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Autor Tópico: Antigo Hospital Matarazzo vai ter cursos universitários e escritórios  (Lida 4566 vezes)
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Tatiane Cornetti
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« : 03/Junho/2010, 02:17:22 pm »

Antigo Hospital Matarazzo vai ter cursos universitários e escritórios
Complexo foi vendido para a PUC-SP e para fundo de empresas; área nobre está semi-abandonada desde 1993

SÃO PAULO - O complexo de edifícios neoclássicos na região da Avenida Paulista onde até 1993 funcionou o Hospital Umberto Primo (também conhecido como Hospital Matarazzo), em área nobre da capital, está perto de voltar a viver. Praticamente abandonado há quase 17 anos, o conjunto foi negociado em segredo pela Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), que o havia adquirido em 1996, com a Fundação São Paulo, mantenedora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e com um fundo de investimentos - ainda não há informação sobre a identidade das empresas de tal grupo.



Juntos, universidade e fundo compraram a área, no quadrilátero das Ruas Itapeva, São Carlos do Pinhal, Pamplona e Alameda Rio Claro em uma negociação que durou pelo menos seis meses, depois da abertura de uma licitação pela Previ. Dessa licitação também participou um grupo empresarial francês, que pretendia construir um hotel no complexo. A proposta francesa acabou derrotada.

Fontes ligadas à transação informam que um terço da área abrigará um campus da PUC, onde serão desenvolvidas "atividades culturais" e, possivelmente, cursos universitários. O restante será explorado comercialmente pelo fundo, com a possibilidade de implementação de estabelecimentos comerciais e escritórios. Mas o tombamento dos prédios, em vigor desde 1986, será mantido, de acordo com as fontes. Portanto, não há risco de o conjunto de 1904 perder suas características arquitetônicas neoclássicas.

A PUC-SP convocou uma reunião, que inicialmente ocorreria no dia 27, e depois foi transferida para a próxima segunda feira, com as entidades de bairro, de ex-pacientes do hospital e ONGs interessadas na preservação e recuperação do espaço. Nessa reunião, a universidade promete divulgar seus projetos. Tanto a instituição educacional quanto o fundo estariam aguardando a assinatura do contrato antes de anunciar a posse dos imóveis. Não há dados sobre valores envolvidos na transação. Procurada, a Previ não deu informações sobre a venda.

Arquitetos, porém, já trabalham em projetos de redesenho para o conjunto. "O que fazemos questão é de que os prédios sejam preservados, como prevê a lei. Queremos a história preservada. E também exigiremos que pelo menos parte do complexo seja devolvido à comunidade como centro de saúde", diz Célia Marcondes, presidente da Sociedade de Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César (Samorcc), uma das entidades convidadas para a reunião na universidade. "Levaremos essas reivindicações à PUC", adianta.

Patrimônio. O próprio tombamento foi um dos fatores que levaram à degradação do Hospital Matarazzo ao longo dos últimos anos. A legislação de patrimônio, ao mesmo tempo que obriga a preservação das características originais dos imóveis, não fala sobre a manutenção deles em condições de uso ou de ocupação.

Quando adquiriu o conjunto, a Previ chegou a anunciar a derrubada dos prédios para a construção de torres comerciais de escritórios e tentou, na Justiça, uma ação de destombamento. Em 1999, no entanto, entidades de preservação patrimonial e sociedades de bairro conseguiram bloquear a ação da Previ.

Desde então, os prédios permaneceram em um estado de semi-abandono: a Previ optou por, segundo ela mesma divulgou, em setembro passado, a realizar apenas pequenas intervenções pontuais de reforma. Em 2003, o complexo chegou a sediar uma edição da feira de arquitetura CasaCor.

Atualmente, em vários pontos dos prédios, há fiação exposta, paredes descascadas, poços de elevadores sem proteção, forro caindo, infiltrações, poças d'água, ninhos de pombos, goteiras e umidade. A visitação não é permitida.



