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Autor Tópico: Artigos de Marcos Cintra sobre a questao do transito em S. Paulo  (Lida 3297 vezes)
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Jorge
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« : 27/Março/2008, 12:44:48 am »

Trânsito. Coragem, prefeito
Marcos Cintra
Publicação: Folha de S. Paulo                                                             
Data: 17/03/2008 

EM 2000 , na preparação de plano de governo para São Paulo, propus a alteração do modelo viário, promovendo sua urgente revascularização. A proposta era parar de concentrar o fluxo viário nas grandes artérias, onde ocorrem os congestionamentos, fazendo-o fluir pelas vias secundárias ociosas.
Como diz o secretário municipal dos Transportes, "uma viagem de helicóptero no horário de pico permite ver que o trânsito está carregado em grandes avenidas e livre em vias paralelas". A observação é pertinente, mas pouco resolverá apontar 140 rotas alternativas, como prometido, pois, suspeito eu, todos já as conhecem e delas já se utilizam.
As autoridades perderam tempo e dinheiro quando mantiveram o modelo arterial no trânsito paulistano. A construção de dispendiosas artérias (que são os focos de congestionamentos) custaram quase R$ 3 bilhões (túneis subaquáticos, pontes estaiadas que comportam navegação de transatlânticos, vias monumentais e outras extravagâncias).
Se, em vez disso, a cidade tivesse gastado esses recursos para promover a remoção de obstáculos viários, para a construção de dezenas de pequenas pontes e viadutos nas marginais e para a configuração de uma rede reticular de ruas, o trânsito fluiria mais livremente ocupando a totalidade do leito carroçável, em vez de se concentrar nos 5% das pistas arteriais, totalmente ateroscleróticas.
Nova York tem 22 mil veículos por km2, e em São Paulo ainda são 4.500 veículos por km2. Porém aqui há congestionamentos mais graves que lá, pois Manhattan possui um sistema quadriculado de vias que são homogeneamente utilizadas. Aqui existem serpentes de congestionamentos cercadas de ruas vazias.
Nos artigos "Neuróticos e improdutivos" e "Revascularização do trânsito em São Paulo", publicados nesta coluna em 26/11/2007 e em 10/12/2007, respectivamente, procurei mostrar as implicações econômicas da calamidade que virou o trânsito paulistano. O caos verificado diariamente no principal centro econômico do país (o município representa 12% do PIB brasileiro) compromete a competitividade da produção nacional. O custo de transporte, de carga e passageiros, aumenta. O custo de oportunidade das pessoas paradas no trânsito é de mais de R$ 27 bilhões por ano, sem contar o desperdício de combustível e os efeitos maléficos da poluição.
A impressão que se tem é que as autoridades têm medo de agir. Há medidas que poderiam melhorar o transporte na cidade, mas é preciso coragem e determinação para implementá-las. Algumas delas são:
1) Agir com rigor na fiscalização de veículos velhos e inseguros. Nas ruas, circulam até carrinhos de mão e carroças com tração animal;
2) Restrição à circulação de caminhões de grande porte. São Paulo precisa funcionar 24 horas por dia, e horário para transporte de carga deve ser entre as 22h e as 6h;
3) Investir em terminais de transbordo. Isso evitaria os ridículos comboios de ônibus vazios em fila indiana na região central e grandes avenidas (vale a pena verificar a avenida Paulista!);
4) Implantar pedágio urbano, como em Londres, Milão, Estocolmo, Cingapura e Oslo. É preciso igualar a utilidade marginal privada ao custo social pelo uso do automóvel.
Essas ações, e inúmeras outras, seriam paliativos para amenizar a absurda crise de mobilidade na cidade, enquanto se espera pela solução definitiva, que é o transporte de massa eficiente. Esperar passivamente vai matar a cidade e muitos de nós iremos juntos.



Um Novo modelo viário para São Paulo
Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque*
Publicação: Gazeta Mercantil                                                               
Data: 09/01/2008 

No artigo “O custo do trânsito nas ruas de São Paulo”, publicado nesta coluna em 5 de dezembro último, mostrei que os congestionamentos de São Paulo adquiriram dimensões alarmantes e que as autoridades pouco ou nada fazem para atenuar o problema. Urge, contudo, buscar algumas soluções paliativas para minorar a tortura diária imposta aos cidadãos e também para aliviar o custo que essa situação impõe ao setor produtivo.

Melhorar a fluidez do trânsito em São Paulo teria efeito positivo para toda a economia paulista e brasileira. A cidade participa com 30% de tudo que é produzido no estado que, por sua vez, responde por mais de um terço do PIB nacional. Investir em melhores condições de circulação de carga e de pessoas na cidade proporcionaria maior competitividade ao setor produtivo em geral. Hoje o tempo e o dinheiro gastos nos congestionamentos geram elevados custos econômicos.

