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Autor Tópico: Carta ao Editor da revista Projeto Design  (Lida 2614 vezes)
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Jorge
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« : 16/Janeiro/2011, 08:31:04 pm »

Prezado Fernando Serapião:

Foi com não pouca decepção que li seu artigo na Folha de São Paulo da última sexta-feira, dia 14, intitulado “Um respiro na janela ou um futuro melhor?”, defendendo o obsceno projeto de venda, pela Prefeitura, do Quarteirão da Cultura no Itaim Bibi.

Seu texto veicula informações incorretas a respeito do terreno e dos nada menos que oito equipamentos públicos nele situados. Ao contrário do que você disse, a demanda pelos serviços públicos prestados no quarteirão não diminuiu – pelo contrário, tem fila de espera.

Sua argumentação ignora totalmente os motivos que levaram a comunidade do bairro, arquitetos, urbanistas e entidades tais como o Movimento Defenda São Paulo a se unirem no seu repúdio à iniciativa da Prefeitura, num movimento do qual nós do Preserva SP também nos orgulhamos de participar. Para começar, o valor ambiental do quarteirão, a mais tradicional e arborizada área verde de um bairro praticamente sem praças; seu valor histórico e até afetivo para os moradores do bairro; e o mais grave, em se tratando de um arquiteto e editor de uma conceituada revista de arquitetura, sem consideração pelas qualidades paisagísticas e arquitetônicas do harmonioso conjunto de edifícios modernistas dos anos 50, alguns deles projetados pelo arquiteto Roberto Tibau, utilizando os princípios da filosofia de escola-parque de Anísio Teixeira. E alguém tem alguma dúvida de que esse oásis de paz, verde e beleza cujo único “pecado” é estar situado numa região extremamente valorizada, será substituído no caso da venda por uma série de edifícios pseudoneoclássicos caracterizados por “altos muros”, ausência de “permeabilidade espacial” e outros horrores que você tão bem denunciou em um de seus artigos? Com todo respeito, seus argumentos me pareceriam mais coerentes se procedessem de um representante do setor imobiliário do que de um crítico de arquitetura de renome como você. E isso justamente neste momento em que os problemas causados pela especulação imobiliária desenfreada, pela agressão ao meio ambiente e pela impermeabilização do solo se evidenciam de forma avassaladora – literalmente - no drama das enchentes e dos deslizamentos.

Enfim, a impressão que tive é que você desconhece a área ameaçada de destruição. Desde já, fica o convite para uma visita ao local, acompanhado do Professor Helcias, morador do Itaim Bibi há 64 anos e fundador do Grupo Memórias do Itaim Bibi, o grande articulador desse movimento em defesa do Quarteirão da Cultura. Tenho certeza de que após a visita, você, como crítico de arquitetura de reconhecido talento e sensibilidade, passará a perceber que o "futuro melhor" ao qual você se refere caso a venda do Quarteirão da Cultura se concretize (oxalá isso não aconteça!) não será para as crianças da creche e das escolas,  para os usuários do posto de saúde, do Centro de Atenção Psicossocial e da APAE,  para os freqüentadores do Teatro Décio de Almeida Prado e da Biblioteca Anne Frank, para os moradores do bairro e para a cidade como um todo, mas estará reservado única e exclusivamente à especulação imobiliária.

Atenciosamente,

Jorge Eduardo Rubies

Presidente da Associação Preserva São Paulo
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