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Autor Tópico: Revista da Folha - NO QUE VAI SE TRANSFORMAR A METRÓPOLE  (Lida 2404 vezes)
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Tatiane Cornetti
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« : 18/Julho/2009, 10:24:50 am »

NO QUE VAI SE TRANSFORMAR A METRÓPOLE SE CONSUMADOS OS PROJETOS PREVISTOS PARA ATÉ 2014, O ANO DA COPA DO MUNDO NO BRASIL
são paulo imaginada
por Gustavo Fioratti


Fotomontagem mostra projetos para a Luz dos suíços Herzog e De Meuron

Ir de São Paulo para o Rio de Janeiro de trem-bala? Com internet wireless e o Vale do Paraíba passando na janelinha do vagão? O trem sai de uma estação na região da Luz repaginada, que superou a palavra cracolândia? Até parece coisa de um longínquo século 21. Para não dizer "coisa de 2014", o ano da Copa do Mundo no Brasil.

O exercício de imaginar uma São Paulo reestruturada -com sistema de transporte adequado ao seu tamanho, transpassando prédios futurísticos- tem sido fomentado pelo maior evento futebolístico do planeta.

Quando o novo estádio do Morumbi receber seu primeiro jogo da Copa de 2014, muita bola vai ter rolado. Especialmente pelas ruas da metrópole, que devem ganhar em arquitetura e infraestrutura urbana.

Um metrô conectando o centro ao aeroporto de Cumbica. Edifícios com arquiteturas de grife espalhados pela cidade. São rascunhos de uma nova São Paulo em projetos que somam R$ 32 bilhões, com recursos da prefeitura, do Estado e do governo federal. Fora a participação da iniciativa privada, que também deve surfar nessa onda de otimismo.

Mas uma dose de ceticismo frente a tantos projetos é bem-vinda. Se o desenho de um novo Morumbi assinado por Ruy Ohtake, com recursos do São Paulo Futebol Clube, foi negado pela Fifa, o que dizer de obras públicas, muitas em fase de licitação? As trocas de gestão nos governos vão interferir na concepção dos projetos? O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Copa vai decolar?

São perguntas por ora sem respostas, mas que encontram eco numa metrópole que precisa de uma requalificação urbana. "São Paulo é um fenômeno mundial e tem que ser tratada nessa escala, com projetos que façam jus a seu tamanho", diz Bruno Padovano, curador da Bienal de Arquitetura de São Paulo.

O evento -a ser realizado de 31 de outubro a 6 de dezembro- vai levantar questões sobre o legado que a Copa pode deixar à cidade. "Equipamentos culturais e de infraestrutura com boa arquitetura podem mudar regiões inteiras, a exemplo do museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha", compara Bruno.

A ideia que tem sido desenhada nas mesas de autoridades das três esferas de poder é investir em estruturas que possam ser herdadas em definitivo. "Claro que o investimento qualifica a cidade para o evento, mas, acima de tudo, para o dia a dia da população", diz o prefeito Gilberto Kassab. "Qual é a São Paulo que queremos ter em 2014? Uma que tenha melhor fluidez no trânsito, mais áreas verdes, mais segurança, mais emprego, mais educação e melhor prestação de serviços."

Em outras palavras, o que for construído para a Copa poderá ser usado depois pelos paulistanos e visitantes. "Temos que trabalhar para que não se repita o que aconteceu nos Jogos Pan-Americanos do Rio, onde o legado de equipamentos sociais foi pequeno", diz Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris e integrante da comissão paulista para a Copa.

De olho na oportunidade de realizar um Mundial, organizações públicas e privadas começaram a se preparar para receber um número de turistas estimado em 500 mil -dos quais 180 mil estrangeiros.

A expectativa de Caio é de que, até 2014, o setor hoteleiro faça uma expansão considerável -de 42 mil quartos para 50 mil. Para turbinar essa movimentação, o aeroporto de Cumbica, com a inauguração de um novo terminal, deve passar a receber 29 milhões de passageiros por ano. Hoje, são 17 milhões.

O de Viracopos também entra em jogo, com previsão de ampliar sua capacidade de 2 milhões para 25 milhões até 2015. "Vão ter de correr para atingir essa meta", admite Caio.

Uma corrida contra o tempo que promete transformar a cidade em um canteiro de obras nos próximos anos.

Nova Luz
A conexão entre o aeroporto de Guarulhos e a estação da Luz, via metrô de superfície, prevista para 2014, pode ser o passo definitivo para a recuperação de uma das regiões mais degradadas da cidade. "A Luz, pelos problemas que todos conhecem, é prioritária", diz Kassab.

O edital de licitação para contratação de projeto urbanístico para a chamada Nova Luz, aberto a público desde a semana passada, exige, entre outros itens, "recuperar áreas deterioradas visando a melhoria do meio ambiente e das condições de habitabilidade".

A Secretaria de Cultura do Estado apostou no futuro da região ao contratar a dupla suíça Herzog & De Meuron para desenhar um teatro-escola de dança e ópera, bem em frente à Sala São Paulo. Os arquitetos cobraram R$ 3 milhões pelo estudo inicial do projeto.

