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Autor Tópico: Chuva destrói prédios em São Luiz do Paraitinga (interior de São Paulo)  (Lida 15557 vezes)
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Tatiane Cornetti
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« : 03/Janeiro/2010, 10:49:28 am »

Chuva destrói prédios tombados no interior de SP

Um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do período do café no Estado de São Paulo está sendo destruído pelas águas que inundam a cidade de São Luiz do Paraitinga, a 140 km de São Paulo. A cidade tem cerca de 90 prédios tombados pelo patrimônio histórico estadual, que estão localizados na área central.


Centro histórico de São Luís do Paraitinga. Foto: Sergio Neves/AE

Pelo menos três casarões localizados na praça Oswaldo Cruz, no centro cidade, e metade da centenária igreja matriz de São Luiz de Toloza, já desabaram nesta manhã de hoje e os demais correm risco de desabamento. Outra igreja centenária, a mais antiga da cidade, a Capela das Mercês, também foi atingida pela catástrofe.

Desde a noite de quinta-feira, a cidade está sob as águas do rio Paraitinga, que está oito metros acima do nível normal, segundo a Defesa Civil, que calcula que cerca de quatro mil pessoas estão desabrigadas e isoladas. Apenas a parte alta da cidade não foi atingida pela enchente. A cidade tem 10,9 mil habitantes.

O acesso à cidade só pode ser feito por helicóptero. Desde a manhã de hoje, homens do Corpo de Bombeiros, Polícia Ambiental e do Exército iniciaram o resgate dos moradores que continuam isolados. A Câmara local, a Polícia Civil e outras instituições já iniciaram uma campanha de arrecadação de roupas, cobertores, colchões e gêneros alimentícios.



Publicado no G1 (02/01/2010)
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,inundacao-destroi-predios-historicos-em-sao-luis-do-paraitinga,489711,0.htm
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1432761-5598,00-CHUVA+DESTROI+PREDIOS+TOMBADOS+NO+INTERIOR+DE+SP.html
« Última modificação: 10/Janeiro/2010, 08:30:13 am por Tatiane Cornetti » Registrado
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« Responder #1 : 03/Janeiro/2010, 11:26:52 am »

Destruição e caos na histórica Paraitinga
Igreja Matriz, do século 19, já ruiu e imóveis tombados estão ameaçados


Bruno Paes Manso, ENVIADO ESPECIAL, SÃO LUÍS DO PARAITINGA

Eram 11 horas da manhã de ontem quando ruiu a primeira torre da Igreja da Matriz, construída no século 19, em São Luís do Paraitinga, no Vale do Paraíba. Uma grande onda de água se formou nas águas do Rio Paraitinga, que cobriam as ruas da cidade. A forte correnteza levou abaixo, logo depois, a segunda torre da Matriz e três casarões vizinhos tombados pelo patrimônio histórico. Moradores que viam a cena, ilhados nas ruas de paralelepípedo da parte mais alta da cidade, começaram a chorar.

As cheias que atingiram Paraitinga nos últimos dois dias ameaçam um dos mais importantes patrimônios culturais do Estado. Ainda é impossível saber quantos casarões ficaram de pé, entre os mais de 90 tombados - 10 já vieram abaixo.

A Igreja de Nossa Senhora das Mercês, do século 18, que contém rara imagem de Nossa Senhora grávida, também ruiu. Só uma das igrejas da cidade sobrou. "São prédios da época do café construídos em taipa de pilão, técnica onde o barro é socado com a pedra, que fica muito vulnerável às águas", explica o engenheiro civil Jairo Borrielo, morador da cidade que teve a casa coberta.

Nas ruas do centro histórico, completamente submerso, só era possível enxergar o topo de postes de luz e os picos dos telhados das casas com dois andares ou mais. Desde as 2 horas da madrugada, a energia da cidade foi desligada para permitir que o tráfego de botes de resgate ocorresse sem riscos de se enroscar nos fios. Só se sai e chega à cidade de barco.

O rio subiu cerca de 10 metros e cobriu a delegacia, o mercado municipal, a maioria das pousadas, escolas, postos de saúde, hospitais, deixando quase toda a cidade embaixo d"água. Mais de 5 mil moradores estão desabrigados, metade da população, mas ninguém morreu graças à agilidade das equipes de rafting que começaram a resgatar os desalojados desde anteontem (veja ao lado). "O maior consolo é que não temos vítimas. Mas falta tudo, água, remédios, comida, já que mercados, postos de saúde e todo o resto ficou submerso", disse a prefeita Ana Lucia Bilardi Sicherle, que também ficou com a casa submersa.

Na maior enchente da história da cidade, nos anos 1930, a água atingiu o segundo degrau da igreja da Matriz. As cheias de ontem cobriram até o belo altar de mármore da igreja e as águas passaram dos 4 metros. Técnicos da Defesa Civil explicaram que a chuva que caiu sobre os Rios Chapéu e Paraitinga motivaram as cheias. As ruas começaram a encher na manhã de anteontem. Por volta das 14 de anteontem, ainda era possível se entrar e sair da cidade. A ponte e os demais acessos da cidade foram cobertos pelas águas na madrugada de ontem. O tradicional carnaval do município está ameaçado.



Publicado no Estadão (03/01/2010)
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100103/not_imp489914,0.php
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« Responder #2 : 04/Janeiro/2010, 06:43:14 pm »

São Luiz do Paraitinga deve perder 80% de área histórica

ROGÉRIO PAGNAN
Enviado especial da Folha a São Luiz do Paraitinga

As chuvas que alagaram quase toda a cidade de São Luiz do Paraitinga, cidade turística a 182 km de São Paulo, no Vale do Paraíba, varreram quase 80% dos imóveis tombados pelo Condephaat, segundo previsão da prefeitura, incluindo duas igrejas, a matriz de São Luiz de Tolosa e a capela das Mercês.

