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Autor Tópico: Centro Expandido perde 441 mil moradores em 11 anos.  (Lida 4580 vezes)
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Jorge
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« : 18/Fevereiro/2008, 11:56:38 am »

Centro expandido perde "uma Santos" em 11 anos Total de moradores que deixaram a região equivale à população da cidade litorânea
Já a periferia da cidade inchou e tem 1,23 milhão de moradores a mais do que tinha em 1996; tendência preocupa urbanistas

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DA REPORTAGEM LOCAL

RICARDO GALLO
DA REDAÇÃO

A psicóloga Elaine Martins, 43, cansou da vida na rua Cardoso de Almeida, coração do bairro de Perdizes, centro expandido de São Paulo. Depois de 12 anos de barulho da vizinha PUC, mudou-se com o marido e a mãe para uma casa no campo, num condomínio em Aldeia da Serra (Grande SP).
No outro lado da cidade, o porteiro José Orlando Inocêncio, 47, trocou o Jabaquara (zona sul) pelo distrito de Anhangüera (zona norte), na extrema periferia da capital. Ali, vive de aluguel enquanto constrói a primeira casa própria. Com ele vão viver mais seis pessoas, entre mulher e filhos.
A vida de Martins e de Inocêncio não se cruzam, mas são os retratos que indicam caminhos opostos do desenvolvimento da cidade de São Paulo nos últimos anos.
Levantamento da Folha com base em dados da Fundação Seade e do IBGE revelam duas tendências da cidade. Enquanto o centro expandido perde população suficiente para compor uma cidade do porte de Santos, a periferia incha o equivalente a Guarulhos.
Segundo o Seade, entre 1996, o primeiro ano com números disponíveis, e 2007, a base mais recente, o centro expandido, que abrange os bairros de alto poder aquisitivo, como Moema, perdeu 441 mil pessoas.
Nesse mesmo período, os extremos de São Paulo, onde estão as regiões mais pobres, como o Grajaú, ganharam cerca de 1,23 milhão de moradores.
Ao mesmo tempo, a população de cidades como Barueri, Vargem Grande Paulista e Santana de Parnaíba, que concentram condomínios de luxo na Grande São Paulo, quase dobrou no mesmo período.
O fenômeno tem nomes: urbanização dispersa ou espraiamento da ocupação. Ou seja, a cidade se expande para onde não deveria crescer.
O tema gera preocupações em aspectos como a distribuição de água, a coleta de lixo e o transporte público -serviços mais difíceis (e caros) nesse ambiente mais fragmentado do que a cidade tradicional.
Além disso, especialistas apontam implicações mais amplas e preocupantes, como a ocupação de áreas de mananciais e o uso intensivo do carro.
Para o professor da FAU Nestor Goulart Reis Filho, o deslocamento da indústria, e do emprego, que deixou regiões centrais como a Mooca e a Barra Funda nas últimas décadas, levou tanto a população rica quanto a pobre a migrar para perto das fábricas, e cada um mora onde tem condições de pagar. "As empresas saíram e as pessoas foram atrás delas."
Curiosamente, o movimento coincide com o boom imobiliário dos últimos dois anos nas regiões centrais, que, para o professor da FAU, é explicado pelo momento econômico.
"Durante muito tempo, não houve financiamento. Mas esse mercado é limitado", afirma.
Antes de trocar a Chácara Flora pela Granja Viana, os industriais Moysés e Graziella Tolisel alugaram uma casa na região para testar a adaptação da família. Todos gostaram.
"Quando não tem trânsito, levo 15 minutos até o shopping Iguatemi", diz Graziella. "A pergunta hoje é: a que distância fica da rodovia? Antes, era do centro", diz Reis Filho.

Publicado: Folha de S.Paulo (18/02/2008)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1802200801.htm



Periferia vive explosão de construções
DA REPORTAGEM LOCAL

A servente Queite Rodrigues Lima, 30, já está acostumada: dia sim, dia não, vê um caminhão de mudança chegar ao distrito de Anhangüera (zona norte de SP). É ali, segundo a Fundação Seade, que São Paulo mais cresce: 176% entre 1996 e 2007 -ou 41 mil pessoas a mais.
"Para onde se olha é uma obra nova", diz Queite, há sete anos no bairro.
São os terrenos baratos -de R$ 7.000 a R$ 20 mil- que atraem os moradores para a região. Muitas obras estão em áreas irregulares, segundo a Subprefeitura de Perus.

