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Associação de defesa do patrimônio histórico, arquitetônico,
cultural e paisagístico da cidade de São Paulo


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Texto: Iomar Travaglin


A cidade de São Paulo possui bairros que retratam seu cotidiano de formas diversas: uns sofisticados, outros decadentes e outros ainda em verticalização; fator que hoje molda idéias e forma estudos de convivência social. Historicamente é interessante notar que localidades com moradias outrora elitistas foram reconhecidas somente por essas construções que atestam um passado de glamour.  Um dos exemplos mais típicos é o assim chamado Castelinho da Rua Apa, que apresenta diversas facetas de reconhecimento social como decadência, glamour e riqueza, urbanismo e arquitetura. Em primeiro lugar chama a atenção pelo inusitado de sua estrutura em meio ao caos da Avenida São João e do elevado Costa e Silva. Além disso, sua trágica história remete ao desenvolvimento da região e à indústria do entretenimento, já que a família ali residente foi vítima de um crime por desavenças quanto à utilização de um cinema próximo a ela pertencente.

Erigido por volta de 1912, tendo como modelo um castelo medieval, o aristocrático edifício, apesar de não ser monumental, possuía refinamentos próprios da época em que foi construído; vitrais, belos acabamentos nas janelas e pisos, tudo infelizmente desaparecido após o fatídico ano de 1937 quando a família que ali residia foi assassinada em misteriosas circunstâncias. Após a tragédia que ali se abateu, os parentes tentaram adquirir a herança sem sucesso, já que à época uma lei promulgada pelo presidente Vargas impedia que primos pudessem ser herdeiros, relegando a herança ao governo federal. Por certo tempo foi alugado, desabitado e guardado apenas por um caseiro que ali permaneceu até que foi totalmente abandonado e pilhado, a partir do final dos anos 80. Mesmo assim sua sólida estrutura sobreviveu, restando apenas as paredes sem andares, pisos ou qualquer tipo de adorno.


A reflexão que propomos com este artigo poderia ser baseada apenas na importância histórica da construção como último representante arquitetônico de uma região deteriorada, mas não pretendemos nos prender apenas a este fato, devemos pensar que se o imóvel foi adquirido pela União, a priori, deveria ser preservado como bem público e destinado a ocupar atividades de interesses da sociedade. Ironicamente a instituição assistencial que hoje ocupa uma construção anexa tornou-se referência na região, e mesmo assim não consegue despertar interesse das autoridades sobre o caso, fazendo com que o edifício se deteriore dia a dia.
Muitas foram as tentativas de reabilitação do processo para restauração, uma delas por meio de Ação Civil Pública que está sendo movida pela Associação Preserva São Paulo, e mesmo assim o edifício espera sua redenção com, pelo menos, o reconhecimento de uma construção que testemunha a história de um dos pontos mais conhecidos da cidade de São Paulo.

Leia Mais...
:: O Castelinho da Rua Apa pede socorro
www.piratininga.org.br

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1933 - Foto enviada por Gilberto Rios

1937

2007

2013 (Foto: Vicente Pires)

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AÇÃO CIVIL PÚBLICA EM FACE DA UNIÃO FEDERAL PARA A PROMOÇÃO DA RESTAURAÇÃO DE IMÓVEL DE SUA PROPRIEDADE CONHECIDO COMO “CASTELINHO DA RUA APA”

7/5/2008 – Distribuição da Ação perante a Justiça Federal de São Paulo.

13/5/2008 – Publicado no Diário Eletrônico da Justiça decisão que adiou o pedido de medidas preventivas para depois da apresentação da defesa da União Federal.

03/06/2008 – Juntada ao processo o mandado de citação da União Federal.

08/08/2008 – Juntada a defesa da União Federal.

27/08/2008 – Juiz indeferiu o pedido de tutela antecipada para que a União Federal tomasse medidas de urgência para a proteção do imóvel.

02/09/2008 - Publicado no Diário Eletrônico da Justiça decisão que indeferiu as medidas de urgência para proteção do imóvel.

07/10/2008 – Juntada petição do PreservaSP comunicando a interposição de recurso (Agravo de Instrumento) perante o Tribunal Regional Federal (TRF), contra a decisão que indeferiu a tutela antecipada.

08/10/2008 – O processo foi remetido ao Ministério Público e no dia 22 foi devolvido com parecer para expedição de ofício ao Diretor do Contru para uma inspeção no imóvel.

04/11/2008 – Publicado decisão do juiz mantendo a decisão de negativa da tutela antecipada e determinando a expedição de ofício ao Contru.

13/11/2008 – Expedido mandado para inclusão da Of. Prof.  Clube das Mães do Brasil no processo.

13/11/2008 – O TRF acatou em parte o pedido liminar no recurso e determinou a

11/12/2008 – Juntada de petição do clube de Mães no processo.

13/01/2009 – Expirou prazo para o Contru se manifestar no processo quando foi determinada a reiteração do ofício expedido.

03/03/2009 – Juntada da resposta ao ofício pelo Contru.

28/07/2009 – A pedido do PreservaSP foi expedido ofício ao Subprefeito da Sé.

25/08/2009 – Juntada resposta ao ofício enviado ao Subprefeito da Sé.

11/09/2009 – Publicado decisão do juiz para manifestação quanto às defesas apresentadas.

22/10/2009 – O recurso interposto pelo PreservaSP  foi  julgado pelo TRF, confirmando a medida liminar para adotar medidas de proteção ao imóvel.

23/11/2009 – O processo foi recebido do Ministério Público.

19/03/2010 – O processo foi remetido à União Federal para manifestação. Enquanto isso, no TRF foi juntado novo recurso da União Federal contra a decisão que confirmou a medida liminar deferida.

16/04/2010 – O processo aguarda despacho do juiz, e no TRF aguarda-se o julgamento do novo recurso apresentado pela União Federal.

28/09/2012 - O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - Secretaria do Patrimônio da União, informa através do Memorando n. 2569/2012/GAB/SPU que não há créditos orçamentários suficientes para o Restauro do Imóvel da União.

   
 
 


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