PreservaSP
27/Junho/2017, 09:12:33 *
Bem-vindo, Visitante. Por favor faça o Login ou Registe-se.

Login com nome de usuário, senha e duração da sessão
Notícias:


Abaixo-assinado pela criação do Parque de Pinheiros, o 1o. do bairro! Assine e divulgue!


 
   Home   Ajuda Pesquisa Calendário Login Registre-se  
Páginas: [1]   Ir para o Fundo
  Imprimir  
Autor Tópico: Assombrado pelo descaso - Revista da Folha  (Lida 3657 vezes)
0 Membros e 1 Visitante estão vendo este tópico.
Tatiane Cornetti
Administrator
Membro Master
*****

Karma: 0
Offline Offline

Mensagens: 729


Ver Perfil Email
« : 13/Agosto/2012, 08:34:38 »

Assombrado pelo descaso
Castelinho da rua Apa sucumbe em Santa Cecília enquanto aguarda decisão judicial sobre restauro e interessados em patrocínio

PATRÍCIA BRITTO

Apesar da lenda que ronda o castelinho da rua Apa, nº 236, até hoje não ficou provado que ele é assombrado pelos espíritos da família Reis, que morreu ali em 1937. Bons agouros, por outro lado, o palacete não tem.

De estilo eclético e com elementos arquitetônicos medievais, o casarão tombado é um dos poucos exemplares das construções do início do século passado no bairro de Santa Cecília, região central. Hoje, sem cobertura nem assoalho, com reboco incompleto e janelas quebradas, o prédio está entregue à degradação.

Desde 2008, o imóvel depende da decisão de uma ação judicial que poderá viabilizar sua restauração com verba pública após 30 anos de abandono. Outra solução é a utilização de recursos privados.

A Associação Preserva São Paulo, autora do processo na Justiça, quer que o governo federal pague a reforma, já que é o proprietário do prédio desde 1943. "Não queremos que um patrimônio importante para a cidade se perca de vez", diz Jorge Eduardo Rubies, presidente da entidade.

Em audiência de conciliação no início deste mês, a Secretaria de Patrimônio da União se comprometeu a, no prazo de dois meses, dar uma resposta sobre a viabilidade ou não de custear o restauro. Após esse prazo, pode contratar de vez as obras ou alegar falta de recursos. Ela pode até ser obrigada pela Justiça a fazer o restauro, mas ainda caberia recurso -segundo especialistas consultados pela sãopaulo, a ação poderia tramitar por mais dez anos.

Assim, conseguir patrocínio por meio de leis de incentivo à cultura é o foco do Clube de Mães do Brasil, ONG que em 1997 recebeu da União o direito de usar o terreno e ocupar um prédio anexo para profissionalizar ex-moradores de rua. Hoje, o castelo serve como oficina para 70 artesãos que trabalham com material reciclado.

Segundo a presidente da entidade, Maria Eulina Hilsenbeck, o projeto de captação será inscrito na Lei Mendonça (municipal) neste mês. O valor deve se aproximar de R$ 1 milhão.

"Todo mundo quer o castelinho reformado, mas, na hora de pôr a mão no bolso, ninguém quer", diz a advogada da ONG, Nanci Rowlands. Para a procuradora da República Adriana da Silva Fernandes, o fato de a ONG buscar ajuda para as obras não isenta a União da responsabilidade. Caso o patrocínio seja alcançado, é possível rever o valor a ser custeado pelo governo federal.

Desde 2011, o castelinho tem um projeto preliminar de restauração aprovado pelo Conpresp (órgão municipal do patrimônio). Para que ele seja realizado, no entanto, ainda é necessário o projeto executivo, estimado em R$ 400 mil. Já para as obras, o escritório Paulo Bastos estima os gastos em torno de R$ 1,5 milhão.

cronologia

A trajetória do castelinho

1912 Começa a construção a pedido do médico Vicente César dos Reis. O prédio foi um presente dele à sua mulher, Maria Cândida. A obra ficaria pronta em 1917

1937 Em março, o médico morre, deixando a viúva e dois filhos, Álvaro e Armando. Dois meses depois, os três são encontrados mortos no castelinho. Suspeita-se de que, durante discussão sobre os negócios da família, Álvaro tenha atirado no irmão e na mãe, suicidando-se em seguida 1943 O imóvel vira propriedade da União por falta de descendentes diretos dos antigos donos

1982 A União, que alugava o imóvel para fins residenciais, suspende a locação. Começa a fase de abandono

1997 A ONG Clube de Mães do Brasil ganha o direito de usar o terreno do castelinho, incluindo o prédio anexo

2004 O castelinho é tombado pelo Conpresp

2008 A Associação Preserva São Paulo entra com ação civil pública para obrigar a União a restaurar o prédio

2011 Projeto para restauração, do escritório do arquiteto Paulo Bastos, é aprovado no Conpresp

2012 Aguarda decisão judicial sobre restauro bancado pela União; ONG tenta verba privada



Publicado Revista da Folha 12/08/2012
http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp1208201210.htm
Registrado
Páginas: [1]   Ir para o Topo
  Imprimir  
 
Ir para:  

Powered by MySQL Powered by PHP Powered by SMF 1.1.4 | SMF © 2006, Simple Machines LLC XHTML 1.0 Válido! CSS Válido!