulo. No pátio fronteiro da primeira basílica da região, se imagina, erigida em 1521, igreja cuja precisa localização se desperdiçou no tempo. Junto a uma das torres da antiga edificação. Enfim, num dos seus lados.

Então, a ideia de se estabelecer um marco zero nasceu da imperiosidade de se formalizar a numeração lógica das casas e dos prédios da cidade. A numeração principiaria do nada, do "zero", e daí se estenderia na direção da periferia. Em 1921, de todo modo, um jornalista, Américo R. Netto, inaugurou uma campanha para a refixação do "marco". Campanha que só em 1934 surtiria efeito, graças ao prefeito Antonio Carlos Assumpção, que pediu um projeto de monumento a um francês, Jean-Gabriel Villin (1906-1979), um desenhista e escultor no país desde 1925, funcionário de sua administração.

Villin elaborou um miniobelisco hexagonal, em concreto recoberto de mármore, com uma placa de bronze por cima. Cada um dos seis ângulos do "marco" indicaria uma das saídas de São Paulo. E cada uma das suas facetas indicaria o rumo a se obter. Ao Paraná, a rota designada pelo relevo de uma araucária. A Santos, de um navio carregado de café. Ao Rio de Janeiro, do Pão de Açúcar e bananeiras. A Minas, um símbolo da exploração do subsolo. A Goiás, uma bateia de mineração de superfície. Ao Mato Grosso, o fardamento dos pioneiros bandeiristas. Em várias ocasiões, vândalos surrupiaram a placa de bronze. Mas o monumento de Villin permanece, incólume -e ignorado.



Publicado na Revista da Folha de S.Paulo - 26/04/2009
http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf2604200918.htm
« Última modificação: 01/Maio/2009, 11:20:41 por Tatiane Cornetti » Registrado
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