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Autor Tópico: SP 454 anos - A arquitetura que marcou São Paulo  (Lida 2568 vezes)
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Tatiane Cornetti
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« : 03/Julho/2011, 11:47:49 »

Publicado no Site - Casa.com
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/cultura/conteudo_267637.shtml?func=1&pag=1&fnt=9pt



SP 454 anos - A arquitetura que marcou São Paulo



Um passeio pela cidade revela uma arquitetura eclética e multifacetada. Dos tempos da colônia aos dias de hoje, os estilos se fundem num belo mosaico de estruturas, arabescos, linhas, curvas e materiais, marcado pelo ecletismo.

Por Silvana Maria Rosso

Há pouco mais de um século a capital paulista era povoada de casas e ruas de barro que serviam de pouso aos tropeiros. Em pouco tempo, as feições da cidade foram ganhando requintes, ora para se equiparar ao Velho Continente, ora para buscar a própria identidade. Constate, aqui, essa arquitetura eclética e multifacetada.



A VILA DE BARRO
Por 300 anos, São Paulo de Piratininga foi uma cidade pobre e aquém dos estilismos dominantes da época, prevalecendo a arquitetura colonial. No início, as casas eram térreas, de paredes grossas, poucas janelas e telhado em duas ou quatro águas (de sapé e depois de telhas côncavas de barro). "O primeiro 'arquiteto' paulista foi o padre Afonso Brás, que, em meados do século 16, ampliou o Colégio Jesuíta e ergueu habitações na vila", lembra o arquiteto Benedito Lima de Toledo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Devido à falta de materiais, a taipa de pilão (barro socado entre duas pranchas de madeira) e o pau-a-pique (trama de paus preenchida com argila) foram os principais métodos construtivos. O revestimento era a tabatinga, uma areia branca encontrada no rio Tamanduateí, e o chão, de terra batida. O beiral (prolongamento da cobertura) protegia as fachadas contra a umidade da chuva.

As aberturas, retas ou arredondadas, eram de madeira ou de canga (fragmentos de minério), e as janelas fechadas por rótulas (grade de ripas) ou muxarabiês (anteparo de treliça de influência árabe). "O modo de viver mameluco determinava o programa das casas", conta Jorge Eduardo Rubies, presidente do movimento Preserva São Paulo. A área para cocção, por exemplo, era rotativa, pois o fogo mudava de lugar ao jeito indígena. Entre os séculos 17 e 19, o estilo barroco, que associa elementos curvos e retos, marcou a arquitetura religiosa, como a Igreja de Santo Antônio e o Mosteiro da Luz. "Os interiores eram rebuscados, com trabalhos em talhas e dourações, e os exteriores, mais simples que o barroco mineiro, por causa da técnica em taipa", explica a arquiteta Eunice Helena Abascal, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.



A CIDADE PRÉ-FABRICADA
No século 18, São Paulo é elevada à categoria de cidade, e as casas ganham outro andar e balcões. O geometrismo costumeiro do movimento neoclássico aparece em São Paulo no fim desse século em obras públicas, projetadas pelo engenheiro militar português João da Costa Ferreira, disseminando a arquitetura simétrica e tripartite. "São construções com volume central e duas laterais; base, corpo e coroamento", ensina o arquiteto Rafael Manzo, professor da FAU-Mackenzie. Só em meados do século 19, o estilo, considerado uma das primeira manifestações ecléticas, virou moda entre os paulistanos, chegando com ele o vidro, o tijolo, a telha plana, a platibanda vertical (escondendo o telhado), o frontão, as colunas e os balaústres.

Com o advento da ferrovia, uma nova cidade é erguida sobre o antigo pouso de tropeiros. O mesmo trem que transportava o café ao porto de Santos t razia à capital gradis, janelas, tesouras, assoalhos, mármores, vitrais... materiais novos e prontos para serem usados. "É o início da construção industrializada", diz a arquiteta Ruth Verde Zein, professora da FAU-Mackenzie.

Em 1886, a convite do Barão de Parnaíba, o engenheiro e arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo transfere-se de Campinas para a capital para planejar os edifícios das Secretarias do Estado, marcando assim a história da cidade com a introdução do ecletismo. Formado na Bélgica, "Ramos rompeu com o barroco, propondo novos estilos, condicionados ao modo de viver à francesa, a materiais importados e a uma nova mão-de-obra", ressalta o arquiteto Carlos Lemos, professor da FAU-USP. "O ecletismo é um pot-pourri que copia padrões de estilos históricos e obedece a regras formais de construção", explica Jorge Rubies. Aqui, o estilo foi predominantemente neo-renascentista por infl uência dos arquitetos e mestres-de-obras italianos que imigraram para São Paulo.



O RETORNO ÀS ORIGENS
O mesmo escritório que disseminou o internacional ecletismo historicista, o F. P. Ramos de Azevedo, também popularizou o estilo nacionalista neocolonial no início do século 20. Em 1914, durante conferência na Sociedade Cultura Artística, o engenheiro português Ricardo Severo, cunhado e sócio de Ramos, inaugura o novo movimento, em reação ao estilo praticado pelos imigrantes italianos e pelo sócio, e ao uso de materiais importados, que, com a Primeira Guerra, estavam rareando. Segundo Carlos Lemos, o engenheiro buscava uma identidade nacional nas tradições lusas, "ignorando que a matriz portuguesa havia se diluído a elementos indígenas e africanos". Para compreender como a arquitetura barroca de seus antepassados comportou-se por aqui, ele enviou copistas a Minas, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, que documentaram
desde detalhes arquitetônicos a pinturas decorativas.

