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Autor Tópico: Novela na Vila Maria Zélia  (Lida 2980 vezes)
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Tatiane Cornetti
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« : 14/Agosto/2011, 10:44:34 am »

Novela na Vila Maria Zélia
Sem permissão para lucrar com filmagens, Vila Maria Zélia perde a chance de usar a renda para reformas

BRUNO HUBERMAN

"Silêncio no set. Gravando!" O circo montado em frente à antiga farmácia, sob a penumbra do fim de tarde, fica quieto para assistir a quatro meninos saírem correndo de dentro do edifício em ruínas e a um senhor bigodudo, com as tesouras em punho, bradar: "Eu pensei que vocês fossem cortar o cabelo". Segundos depois, o diretor pede para repetirem a gravação.

Cenas como essa são recorrentes na Vila Maria Zélia, a primeira vila operária do Brasil, localizada no Belenzinho (região leste). No começo da última semana, foi a vez de o músico Criolo gravar seu clipe no local, na cena descrita acima. Alguns curiosos pararam para ver a movimentação, mas não por muito tempo. "Já estamos acostumados.

Sempre acontece alguma coisa aqui", disse uma moradora, em referência às dezenas de comerciais, filmes e novelas que já foram ambientados no local.

A presença frequente das câmeras poderia ser uma fonte de renda voltada para a restauração da vila, tombada no início dos anos 1990. Mas, por não serem donos dos edifícios históricos que cedem para as filmagens, os moradores recebem apenas uma doação simbólica como pagamento, combinada de maneira informal.

Imbróglio
Há mais de 30 anos, os habitantes do vilarejo lutam pela recuperação de seis prédios que pertencem ao INSS, entre eles o que serviu de barbearia para as gravações do clipe. Um convênio firmado entre o órgão e a prefeitura em 2006, prometendo a restauração, abriu uma luz no fim do túnel. Entretanto, os moradores se viram de mãos atadas diante da desistência da administração municipal, no final de julho.

"Se eles deixassem esses prédios em nossas mãos, já teríamos conseguido restaurar tudo", afirma Éride Albertini, 56, presidente da Associação Cultural da Vila Maria Zélia.

A prefeitura queria a posse definitiva dos edifícios, enquanto o INSS aceitava cedê-los por apenas cinco anos. Imbróglio feito, acordo desfeito.

Construída em 1917 pelo industrial Jorge Street para abrigar os trabalhadores da Companhia Nacional de Tecidos de Juta, a Vila Maria Zélia foi um marco da tardia industrialização brasileira. "Para o meu avô, que trabalhou na fábrica de tecidos, era Deus no céu e Jorge Street na terra", conta Edélcio Pereira Pinto, 62, o "seu Dedé".

Na época, conta ele, membros da realeza vinham da Europa para ver se a vila existia. "Ela foi a primeira vila operária a contar com escola, armazém e farmácia." O modelo serviu de inspiração para outras vilas e até para a formulação das primeiras leis trabalhistas do país, quando Jorge Street integrou o Ministério do Trabalho no governo Getúlio Vargas (decada de 1930).

Após a falência do empresário, o local sobrou como seu principal legado. "Antigamente, a vila, como o seu Street a idealizou, era uma família. Todos se ajudavam", conta Idê Petrobom, 76, que vive até hoje na mesma casa onde seu avô morava quando trabalhava na fábrica de juta.

A "tia Idê" se lembra com carinho dos velhos tempos, quando as águas do rio Tietê banhavam a vila. "A água era limpinha, limpinha. Ia com papai pescar lambari e bagre, enquanto os atletas do Corinthians passavam remando", conta.

O rio não passa pela Maria Zélia há mais de 50 anos. Mas os moradores querem olhar para a frente. "Não há vontade política para as reformas, mas nós ainda vamos conseguir", diz "seu Dedé".



Publicado na Folha de São Paulo (14/08/2011)
http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp1408201110.htm
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