Todos os imóveis foram protegidos oficialmente por conta de seu valor histórico --a maioria dos prédios era de casarões feitos com tijolo e barro- e constituía um dos maiores conjuntos arquitetônicos tombados em território paulista.
 
Escombros da igreja matriz, destruída pela chuva em São Luiz do Paraitinga; centro histórico da cidade ficou totalmente alagado

Ao imenso prejuízo histórico somam-se ainda os danos materiais: praticamente 9.000 pessoas da cidade de 10.500 habitantes foram afetadas pelos alagamentos e ao menos 5.000 não têm como voltar para casa.

Com casas perdidas ou semidestruídas, moradores ainda enfrentam um risco adicional: o temor de saques, que tem ameaçado até os objetos religiosos que integravam o acervo das duas igrejas destruídas.

O governador José Serra (PSDB) esteve ontem na cidade e disse que o governo tentará reverter a maior parte da destruição, inclusive a do patrimônio histórico. Questionada, por telefone, pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Alckmin, sobre o que precisava, a prefeita Ana Lúcia Bilard Sicherle (PSDB) respondeu: "De uma cidade".

Estragos
O centro histórico é preservado oficialmente desde 1982. "É um patrimônio colonial bastante significativo. Inclusive, estava sendo tombado também pelo Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], na esfera federal", disse Maria Tereza Luchiari, pesquisadora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em estudos sobre tombamentos de prédios.

A maior parte das construções nos arredores da praça Oswaldo Cruz --o médico sanitarista é um dos filhos ilustres da cidade, como o geógrafo Aziz Ab'Saber--, tinha fundações feitas de barro, característica dos imóveis construídos durante o século 19 e início do 20. Por isso, as estruturas não aguentaram a enxurrada. A igreja matriz de São Luiz de Tolosa, que ruiu no sábado, era do início do século 20.

A Defesa Civil só concluirá o levantamento de casas interditadas quando as águas voltarem ao nível normal, o que deve ocorrer amanhã, se não chover. Estão cobertos pela água, segundo autoridades municipais, pelo menos 600 imóveis. A estimativa do prejuízo na cidade supera os R$ 100 milhões.



Publicado na Folha Online (04/01/2010)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u674239.shtml
« Última modificação: 10/Janeiro/2010, 08:40:16 am por Tatiane Cornetti » Registrado
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« Responder #3 : 04/Janeiro/2010, 06:56:12 pm »

Patrimônio histórico de SP abaixo d’água

Em São Luiz do Paraitinga está o maior número de casarões e sobrados do século 19 tombados pelo patrimônio histórico do Estado de São Paulo.

Vejam o vídeo
http://tvig.ig.com.br/203362/patrimonio-historico-de-sp-abaixo-d-agua.htm



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« Responder #4 : 04/Janeiro/2010, 06:59:12 pm »

Iphan lamenta calamidade em São Luiz do Paraitinga

Amanhã, dia 5 de janeiro, técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan e do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – Condephaat do estado de São Paulo, estarão na cidade de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, para, juntos, fazer uma primeira avaliação sobre a situação do município, castigado pelas chuvas. O presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, lamenta o ocorrido, ressaltando que “é uma perda lastimável para o patrimônio histórico de São Paulo e do Brasil”.

Ele já esteve em contato com o secretário de Cultura do estado, João Sayad, e colocou toda a estrutura do Iphan a disposição do governo estadual. O presidente do Iphan explicou que os técnicos farão, de imediato, um levantamento das condições das estruturas que resistiram às águas para consolidá-las e dar início a um diagnóstico detalhado da situação. Esse trabalho será base para que o Iphan e o Condephaat possam montar as estratégias de recuperação do Centro Histórico.

Assessoria de Comunicação Iphan/Monumenta
Adélia Soares - adelia.soares@iphan.gov.br
Fone: (61) 3414.6187 / 3326-6864
www.iphan.gov.br / educacaopatrimonial.wordpress.com / @IphanGovBr



Publicado no site Iphan (04/01/2010)
http://www.maxpressnet.com.br/e/iphan/iphan_04-01-10.html
« Última modificação: 10/Janeiro/2010, 08:40:31 am por Tatiane Cornetti » Registrado
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« Responder #5 : 10/Janeiro/2010, 08:24:52 am »

'Parece possível restaurar Paraitinga'
Técnicos do Condephaat e do Iphan vistoriam cidade destruída e apostam na reconstrução de prédios históricos

Vitor Hugo Brandalise, enviado especial em São Luis do Paraitnga e João Carlos de Faria, especial para o Estado

Em vistoria preliminar realizada ontem à tarde, técnicos do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Conselho Estadual do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) avaliaram que 6 dos 24 imóveis integralmente tombados de São Luís do Paraitinga foram completamente destruídos. A metade terá de ser recuperada. A cidade tem outros 413 imóveis com tombamento parcial e, de acordo com os especialistas, "a maior parte" dos casarões parcialmente destruídos também poderá ser restaurada.



"Vai dar trabalho e ainda precisamos de análises técnicas aprofundadas, mas parece possível restaurar a maioria das edificações, que imaginávamos que estariam no chão", disse a presidente do Condephaat, Rovena Negreiros. A extensão exata dos danos começará a ser avaliada amanhã por uma comissão formada por técnicos do Iphan, Condephaat, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e prefeitura. Os imóveis terão de ser percorridos um a um e o levantamento deve levar até 90 dias para ser concluído.

