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:: Capela dos Aflitos
No bairro da Liberdade, em uma viela, uma simples capela testemunha a História de São Paulo e sua religiosidade.

Localizada em uma viela no bairro da Liberdade, centro de São Paulo, a Capela dos Aflitos é um dos muitos recantos paulistanos cuja História é esquecida ou até desconhecida. Segundo autos da igreja e livros de óbitos da Paróquia da Sé, Dom Frei Manoel da Ressurreição, Bispo de São Paulo, fundou, em 1775, um cemitério destinado aos escravos, supliciados e indigentes contiguo a um hospital que ali existia. Até esta época todos os mortos eram inumados nas Igrejas, excetuando os variolosos, também chamados de bexiguentos. Ainda segundo registros da cúria Metropolitana e da Sé consta-se que o primeiro corpo a ser enterrado ali pertencia a Maria de Mattos, parda e forra e o último já no ano de 1888 pertencia a Casemiro Munhambano, preso condenado a galés perpétuas. Embora tenha sido administrado pela Igreja e Irmandade de nossa Senhora dos Aflitos, o Cemitério foi considerado público para a população pobre de escravos, indigentes e infratores até a inauguração do cemitério da Consolação em 1858. A partir de então, por volta do final da década de 1880 a Mitra diocesana formalizou a posse do terreno para loteamento e venda, ficando apenas a capela.

A capela foi construída em 1779 pelo mesmo fundador do cemitério que exerceu suas funções sacerdotais entre 1774 e 1789, foi elevada ao culto de Nossa Senhora dos Aflitos por conta dos inúmeros escravos e pessoas pobres que ali transitavam em busca de consolo. Até a venda e loteamento dos terrenos em redor da capela, onde anteriormente eram enterrados seus fieis, o cemitério foi administrado pela Irmandade de Nossa Senhora dos Aflitos e posteriormente pela mitra diocesana que quando de sua desapropriação e venda conservou a Igreja e seus entalhes originais de barroco paulistano. Cenário de enterros humildes a igreja também oficializava batizados e missas que permanecem até hoje. Em 1827, a Igreja tornou-se popular quando o soldado Francisco das Chagas permaneceu em suas dependências na noite que antecedeu sua morte por enforcamento. Soldado, o negro Chaguinhas, como era conhecido, foi condenado por liberar rebelião por pagamento de soldo e segundo a tradição quando de seu enforcamento a corda arrebentou por três vezes. Sob os gritos de liberdade da população, o carrasco então tomou emprestado o laço de couro de um vaqueiro e consumou o suplicio. Transformado em velário, a sala da prisão atrai fieis que batem a porta três vezes pedindo graças. Localizada em local popular do século dezenove, a forca encontrava-se onde se ergue hoje a Praça da Liberdade, onde em frente se encontra a Igreja Santa Cruz dos Enforcados foco de interessante sincretismo religioso pela permanência e encontro de várias baianas vendendo pipoca e flores.
Segundo a arquidiocese de São Paulo, a restauração pretende recuperar inteiramente a capela que diagnosticou cupins nas portas e nos forros além da precariedade da estrutura, há muito necessitada de reparos. A pequena capela também sofreu, há quinze anos, um incêndio que destruiu parte das talhas barrocas de seus oratórios.

Reduto dos humildes e pobres, a capela espera pacientemente a restauração de sua estrutura e de sua historia perdida entre os numerosos empreendimentos da metrópole.

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O texto foi baseado na Monografia de Wanderley dos Santos, pesquisador oficial do Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo.
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