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Autor Tópico: Diretor Toni Venturi fala sobre o amor e a loucura de SP  (Lida 1923 vezes)
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Tatiane Cornetti
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« : 03/Julho/2011, 12:20:14 pm »

Diretor Toni Venturi fala sobre o amor e a loucura de SP
JULIANA VAZ
DE SÃO PAULO

Crônica da solidão na metrópole, o filme retrata as desventuras que a jovem Carmem (Leandra Leal) enfrenta na transição para a vida adulta, e flagra a cidade nos lugares onde ela é mais cinematográfica: o centro pulsante, a Estação da Luz, o Copan.

Leia abaixo uma entrevista com o diretor, um paulistano nascido há 55 anos no bairro de Cerqueira César.

No filme, a toda hora se ouve que "o medo deixa as pessoas mais egoístas". É o caso dos paulistanos?
Há algumas semanas atrás fui vítima de um assalto em São Paulo. A produtora foi arrombada, levaram alguns laptops. Somos humanos, sentimos medo. Depois do assalto pensei muito antes de transformar meu espaço de trabalho numa fortaleza. Fui comedido, só reforçamos a segurança. Mas os outros medos, de não se entregar ao amor, de não reconhecer o outro e respeitar as diferenças são muito mais nocivos. É um desafio viver numa megalópole e não se fechar para o mundo, como faz a médica Carmem (Leandra Leal), quando sua vida vira de cabeça para baixo. Mas ela saca que isto tem cura.

Qual é o melhor lugar para ver o céu em São Paulo?
Cada paulistano deve ter o "seu" lugar. Gosto do subir no alto dos edifícios, nos telhados e skylights, principalmente o do Copan.

Onde todos podem "estar juntos" na cidade?
No início das filmagens a diretora de arte Renata Pinheiro propôs para a abertura duas imagens em paralelo: uma foto aérea de São Paulo e uma angiografia que mostrava as veias e artérias se cruzando. São Paulo é um organismo vivo. Alagamento no Morumbi afeta o trânsito de Itaquera. E para o bem e para o mal estamos juntos nas cidades, então, vamos fazer a vida na urbe uma vivência mais prazerosa.

Quais são "os riscos e as glórias do anonimato"?
Riscos: morrer de morte besta. Uma bala perdida, um tijolo que cai na cabeça do alto de uma construção ou de ataque cardíaco, quietinho, num banco do metrô às 6 da manhã e só ser notado no final da noite.

Glória: voyeurismo. Os famosos não podem curtir as coisas mais simples e mundanas como andar na rua a esmo, entrar e sair de onde quiser, dar um beijo em seu amorzinho em público...

O que já devia ter saído de cena na cidade?
A miséria dura dos habitantes das ruas e sarjetas, o trânsito insuportável e a poluição.

Os personagens principais do filme vêm de outros lugares (do Estado do Rio e da Argentina). Por que São Paulo atrai tanta gente de fora?
São Paulo pulsa oportunidades de trabalho, amor e loucura.

Qual é a sua relação com o Movimento Sem-Teto do Centro?
Uma relação de amorosidade, amizade e respeito. Existe coisa mais dura que não ter um teto? Quem não tem casa, não tem identidade. Em 2007, fiz o documentário "Dia de Festa", sobre as mulheres e os ideais do movimento. Uma experiência marcante que me fez inserir o MSTC na narrativa de "Estamos Juntos".

Onde mais você moraria, se não fosse aqui?
Por um período, na Amazônia. Tenho viajado muito no Brasil profundo, pesquisando um novo projeto. Lá, no convés de um barco, navegando pelos rios, senti fazer parte de todo o cosmos.

Você frequenta os cinemas de rua da cidade? Que acha do fechamento do tradicional Cine Belas Artes, na Consolação?
É pena ver os espaços do cinema de bairro fechando e migrando para os templos do consumo (shoppings). Se não tomarmos cuidado em pouco tempo não andaremos mais nas ruas, indo direto dos carros para os espaços fechados do trabalho ou do lazer. Temos que resgatar o prazer de curtir a vida que pulsa nas ruas.



Publicado na Folha.com (05/06/2011)
http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/923380-diretor-toni-venturi-fala-sobre-o-amor-e-a-loucura-de-sp.shtml
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