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Autor Tópico: Revista da Folha: Sonhando com seu futuro  (Lida 1698 vezes)
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Tatiane Cornetti
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« : 24/Janeiro/2010, 12:34:27 pm »

Sonhando com seu futuro
por Bruno Padovano



Ontem à noite sonhei com São Paulo no longínquo janeiro de 2054. Era um dia de chuva, mas a megacidade não apresentava pontos de enchente: estava apenas molhada e perfumada com as flores maduras do verão, cuja rica fragrância poderia ser apreciada pela falta de poluentes no ar, desde os tempos em que os automóveis haviam sido mudados para elétricos.

Estava dentro de um barco no rio Tietê, que se movia lentamente ao longo de uma marginal esvaziada de tráfego e em boa parte devolvida à natureza, com seus grandes canteiros arborizados e árvores e palmeiras majestosas. Os carros eram poucos, por causa de um eficiente sistema de trens e metrô, que interligava todos os bairros. Caminhões raríssimos, quase todos desviados para o Rodoanel, e substituídos em boa parte pelos grandes helicópteros de carga, movidos a antimatéria, silenciosos e belos, que somente voavam à noite.

Deslizando sobre as águas límpidas do Tietê, com suas margens tratadas com criativos jardins e obras de arte, percebi que as pessoas tomavam vinho branco no convés e se abraçavam, fraternalmente. Dos alto-falantes fluía uma música por mim jamais ouvida, misto de new age e chorinho. Ao mesmo tempo tocante e divertida. Ao redor, torres altas, esbeltas e isoladas, permitindo a visualização do espigão com sua magnífica torre de telecomunicações, da Cantareira e do pico do Jaraguá.

Mesmo bem velhinho, com a idade atual de Oscar Niemeyer, conseguia enxergar essas belas imagens: aves voando por toda parte; garças, bem-te-vis e muitas, muitas andorinhas. Depois, alcei voo com elas por sobre uma cidade na qual os urbanistas haviam pensado em tudo -calçadas verdes e drenantes, esquinas com bares cheios de gente alegre, belas praças com seus monumentos antigos, inúmeras escolas com crianças bem nutridas e brincalhonas, campos de futebol e piscinas públicas intensamente utilizadas, grandes complexos residenciais ao redor das estações de transporte de massa...

São Paulo, com seus 12 milhões de habitantes, fora os outros 18 milhões na região metropolitana, constituía um dos espetáculos mais empolgantes da Terra. Soltei uma gargalhada lá de cima, que repercutiu sobre o território urbanizado, agora iluminado pelo pôr do sol que apontava para o oeste, por entre as nuvens escuras que iam se afastando.

O mais fantástico ainda haveria de acontecer: à medida que a noite caía, assisti a meio milhão de empolgantes fogos de artifício sendo soltos por toda parte. São Paulo festejava seus 500 anos de vida, com muita festa! Acordei e levantei, esperançoso, para mais um dia de trabalho.

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Bruno Padovano, 58, arquiteto e urbanista, é o colunista e o ilustrador convidado desta edição.



Publicado na Revista da Folha (24/01/2010)
http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf2401201002.htm
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