"Avaliar um a um todos os casarões históricos leva tempo mesmo, não podemos nos arriscar a fazer avaliações precipitadas", disse Rovena. Após a vistoria, ela classificou a situação como "um horror". "Pareceu campo de guerra, nunca havia visto dano assim ao patrimônio histórico." O mesmo sentimento de desolação teve a superintendente do Iphan em São Paulo, Anna Beatriz Ayroza Galvão. "Estou me sentindo como se estivesse vendo uma cidade bombardeada", afirmou.

Apesar do estrago, o arquiteto do Iphan José Saia Neto, que participou do estudo de tombamento da cidade pelo Condephaat na década de 1970, também demonstrou animação a respeito da reconstrução da cidade. "Posso dizer, sem sombra de dúvida, que é o pior dano ao patrimônio histórico que já vi em mais de 30 anos de trabalho. Ainda assim, esperava coisa pior, por saber como são frágeis as casas da cidade, e ter visto o volume de água que a atingiu", disse o arquiteto. "Saio mais otimista do que entrei", afirmou.

DESTRUIÇÃO
A dinâmica da destruição também foi analisada. Para Roberto Leme, do Condephaat, e Saia Neto, do Iphan, a queda das igrejas - os prédios mais volumosos - provocou ondas de água que causaram destruição nos casarões dos arredores. "Basta perceber que as ruas onde houve mais destruição foram as mais próximas das igrejas: os casarões no largo central, onde fica a Matriz, e a na Coronel Domingues de Castro, próxima da Capela de Nossa Senhora das Mercês", disse Saia Neto.

Para o historiador Marcelo Toledo, de São Luís do Paraitinga, outros fatores, além do modelo de construção, contribuíram para as quedas - principalmente no caso da Igreja Matriz. Segundo ele, o templo já apresentava problemas de rachaduras. "A Mitra Diocesana já sabia, e o Poder Público local sempre foi omisso", acusou. Toledo é autor da ação pública que proibiu o tráfego de caminhões pesados na área tombada.

De acordo com os técnicos do Iphan e Condephaat, os imóveis com proteção integral - cujo tombamento impede qualquer modificação na volumetria, fachada e nos elementos internos - devem ser os primeiros a ser reconstruídos, com a Igreja Matriz, do século 19, e a Capela de Nossa Senhora das Mercês, do século 18, também destruídas pela chuva.

Os órgãos de proteção ao patrimônio ainda não estimaram o valor total a ser gasto na reconstrução da cidade, mas, segundo Saia Neto, a reconstrução de cada casarão destruído deve consumir aproximadamente R$ 1 milhão.

A maior parte das discussões entre os especialistas em restauração do patrimônio, porém, deve girar em torno da técnica a ser utilizada na reconstrução dos casarões e das igrejas - se vão utilizar as técnicas originais das edificações, do século 19, principalmente pau a pique e taipa de pilão; ou se deixarão amostras didáticas dessa forma de construção nas paredes, a partir de material recolhido agora, mas reconstruirão a cidade com técnicas atuais, com tijolos e alvenaria.

Para auxiliar no restauro, técnicos da prefeitura de São Luís do Paraitinga foram orientados ontem a coletar, nas montanhas de entulho, elementos de ornamentação e estruturais de madeiras não mais disponíveis para construção. São portas, janelas e batentes de peroba, canela-preta e outras madeiras nobres, utilizadas nos séculos 18 e 19, mas agora de difícil localização. "Esses objetos serão importantíssimos na hora de decidir que tipo de material utilizar na reconstrução e restauro e podem integrar novamente o projeto das casas", disse Saia Neto.

Além dos técnicos do órgão de tombamento, a cidade também poderá contar com a ajuda da Faculdade de Arquitetura da USP (FAU-USP). A instituição enviou ontem um comunicado ao Condephaat, disponibilizando professores e alunos nos trabalhos de reconstrução.

NOVO ESTUDO
Por causa da destruição, o Iphan, que finalizaria neste ano um estudo de tombamento integral da cidade, terá de interromper o processo. A discussão será retomada quando houver definição a respeito da situação e da recuperação dos imóveis. "Então saberemos como proceder nesse estudo de tombamento, que terá de ser algo completamente novo, com novas análises casa por casa", disse a superintendente Anna Beatriz.



Publicado no Estadão (06/01/2010)

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100106/not_imp491233,0.php
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« Responder #6 : 10/Janeiro/2010, 08:28:57 am »

Iphan vai rever processo de tombamento nacional em São Luiz do Paraitinga
Estudo estava praticamente concluído e seria encaminhado para avaliação. Segundo superintendente, avaliação deverá ser demorada.

A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de são Paulo, Ana Beatriz Ayrosa Galvão, disse nesta terça-feira (5) que o processo de tombamento nacional da cidade de São Luiz do Paraitinga “terá que ser revisto” depois da enchente que arrasou o centro histórico e a parte baixa do município.

Segundo ela, o processo de tombamento histórico e paisagístico do município pelo órgão já está praticamente concluído. Após esta etapa, o estudo que já vem sendo feito há quatro anos, seria encaminhado a um conselho superior do Iphan que analisaria o pedido de tombamento nacional.

Apenas a casa onde funciona o Museu Oswaldo Cruz, localizada na parte alta da cidade, é tombada pelo Iphan. Apesar da revisão, o tombamento ainda pode ocorrer. “Vai depender de uma avaliação e da recuperação dos prédios históricos”, disse Ana Beatriz.

De acordo com a superintendente do Iphan, a avaliação, no entanto, deverá ser demorada. Em sua primeira visita depois da destruição do centro histórico, ela ficou impressionada com o que viu. “Jamais tinha visto isso. Parece que houve um bombardeio”, afirmou.

Na visão dela, recuperar São Luiz do Paraitinga é mais do que um ato em beneficio da história do país, mas uma ação de solidariedade em relação aos moradores da cidade.

