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:: 9 de julho de 1932...

Os jovens idealistas das Arcadas fecharam seus livros, guardaram suas penas e tinteiros e, empunhando fuzis, escreveram com sangue uma página preciosa da história paulista.

Homens antes apressados nas repartições e oficinas, absorvidos detrás dos balcões, deixaram no aconchego do lar a rotina de todos os dias, coroando-se com o capacete de aço e abraçando a farda cáqui qual cruz redentora. Foram todos reis e mártires embrenhando-se nas valas abertas dos morros, campinas e socavões, rubros de seu sangue a escorrer misturado à lama: ouro provado no fogo!

Brancos, negros e silvícolas, todos alistados nas fileiras constitucionalistas, irmanados sob a benção da mão espalmada de Anchieta, respondendo generosos ao grito de guerra bandeirante:
- Sustentai o fogo que a vitória é nossa!

Vozes potentes que chamaram seus iguais ao mesmo exemplo de heroicidade e civismo.

Matronas, abnegadas esposas e sonhadoras normalistas, deixaram seus afazeres de lado, preocupações, devaneios e sobraçaram agulhas e linhas, no afã de prover a mocidade indômita, de uniformes, coberturas e mantas para as friorentas trincheiras de julho.

Mãos paulistas que, nas linhas de produção da metrópole, buscaram suprir essa forja de heróis, dando mais que seu tempo e suas energias: oferecendo seu ardor patriótico e o apoio da retaguarda incansável.

Relógio de São Bento que assinalou a hora em que os céus de São Paulo se cobriram de luz e anunciaram o amanhecer da democracia.

Crianças que ofertaram seu tributo ao soldados da lei, esvaziando seus cofres até o último níquel, privando-se da permitida guloseima, para sustentar a luta de um povo. Pequenos titãs que não satisfeitos, envergaram fardas mirins e saíram às ruas perfilando suas armas de pau e dizendo à quem quisesse ouvir: - Se for preciso, nós também iremos!

Bendita geração paulista que não regateou seu sangue, sua paz e seu suor!

Tuas ruas e praças, tomadas pelas multidão abstraída de suas vidas, testemunharam, diuturnamente, uma mobilização épica que até então nunca se vira nos anais de tua paulistanidade.

Parecia São Paulo um Davi que se levantava, na indigência de armas e munições, perante o Golias ditatorial que lhe sufocava a garganta da autonomia, zombando de sua grei.

Nas mãos apenas a funda e uma pedra, a lei e a ordem pela qual se batia.

Das tuas ruas Piratininga, quantos atendendo a teu chamado, não deixaram tudo para trás e foram morrer, anonimamente, nos campos de luta?

Quantos de teus filhos sequer os despojos se restituíram para serem pranteados pelos seus?
Quantos ainda guarnecem, à espera da ressurreição, o campo santo onde caíram vencidos pela morte?

Teu sacrifício, Piratininga, nunca será olvidado! Enquanto paulistas existirem e tua bandeira das treze listras tremular fiel, em continência ao pavilhão nacional, teu exemplo permanecerá.

E o 9 de julho de 1932 será sempre uma prece ardente nos lábios de teu povo e um benfazejo sopro de tua imorredoura juventude. A magna data em que tua raça bandeirante não ficou de joelhos.

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Embarque de voluntários para as linhas de combate do Setor Sul na estação Júlio Prestes,
que então se chamava São Paulo. (créditos CEDOC - Fundação Romi).


Multidão constituída em grande parte de eufóricos voluntários paulistas saindo
da Praça do Patriarca em sentido Viaduto do Chá. (créditos CEDOC - Fundação Romi).


Crianças trajando fardas numa das muitas manifestações infantis em apoio à causa paulista. (créditos CPDOC - FGV).

Voluntários paulistas aguardando embarque na estação de Itapira, região da Baixa Mogiana. Como se veem dois comboios, possivelmente a locomotiva à esquerda da foto trazia tropas para as trincheiras do setor de Eleutério, divisa com Sapucaí, MG, enquanto a locomotiva da direita seguia em sentido de Campinas. A troca de tropas estropiadas por tropas frescas e descansadas era algo comum durante o conflito. (créditos Acervo do Museu Histórico e Pedagógico Comendador Virgulino de Oliveira - Itapira,SP).

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Pesquisa e texto:Rodrigo Ruiz
Colaboração: Iomar Travaglin
Projeto Digital: Tatiane Cornetti


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