Publicado no Estadão (01/06/2010)
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,antigo-hospital-matarazzo-vai-ter-cursos-universitarios-e-escritorios,560022,0.htm
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« Responder #1 : 24/Junho/2010, 10:56:21 am »

Grupo novo no país se alia à PUC para comprar prédio histórico em SP

WWI planeja lojas e hotel no imóvel do antigo hospital Umberto Primo
Investidor aparece em documento que a PUC assinou para poder usar imóvel na Bela Vista, na região da av. Paulista

MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

Adriano Vizoni/Folhapress

Prédio do hospital Umberto Primo, na alameda Rio Claro, região da avenida Paulista

Um grupo de investimentos desconhecido, chamado WWI Group (World Wide Investements), está por trás do negócio em que a PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) ficaria com parte das instalações do hospital Umberto Primo, na região da avenida Paulista.
A intenção do WWI é construir uma torre comercial e um hotel de superluxo junto ao imóvel tombado pelo patrimônio histórico.
O nome do WWI aparece no protocolo de intenções que o reitor da PUC, Dirceu de Mello, assinou para poder usar o imóvel. Inicialmente, a PUC anunciou que comprara o prédio. Anteontem, o reitor mudou a versão: disse que a universidade seria inquilina do imóvel.
A Folha apurou que a PUC pagaria um aluguel mensal de R$ 700 mil pelo prédio.
A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, é dona do imóvel.
Comprou-o em 1996 por R$ 68 milhões, o equivalente hoje a cerca de R$ 160 milhões, segundo a tabela de atualização de valores do Tribunal de Justiça paulista.
No ano passado, o fundo de pensão concordou em pagar um valor adicional de R$ 23 milhões, para ressarcir credores do hospital que ameaçavam ir à Justiça contra o fundo de pensão, acusando-o de fraude.
Ou seja, o prédio custou cerca de R$ 183 milhões em valores atualizados. Peritos no mercado imobiliário estimam que o prédio possa valer até R$ 270 milhões.
Num esboço de contrato, a Previ se dispõe a vender o imóvel para o WWI por cerca de R$ 120 milhões.

EMIRADOS ÁRABES
O WWI é desconhecido no mercado brasileiro. Foi fundado em 14 de outubro de 2009, com um capital de R$ 1 mil. Tem um escritório em São Paulo, na rua Iguatemi, e outro em Brasília.
Uma das versões que circula na Fundação São Paulo é que o WWI representaria interesses de investidores dos Emirados Árabes.
No escritório do WWI em São Paulo, os enigmas sobre o grupo só aumentam. Um diretor que se diz chamar Marcelo, mas não quis informar o sobrenome, conta que não pode confirmar nem negar que a empresa represente investidores árabes.
E o negócio com a PUC? "Não tenho informações oficiais sobre isso", diz o diretor. O repórter pergunta: os sócios do WWI são mesmo os nomes que aparecem na Junta Comercial? "Não confirmo nem nego", repete Marcelo.
Os sócios da empresa são Claudio Roberto Sabó, Marco Antonio Valadares Versiani e Marcos Navajas. Uma das poucas referências que aparecem de Sabó em sites é que preside o conselho consultivo de um asilo.
O reitor Dirceu de Mello começou a negociar com o WWI sem o conhecimento da Fundação São Paulo, a mantenedora da PUC. Pelo estatuto da fundação, o reitor não tem personalidade jurídica e não pode fazer negócios pela PUC. Tudo precisa passar pela fundação.
A Folha apurou que o arcebispo de São Paulo, d. Odilo Pedro Scherer, que é grão-chanceler da PUC, ficou contrariado com Mello.
Procurado pela Folha, o reitor não quis se pronunciar.



Publicado na Folha de S.Paulo (09/06/2010)

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/747850-grupo-novo-no-pais-se-alia-a-puc-para-comprar-predio-historico-em-sp.shtml
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