Rovena Negreiros, presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), por sua vez, afirmou que um diagnóstico completo deve levar ao menos 90 dias. Ao iniciar a visita na cidade, ela disse que o órgão tem as plantas da maioria dos imóveis históricos, mas que a restauração ou reconstrução total de alguns prédios como a igreja matriz dependerá de uma decisão coletiva.

Segundo a prefeitura, 90 prédios são tombados pelo Condephaat na cidade.



Publicado no G1 (05/01/2010)
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1435224-5605,00-IPHAN+VAI+REVER+PROCESSO+DE+TOMBAMENTO+NACIONAL+EM+SAO+LUIZ+DO+PARAITINGA.html
« Última modificação: 11/Janeiro/2010, 08:57:56 am por Tatiane Cornetti » Registrado
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« Responder #7 : 10/Janeiro/2010, 08:32:27 am »

Entulho ajudará a reerguer Paraitinga
Prefeitura recolhe material, como batentes e portas, em bom estado

Vitor Hugo Brandalise

Parte da reconstrução de São Luís do Paraitinga, cidade histórica no Vale do Paraíba devastada pelas chuvas na semana passada, será realizada com elementos retirados do entulho das próprias casas destruídas, segundo avaliação de especialistas em patrimônio que vistoriaram o local nos últimos dias. Orientados pelos técnicos, funcionários da prefeitura começaram ontem a separar batentes, portas, janelas e ornamentos de madeira dos séculos 18 e 19 que têm condição de ser reutilizados. Telhas e tijolos também devem ser reaproveitados, seguindo exemplo de Goiás Velho (GO), que também foi destruída por enchentes em 2001.

Na cidade goiana, eleita pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como exemplo a ser seguido em São Luís do Paraitinga, a maior parte do material atingido pelas enchentes foi reutilizada. No total, conforme consta do relatório final da reconstrução, 80% das telhas, 60% dos tijolos e 50% das portas e janelas danificadas foram reaproveitadas na construção da nova cidade.

"Ainda não é possível dizer exatamente quanto do material poderá ser reutilizado em São Luís, pois é necessário catalogar e fazer análise minuciosa. Mas nesses casos muito acaba sendo aproveitado", avaliou o arquiteto Roberto Leme, do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat). "Algumas portas e batentes, por exemplo, já foram separadas e seguimos o orientando funcionários para não tratar tudo como entulho."

A reutilização de material, aponta o Iphan, significa também barateamento na reconstrução. As estimativas iniciais de valores de reconstrução podem ser superestimados - na cidade goiana, a reconstrução, avaliada em R$ 50 milhões nos primeiros dias, saiu por R$ 6 milhões. No total, 170 imóveis foram avariados, 7 com perda total. Em São Luís do Paraitinga, porém, os danos são maiores - pelo menos 300 imóveis danificados, segundo levantamento parcial - mas ainda não há estimativa oficial sobre valores.

Para a superintendente do Iphan em Goiás, Salma Saddi, a principal lição de Goiás Velho diz respeito ao patrimônio humano. "Percebemos, por exemplo, que os mais velhos sofriam mais, com mais dificuldades em aceitar a perda. Por isso, quando iniciamos a reconstrução, as casas dos idosos receberam prioridade. Isso pode ser repetido em Paraitinga." Hoje, três especialistas em construções de barro chegam a São Luís.



Publicado no Estadão (08/01/2010)
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100108/not_imp492377,0.php
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« Responder #8 : 10/Janeiro/2010, 09:27:12 am »

Técnicos do Iphan avaliam centro histórico de São Luiz do Paraitinga 
 
Técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – Condephaat, da Defesa Civil de São Paulo e da prefeitura de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, percorreram nesta terça-feira, dia 5 de janeiro, as ruas enlamaçadas do município assolado pelas chuvas.

A superintendente do Iphan-SP, Anna Beatriz Galvão, destacou a importância dessa primeira visita como uma “declaração da nossa solidariedade à população que já conhece o trabalho do Iphan e do Condephaat e que sempre nos recebeu com muito carinho. Para nós é muito difícil ver a cidade tão castigada pela lama e pelas águas, mas todo o Iphan está pronto para trabalhar no sentido de resgatar a auto-estima dos moradores e recuperar a história e o patrimônio de São Luiz do Paraitinga”.

Anna Beatriz Galvão explicou que as estratégias de recuperação da cidade serão implementadas sempre em conjunto pelos parceiros envolvidos no trabalho. Segundo ela, essa foi a principal conclusão da primeira visita ao muncípio realizada depois que as águas começaram a baixar. Durante todo o dia, os profissionais percorreram o centro histórico com plantas nas mãos para fazer a marcação dos imóveis danificados.

A previsão da defesa civil e da prefeitura de São Luiz do Paraitinga é limpar ruas e espaços públicos até quarta-feira. Desta forma, segundo a superintendente do Iphan-SP, os técnicos voltam à cidade próxima quinta-feira, dia 7, já para atuar nos casarões históricos, orientando o escoramento das estruturas que ainda estão de pé. A partir daí será possível avaliar com mais precisão a condição dos imóveis e definir as estratégias para a recuperação do patrimônio.