Foram Felisberto Ranzini e Alfredo Borioni os desenhistas que melhor souberam interpretar a vontade de Severo, uma vez que ele não sabia desenhar. Paralelamente, em 1915, Victor Dubugras acompanhou o prefeito Washington Luiz a uma excursão pelos arredores da cidade à procura de exemplares da casa bandeirista - não se sabe se por influência ou não de Severo -, registrando pormenores e acabamentos da produção cultural da era do pilão.

Após a guerra, o arquiteto franco-argentino começa a sua arquitetura tradicionalista, depois chamada de neocolonial. Com o fim da guerra, quando se recomeçou a construir na cidade, o estilo era "o grito de modernidade", como registra Carlos Lemos. Tanto que, na Semana de Arte Moderna de 1922, a arquitetura dita moderna era a neocolonial. Constituía-se de casas alegres, entre jardins, com alvenaria de pedra, barrados de azulejos e arcadas. Depois de sua simplificação, tornou-se um estilo paulistano por excelência.



A ERA MODERNA
No início do século 20, a beleza está nos detalhes, em oposição à monumentalidade da obra, valorizada pelo historicismo acadêmico. Surge o art nouveau, corrente de origem francesa e precursora do modernismo. A arte nova recorre ao ferro, vidro, tijolo e cimento, prega a assimetria e explora os ornamentos, as curvas e as formas orgânicas. "É a busca pela liberdade estética", diz Jorge Rubies. A Vila Penteado (1902) e a Escola de Comércio Álvares Penteado (1905), do sueco Carlos Ekman, são algumas das obras que resistiram ao tempo.

O viaduto Santa Efigênia (1911), no centro, desenhado pelos italianos Giulio Michetti e Giuseppe Chiappori, é outro testemunho. Aqui, o ecletismo apropria-se de aspectos do estilo, e o Liceu de Artes Ofícios, dirigido por Ramos de Azevedo, também se destaca pela produção de elementos art nouveau. O Castelinho na Bela Vista (1907), do italiano Giuseppe Sacchetti, ilustra a mistura.

A partir dos anos 20, as formas geométricas e o design abstrato predominam. O art déco, um estilo de transição com matriz clássica também proveniente da França, atinge a capital. A estrutura já é de concreto armado, permitindo grandes vãos, e os revestimentos de materiais nobres. "O déco mescla técnicas construtivas industriais e decorativas artesanais", destaca Jorge. Seu maior representante é Elisiário da Cunha Bahiana, autor de várias obras, como o Edifício Mappin Stores, o viaduto do Chá e o Jocquey Club (todos de 1935), entre muitos outros.

O refinamento de acabamentos e detalhes construtivos da escola podem ser conferidos no Banco de São Paulo (1935), planejado pelo argentino Álvaro Botelho sob encomenda da família Almeida Prado. Nos anos 30, com o getulismo, espalham-se pela cidade edifícios de organização clássica despidos dos elementos decorativos, chamada de tardo-fascista, a exemplo do prédio da prefeitura (1939), projetado pelo italiano Marcello Piacentini.



MODO DE VIDA CONTEMPORÂNEO
A década de 20 constituiu-se de anos indefinidos. Com a industrialização, a casa virou a máquina de morar. "Foi um momento de refl exão sobre como deveria ser o habitar contemporâneo", afirma Ruth Verde Zein. Enquanto o neocolonial tornava-se o estilo do povo, o ecletismo renovava-se eliminando o ranço historicista e se adequando ao concreto armado, e as casas de estilo normando, de alvenaria de tijolo e telhadinho, começavam a salpicar o Jardim América, o déco de inspiração cubista anunciava os novos tempos.

Influenciados pelas idéias da escola alemã Bauhaus e do arquiteto francosuíço Le Corbusier, que propugnavam uma arquitetura funcional e despojada, alguns profi ssionais ensaiam em suas pranchetas os primeiros traços em linhas puras. Caso do ucraniano Gregori Warchavchik, que nos lega a primeira casa modernista (1926). Flávio de Carvalho entra na história com a sua vila para aluguel (1928) na alameda Lorena, com casas que vinham até com modo de usar.

Os anos 30 foram definitivos para o amadurecimento da arquitetura moderna brasileira. Le Corbusier veio ao Rio de Janeiro para comandar a equipe que iria projetar o Ministério da Educação e Saúde, de onde saíram expoentes do modernismo como Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy, que deixaram obras em São Paulo. Nos anos 40, planta e fachada livres, pilotis, terraço-jardim e janelas horizontais tornaram-se os mandamentos de nossos arquitetos modernistas. "Nas décadas seguintes, a arquitetura paulista mostrou forte presença dos princípios modernos com derivações de autor", avalia Eunice Helena Abascal. Para Ruth, o século 20 foi marcado por tendências: "Pequenas ondas que vão e vêm". E, entre os anos 70 e 80, foi a hora de rever as falhas da arquitetura moderna, até então experimentalista. "A industrialização dos componentes, antes artesanais, possibilitou-nos fazer a boa arquitetura", conclui.
« Última modificação: 03/Julho/2011, 11:56:52 por Tatiane Cornetti » Registrado
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