O sistema viário na cidade de São Paulo sofre atualmente por conta de uma visão que era válida em um passado longínquo. O município era pensado em termos urbanísticos como um núcleo central rodeado por áreas periféricas, onde a diretriz era construir artérias radiais para onde os veículos pudessem fluir e, a partir delas, chegar mais rápido ao centro. Essa concepção precisa ser revista, sob pena do agravamento dos congestionamentos.

São Paulo vista de cima mostra que os congestionamentos ocorrem nas principais ruas arteriais e em seus acessos. Ao mesmo tempo, a maior parte do leito carroçável fica ociosa. Essa situação deriva do modelo que privilegia as grandes obras, em detrimento de ações viárias mais modestas que poderiam interligar vias.

A atual visão urbanística em São Paulo induz à execução de projetos portentosos e de elevado custo como túneis com sofisticados sistemas de ventilação, por exemplo, e pontes com arquiteturas deslumbrantes (a ponte estaiada do complexo viário Real Parque é um caso que leva uma pessoa de fora pensar que pelo rio Pinheiros circulam grandes transatlânticos). Essas obras podem se destacar pela grandiosidade e ostentação, mas não melhoram o trânsito. O máximo que elas fazem é transferir alguns metros para frente uma área onde havia uma situação crítica de circulação. O modelo agrada empreiteiros e alguns políticos, mas não atenua o caos crescente do trânsito na cidade.

Vale uma comparação de São Paulo com Manhattan, nos Estados Unidos. Enquanto nas vias paulistanas circulam 6 milhões de veículos numa área de 1.509 km² (4 mil veículos por km²), naquela região de 87,5 km² rodam 1,9 milhão de automóveis (22 mil veículos por km²). Mesmo com uma densidade veicular 4,5 vezes maior que a da capital paulista, não se vê em Manhattan congestionamentos como em São Paulo. Pelo contrário, os veículos ocupam quase que homogeneamente as ruas da ilha, fazendo o trânsito fluir por toda a superfície com maior velocidade.

A situação observada em Manhattan mostra que a saída para São Paulo é a revascularização de suas vias de circulação, uma vez que o modelo arterial concentrador definitivamente não funciona mais. Revascularizar significa executar obras que interliguem vias e essa diretriz deveria ser adotada, ainda que seja um paliativo, para que o trânsito possa fluir até que a cidade conte com uma malha metroviária ideal para tirar veículos das ruas e resolver definitivamente o problema do trânsito.

O modelo arterial demanda investimentos em grandes obras viárias, como a da ponte estaiada do complexo Real Parque (estimada em R$ 230 milhões) e os túneis Jânio Quadros (R$ 1,2 bilhão), Ayrton Senna (R$ 1,02 bilhão), Rebouças (R$ 121 milhões) e Faria Lima (R$ 97 milhões), apenas para citar os mais conhecidos e espalhafatosos investimentos. Fica uma pergunta: com os mesmos recursos não teria sido mais útil construir 88 novas pontes de porte médio, como a da Cidade Jardim. por exemplo, com seis pistas de rolamento cada uma, ao custo unitário de R$ 30 milhões? Seriam criadas 528 novas pistas em pontes que atravessariam os rios Pinheiros e Tietê a cada 500 metros, complementando as 30 hoje existentes, e que são gigantescos pontos de estrangulamento na cidade. A revascularização do fluxo viário seria imediata, dando maior fluidez ao trânsito.

É preciso um novo modelo viário para a. principal economia do País. Em vez de grandes obras, bastariam ações de menor porte que conectassem ruas, de tal maneira que elas fossem utilizadas de forma homogênea. Em alguns anos se estaria criando um sistema de vias reticulares na cidade, desconcentrando fluxos de veículos, retirando-os das artérias entupidas. e otimizando o uso dos 16 mil quilômetros de ruas de São Paulo.

Apenas esse modelo não resolve por completo os problemas de circulação em São Paulo, mas tornaria a vida do cidadão menos neurótica e mais produtiva e favoreceria,o ambiente de negócios no município, com reflexos positivos para a economia do País.



MARCOS CINTRA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE , 62, doutor pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas, foi deputado federal (1999-2003). É autor de "A verdade sobre o Imposto Único" (LCTE, 2003). Escreve às segundas-feiras, a cada 15 dias, nesta coluna.
Internet: www.marcoscintra.org
mcintra@marcoscintra.org
« Última modificação: 30/Abril/2009, 10:24:42 am por Tatiane Cornetti » Registrado
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