Mais informações
Assessoria de Comunicação Iphan / Monumenta
www.iphan.gov.br / educacaopatrimonial.wordpress.com / @IphanGovBr


Fonte: Ascom 



Publicado no site do Iphan 06/01/2010

http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=848835D6522508D0E7D1EBA385B399CE?id=14916&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia
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« Responder #9 : 10/Janeiro/2010, 09:29:18 am »

Iphan mantém ações em São Luiz do Paraitinga durante o fim de semana 
 
O plantão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan continua no fim de semana, orientando os moradores e os profissionais da prefeitura e da defesa civil em São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, em São Paulo. A superintendente do Iphan – SP, Anna Beatriz Galvão, conta que os técnicos do instituto estão se revezando diariamente desde segunda-feira, dia 4, quando as águas do Rio Paraitinga começaram a baixar. A forte tempestade no primeiro dia do ano provocou a cheia do rio que inundou a cidade. Cerca de 80% dos 90 casarões históricos, tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – Condephaat, do estado de São Paulo, estão danificados. A calamidade também provocou a destruição de duas igrejas – a Matriz e a das Mercês – que são referência para a comunidade local.

Uma equipe do Iphan – GO, liderada pela superintendente Salma Saddi, chegou à cidade nesta sexta-feira, dia 8, para repassar as experiências vividas com a destruição e a recuperação do centro histórico da cidade de Goiás Velho e da Igreja Matriz de Pirenópolis. Salma Saddi explica que, “embora os casos sejam diferentes, aprendemos como agir diante de uma sitação de catástrofe. Num primeiro momento, o cenário que observamos é de total destruição, mas com o passar dos dias, percebemos que sempre há uma solução para cada problema que aparece”. Depois de andar pelas ruas de São Luiz do Paraitinga, a equipe do Iphan concluiu que o patrimônio histórico abalado pelas águas tem recuperação. Anna Beatriz Galvão e Salma Saddi adiantam que ainda não há definição sobre as técnicas que deverão ser empregadas. Elas explicam que há muita lama para ser retirada das ruas e do material que poderá ser reaproveitado na reconstrução da cidade. Os profissionais goianos passarão o fim de semana em São Luiz do Paraitinga para continuar as ações do Iphan junto à comunidade.

A enchente e a reconstrução de Goiás Velho
O ano de 2001 foi de muita alegria, mas também de muita dor para a primeira capital do estado de Goiás. Poucos dias depois de receber o título de Patrimônio Histórico da Humanidade da Unesco, em 17 de dezembro, Goiás Velho foi inundada em função da cheia do Rio Vermelho, no dia 31 de dezembro. Construções históricas, a maioria do século XVIII, a Igreja da Boa Morte, de 1779, que abriga grande parte da obra do santeiro José Joaquim da Veiga Valle, nascido em Pirenópolis, em 1806, a Igreja de São Francisco de Paula, que desde 1863 abriga a irmandade do Senhor do Bom Jesus dos Passos, a casa da poetisa Cora Coralina, tudo foi transformado em escombros. Dois anos depois da tragédia, o Iphan entregou à comunidade o Centro Histórico e todos os monumentos arrasados foram restaurados e reconstruído. Os restos do grande símbolo da cidade, a Cruz do Anhagüera, estão no Museu da Bandeira e uma réplica foi construída e colocada em seu lugar original.

A Matriz de Pirenópolis que renasceu das cinzas
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, a maior igreja construída no Centro Oeste Brasileiro, em 1728, foi destruída por um incêndio ocorrido em 5 de setembro de 2002. O fogo consumiu o telhado e toda a parte interna do monumento. O fogo começou pela sacristia, invadiu a capela, consumiu o retábulo-mor e alcançou o forro e o telhado da capela. A igreja fumegou por toda uma semana e, até hoje, ninguém sabe como o incêndio começou. Para a recuperação, o Iphan e a Sociedade dos Amigos de Pirenópolis – Soap, com a participação da comunidade, coordenaram as obras de reconstrução da igreja, que em 30 de março de 2003, foi devolvida totalmente recuperada aos moradores de Pirenópolis.

Mais informações
01/10 Assessoria de Comunicação Iphan / Monumenta
www.iphan.gov.br / educacaopatrimonial.wordpress.com / @IphanGovBr

Fonte: Ascom 



Publicado no site do Iphan 08/01/2010
http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=848835D6522508D0E7D1EBA385B399CE?id=14931&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia
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« Responder #10 : 10/Janeiro/2010, 09:30:25 am »

Iphan encontra imagens de igreja destruída em São Luiz do Paraitinga 

A equipe do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan-SP e do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – Condephaat, do estado de São Paulo, localizou todas as imagens da Igreja das Mercês, destruídas pelas enchente que assolou a cidade de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, em São Paulo, no primeiro dia do ano. Segundo a superintendente do Iphan-SP, Anna Beatriz Galvão, algumas peças estão em bom estado e outras estão bastante danificadas. Todo o material ficará guardado na casa de uma moradora, que também trabalha como voluntária na reconstrução da cidade.

Também começou a chegar a São Luiz do Paraitinga parte do material que será utilizado no escoramento dos imóveis tombados que estão com as estruturas abaladas. Anna Beatriz Galvão ressalta que uma das maiores preocupações no momento são os documentos históricos. Ela conta que o Iphan já está se articulando com especialistas em restauro de papéis para acompanhar a remoção dos exemplares até a cidade de São Paulo para trabalharem na recuperação.

A presença do Iphan em São Luiz do Paraitinga é constante. Assim que as águas começaram a baixar, os profissionais estão nas ruas. Anna Beatriz Galvão ressalta que a solidariedade à população, à prefeitura e ao governo estadual é de grande importância nesse momento. “As pessoas já estavam acostumadas com a nossa presença e agora, nesse momento tão difícil, elas sabem que realmente o Iphan se preocupa e está trabalhando para reconstruir o que foi levado pelas águas”, ressalta.

Experiência do Iphan em Goiás vai ajudar na reconstrução

Chegam nesta sexta-feira, dia 8 de janeiro, a São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, em São Paulo, a superintendente do Iphan-GO, Salma Saddi, o chefe do escritório técnico do Iphan em Pirenópolis – GO, Paulo Sérgio Galeão, e o arquiteto Sílvio Cavalcante. Eles estarão junto com a equipe da superintendência do Iphan em São Paulo acompanhando as ações de recuperação do patrimônio histórico.

O presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, explica que o objetivo é levar à cidade paulista a experiência vivida em Goiás após a enchente em Goiás Velho e o incêndio na Igreja Matriz de Pirenópolis. “Embora o desastre em São Luiz do Paraitinga seja sem precedentes na história do Iphan, o trabalho de recuperação dos bens goianos serão de grande valia para o resgate do patrimônio físico e, principalmente, da auto-estima da população de Paraitinga. Não podemos deixar de lado o aspecto emocional, já que aqueles casarões, a igreja e todos os imóveis e materiais que foram danificados pela enchente fazem parte da vida, do dia-a-dia da cidade, e são uma referência para cada um dos moradores”, explica o presidente do Iphan.

A enchente e a reconstrução de Goiás Velho
O ano de 2001 foi de muita alegria, mas também de muita dor para a primeira capital do estado de Goiás. Poucos dias depois de receber o título de Patrimônio Histórico da Humanidade da Unesco, em 17 de dezembro, Goiás Velho foi inundada em função da cheia do Rio Vermelho, no dia 31 de dezembro. Construções históricas, a maioria do século XVIII, a Igreja da Boa Morte, de 1779, que abriga grande parte da obra do santeiro José Joaquim da Veiga Valle, nascido em Pirenópolis, em 1806, a Igreja de São Francisco de Paula, que desde 1863 abriga a irmandade do Senhor do Bom Jesus dos Passos, a casa da poetisa Cora Coralina, tudo foi transformado em escombros. Dois anos depois da tragédia, o Iphan entregou à comunidade o Centro Histórico e todos os monumentos arrasados foram restaurados e reconstruído. Os restos do grande símbolo da cidade, a Cruz do Anhagüera, estão no Museu da Bandeira e uma réplica foi construída e colocada em seu lugar original.

A Matriz de Pirenópolis que renasceu das cinzas
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, a maior igreja construída no Centro Oeste Brasileiro, em 1728, foi destruída por um incêndio ocorrido em 5 de setembro de 2002. O fogo consumiu o telhado e toda a parte interna do monumento. O fogo começou pela sacristia, invadiu a capela, consumiu o retábulo-mor e alcançou o forro e o telhado da capela. A igreja fumegou por toda uma semana e, até hoje, ninguém sabe como o incêndio começou. Para a recuperação, o Iphan e a Sociedade dos Amigos de Pirenópolis – Soap, com a participação da comunidade, coordenaram as obras de reconstrução da igreja, que em 30 de março de 2003, foi devolvida totalmente recuperada aos moradores de Pirenópolis.

Mais informações
Assessoria de Comunicação Iphan / Monumenta
www.iphan.gov.br / educacaopatrimonial.wordpress.com / @IphanGovBr

Fonte: Ascom 




Publicado no site do Iphan 08/01/2010
http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=848835D6522508D0E7D1EBA385B399CE?id=14917&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia
« Última modificação: 11/Janeiro/2010, 08:58:28 am por Tatiane Cornetti » Registrado
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« Responder #11 : 10/Janeiro/2010, 09:38:02 am »

Como morreram as casas
Para Aziz Nacib Ab´Sáber, ilustre filho de Paraitinga, a ignorância arrasta a história para o fundo dos rios

Mônica Manir
Mauro Bellesa/Divulgação - 20/10/2009

SÃO PAULO - O pai de Aziz era homem de poucas letras brasileiras. Mas esse libanês maronita entendia o idioma do bom negócio. Quando a economia de São Luiz do Paraitinga começou a ruir por causa da Central do Brasil, ferrovia que tirou a cidade do eixo da exportação de café, seu Nacibinho levantou a barra da sua lojinha e foi-se embora com a família para Caçapava. Aziz tinha apenas 5 anos. Oito décadas depois, sua memória de São Luiz é viva o suficiente para que lamente todo o patrimônio histórico levado pela inundação e para que aponte nesta entrevista, colhida em interurbanos intermitentes para Ubatuba, os motivos "fisiológicos" que teriam levado a cidade do Vale do Paraíba a sucumbir sob as águas. Um deles é a periodicidade de uma crise climática anômala. Dependendo da região, de 12 em 12 anos, de 13 em 13 ou de 26 em 26, o mundo desaba. E os homens e as moradias sofrem com as chuvas, ainda mais se decidem ocupar o que não pode ser ocupado.

As escorregadelas políticas também cá estão. Aziz não é de poupar burrices administrativas, especialmente na área ambiental. Critica todas as camadas do governo - do federal, com quem se desentendeu logo no início do mandato do presidente Lula, ao municipal, com seus "prefeitos incautos". Só o enchem de esperança os jovens, mas aqueles que frequentam as boas universidades brasileiras, para quem este eterno mestre da geografia escreve o terceiro volume de suas Leituras Indispensáveis.

São Luiz do Paraitinga perdeu ¼ dos imóveis tombados. Foi um dos maiores desastres culturais do País. Como o senhor reagiu a isso?

É compreensível que, tendo nascido lá, eu sinta uma tristeza imensa com essa destruição. Houve, no passado, uma tragédia semelhante. Quando eu era menino, com 4, 5 anos, meus parentes comentavam: "A cidade foi inundada até a beira do mercadão". A casa dos meus pais ficava numa esquina em frente do mercado e o fundo dela era o rio, que volteava tudo. Mas, na época, São Luiz tinha um crescimento populacional mais razoável. Lembro que a margem de ataque do rio, à beira d'água, era uma estradinha tangenciando o morro para poder chegar ao caminho de Ubatuba. Andei muito do outro lado do rio, onde ia coletar pitangas gostosas na borda da mata. Hoje, além das pousadas, há os eucaliptais, que são uma presença extremamente perigosa no entorno de São Luiz. Os eucaliptólogos descobriram os morros da cidade, plantaram num nível de até 15, 20 quilômetros de São Luiz para oeste. Isso mudou todo o esquema.