Publicado: Folha de S. Paulo (18/02/08)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1802200803.htm



Alemão troca Higienópolis por casa no mato
DA REPORTAGEM LOCAL

Radicado em São Paulo há 17 anos, o executivo alemão Patrick Koller, 39, morou de 1997 a 2004 na av. Angélica, eixo de Higienópolis, um dos bairros centrais da cidade.
Cansou da sensação de insegurança, do trânsito, da poluição e comprou uma casa no meio do mato, na serra da Cantareira, extremo norte da capital.
O objetivo dele não era viver ali, mas passar os fins de semana. Aos poucos foi ficando e acabou se mudando. "Estava no coração da cidade, em meio ao consumo e ao agito."

Publicado: Folha de S. Paulo (18/02/08)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1802200804.htm



Prefeitura tem de conter a dispersão, dizem urbanistas
Especialistas defendem que as pessoas voltem a morar nas regiões mais centrais
Coordenadora do Laboratório de Urbanismo da Metrópole da FAU diz que a migração intra-urbana para a periferia se baseia no preço da terra

DA REPORTAGEM LOCAL

A urbanização dispersa, foco de estudo de urbanistas e de preocupação da prefeitura, decorre de um modelo de desenvolvimento insustentável, que deve ser repensado.
Em termos de sustentabilidade, dizem os especialistas, não se pode pensar numa grande mancha urbana, e sim na articulação entre as áreas já ocupadas, com incentivo à habitação nas regiões centrais -que têm mais infra-estrutura e geram melhor qualidade de vida aos moradores.
Para o professor de urbanismo do Mackenzie Carlos Leite, doutor em desenvolvimento urbano sustentável, o crescimento de São Paulo tem se baseado no modelo americano, de subúrbios espraiados em áreas de baixíssima densidade, que já entrou em declínio e é alvo de questionamento nos EUA.
"Sob o prisma do desenvolvimento urbano sustentado é preciso voltar a crescer para dentro da metrópole, e não mais expandi-la. Reciclar o território é mais inteligente do que substituí-lo", diz Leite.
O professor da FAU Nestor Goulart dos Reis Filho diz que o investimento em infra-estrutura rodoviária levou a um novo tipo de urbanização em São Paulo. Em vez de seguir o tradicional esquema centro-bairro, o crescimento urbano agora é espelhado nas estradas, que promovem uma cidade difusa.
Para Reis Filho, a prefeitura lida com esse processo com leis ultrapassadas. "Isso depende de normas mais reguladoras."

Preço da terra
Coordenadora do Laboratório de Urbanismo da Metrópole da FAU, a urbanista Regina Meyer diz que a migração intra-urbana em direção à periferia se baseia no preço da terra.
"A população de baixa renda continua sendo expulsa para a periferia menos equipada e, portanto, mais barata", avalia.
Para Meyer, o movimento de periferização em São Paulo decorre, em grande parte, do modelo adotado nas políticas públicas de oferta de habitação popular pela prefeitura desde a década de 1960.
"Esse modelo foi decididamente voltado para o barateamento da oferta através da realocação da população de baixa renda em áreas de terra barata, isto é, sem saneamento, água, transporte e coleta de lixo", diz.
"Não é só um crescimento rumo à periferia, mas a ausência de formas que mantêm vínculos com o centro", completa Meyer.
(VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO)

Publicado: Folha de S. Paulo (18/02/08)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1802200805.htm



Gestão Kassab diz que Plano Diretor cria leis de ocupação
DA REPORTAGEM LOCAL

Para a Prefeitura de São Paulo, o Plano Diretor prevê instrumentos para combater o crescimento desordenado da periferia e o esvaziamento das regiões centrais da cidade.
Na periferia, a gestão Gilberto Kassab (DEM) diz que fiscaliza e intervém em áreas de proteção ambiental, caso de Anhangüera, próximo da serra da Cantareira. No centro, ações como a Nova Luz, projeto de requalificação urbana da cracolândia, estão em andamento.
Analistas da Sempla (Secretaria Municipal de Planejamento) ouvidos pela Folha consideram danosa a explosão populacional nos bairros pobres e a fuga de gente das áreas centrais. O custo de dotar bairros distantes com infra-estrutura equivalente à do centro, argumentam, é alto.
O ideal de ocupação, e que a Sempla diz promover em São Paulo, é o da cidade compacta, segundo o arquiteto Maurício Feijó, do departamento de urbanismo da secretaria.
"Políticas públicas têm de ser dadas para o repovoamento de centro", afirma a diretora do departamento de urbanismo, Nilza Toledo Antenor, responsável pelo Plano Diretor.
"Mas é difícil", diz Anette Kneip, diretora do Departamento de Estatística e Produção de Informação da Sempla.

Publicado na Folha de S. Paulo (18/02/08)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1802200807.htm



Matérias da Folha de S. Paulo (18/02/2008)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/indices/inde18022008.htm

« Última modificação: 30/Abril/2009, 09:32:01 am por Tatiane Cornetti » Registrado
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