A escolha de materiais, principalmente para a fachada transparente, que possibilita contato visual com o entorno, definiu o contrato. O peso da assinatura dos suíços, autores da Tate Modern, de Londres, e do estádio Ninho de Pássaro, principal palco da Olimpíada de Pequim, também foi fundamental. "Avaliamos que trazer arquitetos estrangeiros seria um escândalo positivo para a arquitetura brasileira", diz João Sayad, secretário estadual de cultura.

A investida arquitetônica não acaba ali: o escritório francês Construire, do arquiteto Patrick Bouchain, foi contratado para levantar o projeto de uma escola de circo na zona leste. A estrutura coberta por lona vai ser montada em um complexo desativado da antiga Febem, no Tatuapé. O projeto está orçado em R$ 5 milhões.

Mobilidade urbana
A chave para que todos esses desenhos saiam do papel com algum impacto positivo na cidade tem nome: mobilidade urbana. Ou, para leigos, um sistema de transporte público um tanto melhor do que esse que São Paulo hoje possui.

A primeira fase do plano de expansão do metrô, até 2010, deixará a região metropolitana com 240 km de trilhos -sendo 80 km de metrô e 160 km de linhas da CPTM. Para 2014, está prometida a linha 4-amarela, que ligará a Luz à Vila Sônia, passando pela avenida Paulista, pelos Jardins e por Pinheiros. Também entram no pacote a linha 14-ônix (para o aeroporto de Cumbica) e a linha 17-ouro (para o aeroporto de Congonhas).

As novas estações fazem menos uso de concreto, seguindo o modelo da estação Alto do Ipiranga. Vidro e aço entram para uma arquitetura que especialistas definem como "mais sustentável" e "ambientalmente confortável".

O uso de materiais transparentes, inclusive nos guarda-corpos e nas laterais das escadas rolantes, permite iluminação natural e maior contato com ambientes externos. Medida que representa economia de eletricidade. "A diferença no consumo anual, entre uma estação antiga e uma nova, equivale ao que 300 residências consomem no mesmo período", diz Ivan Piccoli, coordenador de projetos urbanísticos e de paisagismo do Metrô.

Segundo ele, as estações são pensadas para suportar o crescimento populacional no município (estimado em 0,5% ao ano). "Pensamos na cidade daqui a 20 anos até", diz.

Um relatório da Organização das Nações Unidas divulgado no ano passado projeta uma população de 19,3 milhões de habitantes na Grande São Paulo em 2010, elevando a metrópole ao posto de terceira mais populosa do mundo.

Com essa informação encabeçando uma série de propostas, o Movimento Nossa São Paulo lidera um projeto que pensa a cidade em 2022 (que marca os 200 anos de Independência do Brasil).

Entre os tópicos principais, está o tráfego de automóveis na cidade. "O trânsito só pode ser melhorado com um bom sistema de transporte coletivo", defende Maurício Broinizi, secretário executivo do movimento.

Favelas do futuro
Um modelo de estudo para o futuro da metrópole se baseia em artigo elaborado pelo sueco Jesper Nylund para a Swedish University of Agricultural Sciences, com apoio da embaixada da Suécia, que chega a projetar uma São Paulo sustentável para o ano de 2050. O texto de 45 páginas faz uma prospecção com desenhos e descrições das favelas.

O uso de energia eólica na periferia, como desenha o artigo, ainda está longe de ser considerado pelo poder público como solução para os famosos "gatos". Mas boa parte do que prevê o exercício de futurismo sobre favelas paulistanas bate com os programas de habitação da prefeitura, concentrados na urbanização de favelas e não mais em conjuntos habitacionais do tipo Cingapura.

No futuro, segundo o projeto sueco, os formatos irregulares das construções poderiam ser mantidos, mas com tratamento estético e pinturas das fachadas. Coisa que o próprio Ruy Ohtake já propôs -e conduziu- em projeto em Heliópolis.

São modelos que deram certo: a Bienal de Arquitetura de Roterdã vai levar projetos de urbanização de favelas de São Paulo à exposição, neste ano, divulgando-os como os maiores da América Latina.

O fenômeno de projetar um futuro distante para as cidades se aproxima de um pensamento que tem varrido o mundo, principalmente na China, no Japão e na Europa. A concepção de cidades ideais está no centro de debates em seminários e publicações internacionais, depois que, em 2008, o número de pessoas que vivem no espaço urbano superou a quantidade das que vivem no campo.

Para o curador da última Bienal de Veneza, o arquiteto Aaron Batsky, transformações profundas são fundamentais até mesmo para a continuidade da vida humana no planeta. Entender a "natureza básica" da metrópole, ticando itens que vão de aspectos geológicos à estrutura social, é, para ele, a ferramenta mais poderosa para uma possível "revolução".

"Não podemos ter medo de transformar o espaço urbano e de, em alguns casos, deixar até mesmo morrer algumas cidades com projetos urbanos superados", defende.

Como se cidades tivessem vida própria. E vai falar que São Paulo não tem...

GRANDES PROJETOS ARQUITETÔNICOS E URBANÍSTICOS PREVISTOS PARA OS PRÓXIMOS 5 ANOS EM SP




Publicado na Revista da Folha (12/07/2009)
http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf1207200904.htm

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