Como assim?
Os eucaliptos oferecem vantagens econômicas para os donos de empresas, mas, com eles, há o sugamento da água subterrânea. Na estrada de Tamoios, próximo da represa do Paraibuna, a formação de bosques de eucaliptos é ainda maior. Os eucaliptólogos se reúnem sempre lá para fazer seus projetos. Ocorre que os prefeitos são incautos. Dando um pouco mais de impostos e de dinheiro para a prefeitura, eles deixam acontecer.


Que características tem a cidade para já ter sofrido inundação no passado?
Toda aquela região da Praça da Matriz, que é a região da Rua das Tropas e a região do mercado, tudo aquilo é envolvido por um meandro. Meandro é uma volta do rio às vezes muito alongada, às vezes mais estreita. Todo meandro tem um lóbulo interno, a várzea. Do outro lado, sobretudo em áreas de morros, ficam os declives. Bom, tudo isso se modificou muito. Antigamente, o povo chamava o período de maior cheia do rio, embora não catastrófica, de tromba d'água. As duas expressões mais bonitas de São Luiz eram rio acima e rio abaixo. Vinham de rio acima grandes aguadas, mas elas raramente subiam até o lóbulo e, portanto, até a praça. Desta vez, as grandes chuvas desceram os patamares de morros e chegaram aos terraços. Houve deslizamentos de blocos de terra, árvores, pedaços de rocha. Foi uma tragédia total.


Técnicos atribuem a desgraça também ao excesso de chuvas. Está mesmo caindo mais água do céu?

Este é um período anômalo, de grandes interferências na climatologia da América do Sul, provocadas por um aquecimento relacionado ao El Niño. Primeiro foi no nordeste de Santa Catarina, depois no Rio e no Espírito Santo, depois em São Paulo, depois em Minas, depois no sul de Mato Grosso. A coisa foi se ampliando por espaços do tropical atlântico e por outras áreas do planalto brasileiro. Na época da enchente catarinense, fiz uma listagem da periodicidade climática de exemplos bastante prejudiciais para cidades e campos. Esse trabalho está publicado na revista do Instituto de Estudos Avançados de dezembro e mostra que, de 12 em 12, ou de 13 em 13, ou de 26 em 26 anos, desde 1924 até dezembro de 2008 e dependendo do lugar, houve essa periodicidade. Cheguei à conclusão de que é preciso muito cuidado nos próximos 12 anos em Blumenau e fazer obras de retenção na área de extravasamento do rio no sítio urbano. Caso contrário, quando esse ciclo atormentado da climatologia se repetir, será reanunciada a desgraça
 

Mas o senhor previu que Paraitinga também poderia sucumbir?

Quando passei a visitar de novo o município para conhecer melhor minha terrinha, não senti a possibilidade de invasão de águas no lóbulo interno pegando a Praça da Matriz. Não senti. Não achei que isso ia acontecer. Tanto que insisti muito em trazer a biblioteca de ciências, que estava na ex-casa de Osvaldo Cruz, para um lugar mais baixo e frequentado por crianças. A Praça da Matriz seria o lugar ideal. Transpuseram os livros, montaram uma bibliotecazinha ali. Os empresários, aliás, em vez de se preocupar com a cidade, resolveram fazer uma dádiva apenas para mostrar colaboração. Criaram a biblioteca infantil e mandaram comprar livros que não tinham nada de relação com a educação infantil. Eu fiquei furioso com isso. Continuei levando muitos livros para lá, auxiliado por uma pessoa que fez história na USP. Foi a minha tarefa. Mas a gente não sabia que ia chegar o dia dos 13 em 13 e dos 26 em 26. Passei a me preocupar com isso depois que estudei o quadro na região de Blumenau. Já estava escrito.


Que história se perdeu sob as águas do Rio Paraitinga?
A história de uma cidade que enriqueceu durante o ciclo do café e decaiu com a estrada de ferro. Durante o ciclo, a única maneira de exportar o café era saindo de Taubaté e passando pela região onde hoje está São Luiz. Ali se formou uma rua alongada, com as casas à direita e à esquerda, a Rua das Tropas. Pois bem, algumas pessoas dos arredores de São Luiz também tiveram ali fazendas de café. Houve uma época, inclusive, em que empreendedores de origem francesa tentaram fazer uma indústria de tecidos no caminho que vai de São Luiz a Ubatuba, por isso muitos nomes da cidade têm origem híbrida, portuguesa e francesa. Mas foi um investimento fracassado.


E como surgiram os casarões?

Os fazendeiros de café ficaram tão encantados com a exportação do produto pela estrada que tiveram, a partir de 1850, a ideia de construir casarões para morar na cidade. E toda roça é muito triste à noite, sobretudo aquelas com riachos cortando os morros. Enquanto na roça permaneceram os capatazes, na cidade os fazendeiros receberam imigrantes de várias partes, especialmente de Portugal, que tinham tradição e capacidade de construir casarões de pau a pique e taipa. Não é uma coisa que resista a todos os tempos, sobretudo quando há enchentes dramáticas. Bom, filha, essas pessoas receberam uma tragédia socioeconômica em torno de 1900, quando se estabeleceu a Estrada de Ferro Central do Brasil. Todo o café, do vale inteiro, passou a sair pela estrada por Taubaté, São José dos Campos e Lorena em direção ao Brás e, de lá, pela Estrada Santos-Jundiaí. Mudou-se o eixo da exportação. O problema era sério e grave. Algumas famílias de fazendeiros foram fenecendo. Pessoas de Minas Gerais, que sabiam guardar seu dinheirinho, vieram para São Luiz e compraram terras para fazer o que sabiam fazer: criar gado leiteiro. Disso viveram por muitos anos. Quanto aos casarões, muitos foram transformados em hotéis.

