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Autor Tópico: ''À venda'', velho Ipiranga some entre os prédios  (Lida 2746 vezes)
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Tatiane Cornetti
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« : 15/Agosto/2010, 12:48:02 pm »

''À venda'', velho Ipiranga some entre os prédios
Apenas nas imediações da Rua Bom Pastor há 23 imóveis antigos desocupados, prontos para virarem novos espigões residenciais

A tinta vermelha toda descascada na fachada do sobrado geminado revela imediatamente o peso da passagem do tempo. A caixa de correio coleciona folhetos e cartas antigas. Enquanto a vida segue apressada na Rua Bom Pastor, coração do bairro do Ipiranga, na zona sul de São Paulo, o casarão parece ter parado no tempo, impávido, esquecido, alheio às mudanças nos arredores. A placa de "vende-se" lá no alto de sua porta de madeira serve apenas como mais uma lembrança de que o passado do Ipiranga está definitivamente desbotando, esmorecendo, esvaindo-se. E, assim, também se despedindo.


O sobrado vermelho é apenas um exemplo entre os 23 imóveis antigos que estão à venda ou para alugar nas imediações das Ruas Bom Pastor e General Lecor. Esses endereços históricos, que fazem parte da tapeçaria urbana tão própria do Ipiranga, são a ponta mais visível do fenômeno de transformação urbana causado pela expansão do mercado imobiliário. O bairro da Proclamação da República, das indústrias, dos monumentos clássicos, dos luxuosos palacetes da família Jafet, do barbeiro do presidente Lula e da padaria que há 55 anos vende o caldo de piranha mais famoso da região hoje é sinônimo mesmo de prédios com terraço gourmet e torres residenciais neoclássicas.

"É um outro bairro hoje em dia, tem muito movimento, muitos caminhões, não tem mais tanta vida na rua como antigamente", diz Roberto Michael de Jesus, de 72 anos, um senhor baixinho de passos miúdos e apressados que nasceu no Ipiranga e se recusa a mudar de lá. "Outro dia, demoliram uma casa ali na esquina, um pecado... Eu lembro até de quem morava lá, era um médico que ajudava todo mundo da vizinhança. De uma hora para a outra, "puf", colocaram tudo abaixo", lamenta.

Formado pelo conglomerado de 80 vilas e com extensão de 30 quilômetros quadrados, o Ipiranga é hoje um dos principais alvos do mercado imobiliário. Tal qual os sobrados, parece que o bairro está à venda. A transformação já aparece nas planilhas do Departamento de Aprovação de Edificações da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab). De acordo com levantamento feito pelo Estado com base nos processos da Prefeitura de janeiro a junho deste ano, o Ipiranga é o segundo bairro que mais teve novos empreendimentos imobiliários aprovados - exatos 18, atrás apenas da Lapa e à frente de Mooca, Penha e Barra Funda.

Para efeito de comparação, lugares extremamente valorizados como Saúde, Vila Leopoldina, Brooklin, Moema e Vila Olímpia tiveram cada um apenas dois novos empreendimentos aprovados neste ano. Todos esses números significam alvarás de aprovação de empreendimentos, ou seja, os edifícios ainda não têm prazo para ser entregues. Em uma leitura mais atenta, eles também revelam os endereços para onde São Paulo vai crescer nos próximos anos - mais precisamente, para antigos bairros operários, em torno da orla ferroviária, e para regiões que ganharão novas estações de Metrô.

Perda de identidade. "É normal que as construtoras procurem bairros onde ainda há grandes terrenos e estoque imobiliário, mas o problema é que a malha urbana acaba saindo empobrecida", diz o arquiteto e urbanista Aílson Neves, morador do Ipiranga. "O bairro que de repente ganha muitos prédios perde um pouco de sua identidade, perde sua memória."

Os grandes empreendimentos do Ipiranga estão sendo erguidos sobre terrenos antes ocupados por pequenas vilas e pela indústria têxtil, que abandonou a cidade nos últimos 20 anos. O metro quadrado varia de R$ 1,2 mil a R$ 2 mil, metade do valor encontrado nos vizinhos Aclimação, Vila Mariana e Saúde, onde está entre R$ 2 mil e R$ 4 mil.

Essa expansão do mercado não parece dar sinais de que vá diminuir. Estudo feito pela equipe do urbanista Cândido Malta em parceria com a Prefeitura e com o governo do Estado indica que no bairro ainda podem ser construídos 954 mil metros quadrados de moradias até 2012.

"O impacto é sentido pelos moradores, porque a qualidade de vida diminui um pouco por causa do trânsito e do barulho", diz Pedro Costa, dono de uma lanchonete perto do Museu do Ipiranga. "Acho que, para as construtoras, as casas daqui são só velhas. Para nós, são parte da história."

Raio X
430 mil
paulistanos moram no Ipiranga, bairro com taxa de crescimento anual de 2,8%

R$ 250 mil
é o preço médio de um apartamento novo de dois dormitórios no bairro

954 mil m²
de novos empreendimentos ainda podem ser construídos no Ipiranga até 2012, segundo estudo



Publicado no Estadão (08/08/2010)
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100808/not_imp592008,0.php

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