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Autor Tópico: Moradores de rua invadem casarão centenário em SP  (Lida 2791 vezes)
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Tatiane Cornetti
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« : 10/Novembro/2009, 05:20:24 pm »

Moradores de rua invadem casarão centenário em SP

PAULO SAMPAIO
DANILO VERPA
da Folha de S.Paulo

No que depender da moradora de rua Amanda Teles Virgilata, 24, sua filha de um ano e quatro meses, Vitória, vai ser miniapresentadora de TV. "Sabe essas menininhas que aparecem nos programas pra crianças? Quero muito que ela faça algo assim", diz Amanda, grávida de seis meses.

Prédio abandonado foi "emprestado" pelo governo em 2004

Moradora de rua, não. Amanda agora habita um casarão de 1925, tombado pelo patrimônio histórico municipal (Conpresp), com 400 m2, na rua Marquês de Paranaguá, Consolação (zona central). Ela e cerca de 25 pessoas. O metro quadrado na região vale R$ 2.500, segundo a empresa de engenharia Amaral D'Ávila.

Por dentro, a construção de pé direito alto foi repartida em mais de dez cômodos. Como divisórias, há compensados de madeira ("paredes") e cobertores pendurados ("portas"). A não ser pela claridade que entra pelos janelões, há poucas lâmpadas -a eletricidade foi puxada da rua por "gatos".

Muita história
Quem recebe, à porta do casarão, é Thais Michelle, ex-auxiliar de limpeza, e Lilian Alexandra, que pede dinheiro na rua: "Isso aqui tem é história", dizem as duas, rindo. Thaís, Lilian e Amanda brigam pelo catador de latas William Jesus Faria, 25, que se desdobra entre as três, e a quem elas atribuem a paternidade de seus respectivos filhos. Ele divide um "quarto" com Leo Barbosa, 26, e Márcio Santos, 25, ambos desempregados.
Danilo Verpa/Folha Imagem
Moradores de rua dividem espaço em casarão abandonado com 400 metros quadrados na rua Marquês de Paranaguá, no centro
Moradores de rua dividem espaço em casarão abandonado com 400 metros quadrados na rua Marquês de Paranaguá, no centro

A maior parte dos atuais moradores -o rodízio é grande- viviam na praça Roosevelt (centro), foi trazida pelo "finado Vitor", viciado em crack, casado com Juliana de Souza, que tem um filho dele e já trabalhou como operadora de telemarketing, mas foi demitida porque respondia com palavrões aos assédios dos interlocutores: "Você precisava ver as besteiras que os homens diziam pra gente no telefone. Eu xingava mesmo", diz.

Presente dos noia
No quarto de Thaís e Lilian, de cerca de 12 m2, Amanda conta que ganhou o carrinho de bebê de Vitória de um "noia" que morava embaixo do Minhocão.

"Quando você tá no vício, ganha uma porção de presente. Mas graças a Deus abandonei a droga." Ela diz que sua mãe é cabeleireira na Espanha e que não foi junto porque considera a família "muito gananciosa".

Ali ao lado, no quarto de William, há três colchões com cobertas reviradas, um móvel improvisado com tábuas, decorado com garrafas de vodca vazias; um quadro colorido de Cosme e Damião, muita roupa espalhada: o rádio toca um pagode. Eles riem quando se pergunta quem é o pai das crianças que engatinham pela casa. "É dele aí", diz Márcio, na direção de William. "Meu nada."

Desapegados
Embora o clima na casa seja parecido com o de um cortiço, os moradores, mesmo as que engravidam, sabem pouco mais que os nomes uns dos outros - e se mostram desapegados como todos os nômades. "Estou aqui há quatro anos e seis meses, já vi muita coisa acontecer, de vez em quando baixa a polícia, mas a gente vai ficando", conta Juliana.

Os vizinhos não ajudam? "Só se for chamando o caminhão pra levar a gente embora", diz.

Sônia Alberane, gerente do hotel que fica ao lado do imóvel, diz que dá sacos para que eles empacotem o lixo e chegou a doar colchões que não ia mais usar. "Já chamei a vigilância sanitária várias vezes para dedetizar contra dengue, ratos e baratas", diz ela.

As moças da casa dão sua versão: "Ela não doou os colchões. Ela jogou fora. Nós fomos lá e pegamos."



Publicado no Estadão (01/11/2009)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u646237.shtml
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Tatiane Cornetti
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« Responder #1 : 12/Novembro/2009, 10:19:59 am »

Prédio abandonado foi "emprestado" pelo governo em 2004

PAULO SAMPAIO
DANILO VERPA
da Folha de S.Paulo

O casarão ocupado na rua Marquês de Paranaguá pertence ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que entrou dia 30 de setembro com uma ação de reintegração de posse.

O imóvel foi ocupado por quase dez anos até 2004 pela União Brasileira de Escritores (UBE), entidade municipal e estadual com 51 anos e 3.000 sócios -entre eles, Lygia Fagundes Telles, Antonio Candido, Sérgio Buarque de Hollanda e o presidente Lula.

Em 2004, Lula sancionou uma lei autorizando a cessão do imóvel à UBE. Só que a entidade queria a posse e não o "empréstimo" do casarão.

Mas, segundo a assessoria do INSS, o instituto não pode ceder bens que foram pagos com dinheiro dos previdenciários. Então, o imóvel foi apenas disponibilizado. A assessoria de Lula não respondeu aos pedidos de entrevista.

A UBE chegou a começar uma reforma na casa, diz Porfírio, com a ajuda do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que também integra o quadro de escritores da união, mas não foi adiante. "O Ministério da Cultura de Fernando Henrique dava R$ 150 mil, depois R$ 70 mil, R$ 100 mil. Mas precisávamos de R$ 1 milhão", diz Porfírio.

FHC diz que nunca participou de qualquer atividade da UBE e "nunca soube de doações para a reforma do imóvel."

"Tínhamos esperança de que a casa fosse doada pra gente. Não queríamos mais ficar ali provisoriamente", diz Porfírio.

Inadimplência
Em seus primórdios, a UBE ocupava outro prédio do INSS, na rua 24 de Maio, quando foi despejada por inadimplência. "Eles cobravam um aluguel irrisório e passaram a pedir uma exorbitância", diz Porfírio. Depois de entrar com uma ação, a UBE ganhou do INSS o direito de guardar seu acervo na casa.

A entidade funciona hoje em uma sala pequena na rua Rego Freitas. Porfírio diz que, quando perdeu as esperanças de ter o casarão, fechou a porta, encaminhou um ofício ao INSS informando que estava devolvendo o imóvel e entregou a chave.

A assessoria do INSS afirma que não tem conhecimento desse documento.

Quando a UBE fechou a porta, sobrou um vigia ("um tal de Caio", dizem os mais antigos). Foi ele que abriu as portas para o "amigo" Idaelcio Itapevi, que hoje está preso e que, por sua vez, trouxe outros conhecidos para "tomar conta da casa". "O começo foi com o Itapevi", dizem todos.



Publicado no Estadão (01/11/2009)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u646238.shtml
« Última modificação: 12/Novembro/2009, 10:22:46 am por Tatiane Cornetti » Registrado
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