O senhor acredita que Paraitinga voltará a ser polo turístico?
A USP, universidade em que nasci como pessoa cultural, vai fazer um grupo de trabalho para compreender a cidade em todos os níveis. Disseram que queriam colocar o meu nome em primeiro lugar na equipe. Pedi que não me constrangessem. Eu já estou muito constrangido com mil coisas, estou desesperado com os péssimos políticos que o Brasil tem.


O senhor disse certa vez que o governo não tinha noção de escala. Continua achando o mesmo?
Em projetos médios e maiores, continua sem noção. E quem não tem essa noção dirige mal o seu país. No caso do presidente da República, sempre insisti com ele: "Você, que sabe fazer discurso, fale nas suas prédicas que vai pensar no nacional, no regional e no setorial". O nacional é a Constituição, são as reformas especiais que precisam acontecer de tempos em tempos. Regional é o conhecimento do Brasil como um todo: as terras baixas da Amazônia, os afluentes do Amazonas, o Golfão Marajoara, as colinas recobertas por caatingas entre as chapadas do Nordeste, entrando um pouquinho pelo Piauí e muito pelo Rio Grande do Norte, com raros solos vermelhos, bons quando a topografia é suave. Esses locais foram muito úteis para o Ceará, mais úteis que alguns políticos que existem lá. O setorial pressupõe pensar em educação, saúde pública, transportes, comunicação livre, setor socioeconômico e setor sociocultural.


Há quem atribua essas tormentas climáticas dos últimos meses ao aquecimento global. Há alguma verdade nisso?
Isso é bobagem. O ciclo deste ano é um ciclo periódico complicado. Essas pessoas que falam em aquecimento global erraram tanto até hoje... Diziam, por exemplo, que o aquecimento iria derruir a mata amazônica. Outro publicou num jornal de São Paulo que, por causa do aquecimento global, a mata atlântica de Santa Catarina até o Rio Grande do Sul seria destruída. Ele não sabia que essa mata só está na costa. Agora, é verdade que, somando os aquecimentos das áreas industriais e das áreas urbanas, dá um aquecimento contínuo. Daí em Copenhague terem defendido o combate a ele.


O senhor achava que a COP-15 teria outro desfecho?
Eu sabia que seria um insucesso. Quero um bem imenso à Dinamarca, tenho razões culturais para isso, mas note bem: quando vi que o Lula ia indicar um grande número de pessoas, foram mais de 740, eu disse: como é que em Copenhague, cidade relativamente pequena, tradicional, como é que vai haver uma reunião em que mais de 740 pessoas possam fazer debates? Ia dar numa coisa zero.

 
Foi um insucesso por causa da grande comitiva brasileira?
Foi por causa de tudo, mas o Brasil viajou para lá exuberante. Levaram a Dilma. A Dilma nunca entendeu de meio ambiente. Não tem culpa. Ela tem outro passado, daí ter sido colocada inicialmente no Ministério de Minas e Energia.

 
E o que o senhor acha de Marina Silva como candidata, ela que sempre esteve ligada à preservação ambiental?
Ela não conhece o Brasil. É uma mulher do Acre, uma pessoa que acredita no criacionismo. Ela é ela, e acabou. Tudo o que sabe é que existiram aquelas fantásticas atitudes de Chico Mendes.

 
Quem entende de meio ambiente no governo, professor?
No governo, apenas os técnicos mais jovens do Ibama, com o auxílio de promotores públicos também jovens, saídos das boas universidades brasileiras. São eles que me dão entusiasmo, são eles que me dão esperança. Mas o Ibama está gradeado pelo governo federal, o que é um absurdo. Isso vai redundar, no futuro, em muita coisa contra a biografia de todos eles, sejam governantes federais, estaduais ou municipais. Digo e repito: nós no Brasil precisamos aprender a contestar os idiotas.


Sérgio Neves/AE



Publicado no Estadão (09/01/2010)

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,como-morreram-as-casas,493106,0.htm

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« Responder #12 : 24/Janeiro/2010, 12:24:35 pm »

Reconstrução de igrejas em Paraitinga-SP terá R$ 17 mi

A Secretaria de Cultura do Estado deve destinar cerca de R$ 17 milhões para a reconstrução das duas igrejas de São Luiz do Paraitinga, que acabaram destruídas pela enchente que atingiu a cidade no início de janeiro. Esse é o valor estimado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat).

O assunto foi discutido ontem, quando os membros do Condephaat se reuniram para discussão e definição das estratégias que irão nortear a reconstrução do conjunto arquitetônico da cidade. A reunião determinou que os dois prédios serão reconstruídos pelo Governo do Estado.

A proposta é manter as características originais da Capela das Mercês, mas projetar uma versão mais flexível para a Igreja Matriz. A Diocese de Taubaté vai executar os projetos, que devem ser iniciados ainda nesse ano.

Com relação aos casarões, o Condephaat determinou que as fachadas dos prédios prejudicados pela enchente serão reconstruídas de acordo com o estilo original, mas será facultado aos proprietários promover mudanças no interior. “Haverá mais liberdade, pois a reconstrução deve visar o conforto”, disse o secretário da Cultura, João Sayad.



Publicado no site Defender (23/01/2010)

http://www.defender.org.br/reconstrucao-de-igrejas-em-paraitinga-sp-tera-r-17-mi/
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